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Ensaio Alfa Romeo Giulia 2.2d: bela surpresa

Alguém famoso disse, um dia, que não se pode ser um verdadeiro amante de automóveis se não se adorar a Alfa Romeo. Exagerado ou não, a verdade é que a marca do Biscione tem uma capacidade de atração muito semelhante ao das mulheres italianas. Curiosamente, nenhuma faz parte dos “top” mundiais de modelos femininos, mas não deixam ninguém indiferente. O Giulia é um bocadinho assim e a verdade é que deixa qualquer um de cabeça à roda.

Antes de lhe dizer mais alguma coisa sobre o Giulia, tenho de dizer que este é um carro que nunca acreditei ser possível ver a luz do dia. O tamanho da empreitada e a definição técnica – nova plataforma, suspensões avançadas, traçao traseira e motores novos – apontavam para um abismo e não para a porta da felicidade. Eu que sou um apaixonado pela marca, confesso-o sem problema nenhum (já fui proprietário de dois Alfa Romeo 75, um 33 e um 155), nunca acreditei, mas agora faço “mea culpa” e sento-me ao volante de um dos carros mais excitantes dos últimos tempos.

Estilo “bella Italia”…

Começa tudo no estilo. As versões turbodiesel não possuem as rodas gordas do Quadrifoglio e não estão lá os símbolos das versões de topo da Alfa Romeo. Mas, olhem bem para as fotos! Está lá tudo… Percebe-se que é um Alfa Romeo olhando para o escudo, para os faróis rasgados, para o corpo musculado que termina numa traseira mais simples, mas que se integra de forma perfeita com o resto do carro. A frente comprida não retira elegância ao Giulia e mesmo que na lateral existam aproximações claras, por exemplo, ao BMW Série 3 (vejam o pormenor da inclinação do vidro da porta traseira…), este é um carro único, impossível de ser confundido na multidão.

Abri a portas e, imediatamente, me senti em “casa”. Já não existem aquelas coisas loucas como os comandos dos vidros colocados no tejadilho (Alfa Romeo 75) mas o ambiente é o mesmo de sempre. Uma posição de condução perfeita, um volante que nos cai nas mãos de forma ideal e um par de instrumentos que nos faz recuar aos anos gloriosos da casa italiana. Os bancos são confortáveis, mas o espaço é apenas suficiente. Porém, faz jogo igual com os rivais alemães no que oferece no banco traseiro, sendo a bagageira capaz de levar 480 litros de carga. Não é recordista, longe disso, mas suficiente.

alfa4

A qualidade… ai a qualidade…

Não tendo os 510 CV que o Quadrifoglio oferece, nem sequer aqueles revestimentos mais detalhados, este Giulia turbodiesel tem mais dificuldades em esconder o maior problema deste Alfa Romeo: a qualidade. Reconheço um enorme salto desde o 159 para este Giulia, mas há coisas que deixam a desejar. Por exemplo, o botão que controla o sistema de info entretenimento é muito pobre e há mais alguns locais onde os plásticos são fracos. Alem disso, o ecrã do sistema também não é brilhante, com menor resolução e pequenas dimensões, tornando mais complicada a utilização de um sistema que é intuitivo. Fez-me diferença? Não, mas olhando aos rivais, são pormenores que a Alfa Romeo tem de cuidar.

A verdade é que se sairmos do Giulia e entrarmos num Audi A4, sentimos a diferença. Menor que em outras alturas – o estilo do interior ajuda a disfarçar algumas coisas – mas clara. Porém, não consigo criticar a Alfa Romeo, pois fez um esforço tremendo para se alcandorar à posição de rivais dos alemães, desenhou um carro lindo, tem um interior acolhedor com uma belíssima posição de condução, falhou apenas na qualidade de alguns materiais.

“Cuore sportivo”

O Giulia volta a destacar-se, e de que maneira, dos seus rivais no que toca ao comportamento. O carro tem um chassis excelente e uma direção que não tem rival no segmento. A suspensão de duplo triângulo no eixo dianteiro é um dos culpados para este comportamento. O trabalho feito para optimizar o contacto do carro com a estrada através dos pneus é brilhante, melhorando a sensibilidade, aderência e a direcionalidade.

O conjunto chassis/suspensão é brilhante, com o carro a absorver todas as irregularidades da estrada com enorme facilidade e sem que sejamos sovados a cada ressalto, a cada irregularidade. Sem comprometer o comportamento que, comparado com os seus rivais, não tenho problema nenhum em dizer, é melhor.

O Alfa Romeo Giulia é um carro que deixa quem gosta de conduzir impressionado. Aceita mudanças de direção sem queixumes, o eixo dianteiro segue aquilo que o condutor manda através da direção e a traseira não perde tração e a compostura, sendo muito reactivo. Acreditem, até parece que o Giulia adivinha aquilo que vamos exigir dele!

Utilizando o sistema DNA, a escolha de eleição é o modo Sport, pois não penaliza o conforto e adiciona peso à assistência da direção, um pouco leve no modo Normal.

Já sei, está ai a pensar se o Alfa Romeo Giulia é melhor a curvar que o BMW Série 3. Equilibrado, com controlo perfeito dos movimentos da carroçaria, mudando de direção com agilidade (a construção de baixo peso ajuda muito), o Giulia aceita, até, ser conduzido sem o ESP ligado. E não se preocupe que apesar de ser um tração traseira, o Giulia é perfeitamente controlável mesmo num ritmo bem elevado. Por isso, lhe digo que sim, o Alfa Romeo Giulia é melhor no que toca ao comportamento que um BMW Série 3.

O motor do Giulia foi pensado, juntamente com a plataforma de construção de baixo peso, para oferecer performance, mas igualmente eficiência. Estranho alguém se preocupar com aquilo que gasta um Alfa Romeo, mas nos dias que correm, as prioridades mudaram.

Motor diesel pouco refinado

O bloco 2.2 litros turbodiesel não é muito refinado, sendo bastante vocal a frio e a baixas rotações. Confesso que não gostei muito do barulho, mesmo que após atingida a temperatura ideal de funcionamento, o Giulia “esconder” o barulho do motor através da insonorização. Esta falta de refinamento é uma pena, pois esperava-se mais de um motor novo e com várias qualidades como um forte valor de binário numa ampla faixa de rotação. A caixa de seis velocidades manual (existe uma opção automática feita pela ZF) rima bem com o motor, contribuindo para uma a boa agradabilidade de condução e, também, para oferecer boas performances ao Giulia. Aceleração 0-100 km/h em 7,2 segundos com uma velocidade máxima de 230 km/h. No que toca aos consumos, a Alfa Romeo reclama 4,2 litros por cada 100 quilómetros. Não consegui lá chegar, mas sem preocupações nem exageros, registei 5,9 l/100 km. Nada mau!

Veredicto

Apaixonarmo-nos por uma mulher bonita não é difícil e apaixonarmo-nos pelo Giulia é facílimo, pois é um carro lindo que satisfaz todas as exigências de um verdadeiro adepto da condução e do automóvel. Nestes particulares, o Giulia está no topo! É verdade que tem problemas com a qualidade no interior, o sistema de info entretenimento é algo antiquado e o ecrã onde é exibido é pequeno e com falta de resolução, mas na minha opinião, nada disso ofusca a beleza do corpo e da essência do Giulia. O equipamento também é completo e se não consegue fazer jogo igual com os rivais alemães no que toca à qualidade e a algum dos equipamento tecnológico oferecido, a posição de condução é perfeita e a agradabilidade a bordo grande. Os preços são, para já, a minha única hesitação, pois se a Alfa Romeo tem como objetivo ser rival dos alemães de Audi, BMW e Mercedes (e da Jaguar), não tem necessidade de o fazer ao nível dos preços. Na versão Giulia “normal” o preço começa nos 41.400 euros, a versão Super fica pelos 45.100 euros. Assim fica mais complicado…

José Manuel Costa

Alfa Romeo Giulia 2.2 Preço 41.400€; Motor 4 cil. turbodiesel 2143 c.c.; Potência 180 CV/3750 rpm; Binário 380 Nm/1750rpm; Transmissão Traseira, caixa manual de 6 vel.; Suspensão independente duplo triângulo fr./independente mutibraços tr. Travagem Discos vent fr/tr; Peso 1374 kgs Mala 480 lts; Depósito 52 lts; Vel.máx 230 km/h; Acel.0-100 km/h 7,2 s Consumo médio 4,2 l/100 km; Emissões CO2 109 gr/km

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