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Ensaio Abarth 695 Biposto: diabólico!

Gasolina corre-me nas veias… O cheiro dos gases de escape fazem parte da minha vida desde tenra idade… A competição passou pela minha vida desde criança… O dinheiro sempre foi demasiado curto para poder entrar nas corridas… A diferença entre os miúdos e os rapazes e entre estes e os homens, está no tamanho e no custo dos brinquedos. Nada de mais verdadeiro se pode aplicar ao Abarth 695 Biposto, um carro de corridas legal para andar na estrada e que só mesmo os italianos teriam coragem para fazer. Nunca um carro fez tão pouco sentido… fazendo tanto o sentido, pois além de me levar até ao mundo encantado das corridas, é divertido como o caraças!

O que não faltam é modelos do Fiat 500 transformados pela marca criada pelos austríaco Carlo Abarth, hoje propriedade da Fiat Chrysler Group, e que tem como símbolo um escorpião. Nada de mais acertado, pois os Abarth de antanho e os contemporâneos são agressivos como é um escorpião e este 695 Biposto é a epítome disso mesmo.

A ideia por trás do 695 Biposto é clara: oferecer um carro de corridas que possa andar na estrada, um sonho de muitos (eu incluído) que vivem em países como o nosso que licenciam o “tunning” (com muita coisa péssima e mal feita sem critério absolutamente nenhum) mas não deixam circular carros com “roll bar” e aspeto de carro de corrida.

Simplisticamente, posso dizer que o 695 Biposto é a versão de estrada do 695 Assetto Corsa, o mesmo que serve de base ao Troféu Abarth em vários países europeus. Por isso, é mesmo um carro de corridas “road legal”… Oh Yeah!!!!

A pintura cinzenta baça, linda!, as enormes jantes de 18 polegadas OZ Wheels que saem da carroçaria através de generosos alargamentos, os poderosos travões Brembo, as duas enooormes ponteiras de escape Akrapovic, a frente cheia de buracos que deixam ver um gigantesco permutador de calor, dizem-nos que a coisa é bruta! Ou brutal!

Tudo rematado a verdadeira fibra de carbono, que se quiser que se estenda para o interior terá de ir à lista de opcionais. Começa com o kit Fibra de Carbono que oferece o tablier forrado a carbono, portas com forro minimalista em carbono, pilares e capas dos espelhos extrriores, tudo feito em fibra de carbono. Pode, também, encomendar um kit denominado “Kit Racing” que lhe coloca no interior um sistema de telemetria, cintos de segurança com quatro pontos de fixação. Esse pacote oferece-lhe o capacete… Os vidros de competição são feitos em policarbonato pela Exatec, resistentes aos riscos e à abrasão. Bonitos mas deixam o Biposto mais parecido a uma sauna pois não passam de duas… escotilhas!

Para diminuir o peso, a Abarth propõe o Kit especial Redução de Peso, com um capot em alumínio com duas bossas bem evidentes, jantes e cubos das rodas em titânio, tampas de depósitos de água, óleo e combustível em titânio.

Finalmente, se quiser a engrenagem que pode ver nas fotos, para a caixa de velocidades de engrenagens frontais, terá de abrir mão de quase 10 mil euros, pois o sistema oferece uma caixa de competição, uma alavanca em Ergal, diferncial autoblocante de discos e alem daquela confusa, mas belíssima engrenagem, o piso e o travão de mão revestidos em carbono.

Os travões são da Brembo e a Abarth oferece de série os discos maiores com 305 mm na frente e maxilas de quatro pistões com pastilhas especiais Ferodo.

Sabendo-se que a Abarth pede 45.998.90 euros pelo 695 Biposto, se quiser um carrinho igual ao das fotos terá de largar perto de 60 mil euros pelo seu brinquedo. Não lhe disse acima que a diferença entre os rapazes e os homens é o tamanho e o custo dos brinquedos?!!

Já sei que está para ai a vociferar que sou maluco, vendido à Abarth e a receber cheques chorudos da casa italiana para fazer o ensaio ao carro. Isto porque é um carro alucinantemente caro. Tem razão, quer dizer, nesta parte pois na primeira não tem razão nenhuma… Adiante.

A Abarth e a Fiat não têm como objetivo vender muitos 695 Biposto (a verdade é que já vendeu bastantes…), antes fazer deste um carro de imagem para as capacidades da Abarth e apelar aos utilizadores que têm na garagem um Porsche 911 GT3 RS ou um 488 GTB ou qualquer coisa assim e despreze os pequenos desportivos. O 695 Biposto é diferente de tudo e tem performances brutais!

O motor 1.4 T-Jet sobrealimentado debita, depois de tratado pelos homens da Abarth e revceber uma série de modificações muito semelhantes às que se fazem na competição, 190 CV! Se pensarmos que o 695 Biposto pesa, já com o “kit” de aligeiramento, sem ar condicionado e sem bancos traseiros, tem 997 kgs na balança, fica fácil perceber que a relação peso potencia é altamente favorável (5,2 kgs/CV). O que permite uma aceleração 0-100 km/h inferior a 6 segundos (5,9 seg para ser mais exato). Com uma velocidade máxima que fica nos 230 km/h.

Bem sentado nos bancos da Sabelt inspirados na competição – que pena este 695 Bioposto não ter o kit que oferece os cintos de 4 apoios… – face a um volante banal e a um panel de instrumentos despido (apenas com a placa 695 Biposto), dei à chave e…… wooooow!!!!!

O barulho do carro é lindo e se colocarmos o 695 Biposto no modo Sport, o escape Akrapovic começa a gritar e o êxtase é fácil de alcançar. Simplesmente brilhante!

Tudo no carro está pensado para a competição e com a maravilhosa caixa de dentes direitos, o prazer de condução aumenta. É verdade que a Abart não foi tão longe como equipar o carro com um “cut off” para passar de caixa sem pressionar a embraiagem. Mas a verdade é que a caixa é ultra direta, rápida que exige ser maltratada para oferecer tudo o que tem. Não se pode ter hesitações na hora de passar de caixa, agradecendo esta a virilidade nessa ação. E porque estamos a namorar com a competição, é lindo cada vez que se coloca a primeira escutar o “grrrrrr, clunck, sorrido nos lábios… rrrrrrr”. E, comprovadamente, a caixa permite que o 695 Biposto seja mais rápido que com a caixa normal. Simplesmente soberbo!

Duro como uma tábua, o Abarth 695 Biposto levou-me até ao Estoril, até ao Autódromo Internacional do Algarve, até ao céu daqueles que passaram ao lado de uma carreira na competição automóvel. A direção tem uma sensibilidade menor, típica das atuais direções e daquelas menos dadas a estas coisas da competição, perdão, dos carros desportivos. Já agora – até porque isto não é só virtudes – o diferencial mecânico é um bocadinho desastrado, pois faz o carro “ler” em demasia a estrada. E se esta tiver muita escrita (leia-se desníveis e irregularidades) acaba por ser complicado controlar o Biposto.

No lado oposto está o controlo de tração, muito bem equilibrado e preparado para funcionar nas duras condições da competição, e a travagem. A Brembo não deixa créditos por mãos alheias e a capacidade de travagem é absurda com o ponto de fadiga bem longe. Excelente!

O que falta para ser um verdadeiro carro de competição? Pouco! Curva de forma admirável – cuidado com a traseira muito, mas muito levezinha e com mania de querer ultrapassar a frente – mas não tem a mesma complexidade das suspensões de competição no que toca às fases de compressão e extensão, a direção exige mais movimento que os sistemas diretos usados nos carros de competição e as mudanças de direção são um nadinha mais lentas. No final de tudo isto, o 695 Biposto consegue ser mais veloz em reta que o 695 Assetto Corsa de competição.

Veredicto

Diverti-me que nem uma nababo ao volante do Abarth 695 Biposto, recuando alguns anos na minha vida, voltando a saborear aquilo que são as características de um carro de corridas. Durante os dias que me fez companhia, o 695 Biposto fazia todo o sentido, pois é um carro absolutamente espetacular, divertido e que me deixou mais feliz que a minha filha quando recebe um presente que não seja roupa. Quando o deixei e “desci” à terra, naturalmente que pagar quase 50 mil euros (este que experimentei deve ficar bem para lá desse valor…) por um Fiat 500 mexido pela Abarth, sem ar condicionado, com apenas dois lugares e impróprio para andar em estrada aberta, a não ser que seja sócio de um osteopata e amigo de alguém que lhe possa oferecer pontos na carta de condução, é um disparate. Mas para aqueles que gastar 50 mil euros é, para eles, a mesma coisa que para mim é gastar 5 euros numa bugiganga qualquer, então o Abarth 695 Biposto faz todo o sentido e verá que se vai divertir à grande! Asseguro-lhe!!!! Palavra final para a Abarth… Voltamos aos velhos tempos do grupo Fiat ao pensar fora da caixa e ter a coragem de construir carros que não faziam sentido nenhum e hoje são dos mais procurados. Este 695 Biposto vai ser um caso sério nesse respeito…

José Manuel Costa

Abarth 695 Riposto – Preço 45.998€; Motor 4 cil. turbo 1368 c.c.; Potência 190 CV/5750 rpm; Binário 250 Nm/2500 rpm; Transmissão Dianteira, caixa manual de 5 vel.; Suspensão independente fr./eixo de torçao tr.; Travagem Discos vent fr/tr; Peso 995 kgs Mala nd lts; Depósito 35 lts; Vel.máx 230 km/h; Acel.0-100 km/h 5,9 s Consumo médio 6,1 l/100 km; Emissões CO2 145 gr/km

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