Clássicos

BMW 507: 60 anos de história

Como nasceu

A ideia do 507 nasceu com Max Hoffman, um magnata do comércio automóvel nos Estados Unidos da América. Foi ele quem persuadiu a BMW a produzir uma versão descapotável do modelo 501/502. Segundo ele, seria uma belíssima ideia para aproveitar o vazio que existia no mercado entre o caro e exclusivo Mercedes 300SL (o famoso asas de gaivota) e os pequenos desportivos descapotáveis vindos do Reino Unido, como os Triumph e os MG.

As negociações avançaram e o americano lá convence a administração da BMW que esta era uma extraordinária ideia. Acertadas agulhas, Fritz Fiedler, engenheiro da marca bávara, assumiu o projeto. Foi ele quem desenhou o chassis, mas sem recorrer a uma única peça nova. O chassis foi feito só com componentes já existentes.

bmw-507-1955-1600-09O estilo do 507 foi entregue a Ernst Loof, um estilistas que nas horas vagas era piloto, tendo mesmo chegado a disputar um Grande Prémio de F1 em Agosto de 1953. Fez pouco mais que dois metros, pois mal largou ficou parado com uma falha na bomba de gasolina. É por isso de Ernst Loof e não de Marco Apicella, como muitos dizem, a carreira mais curta na F1. Trabalhou na BMW até ser reformado devido a um tumor cerebral que lhe ceifou a vida em 1956. Porém, Max Hoffman não gostou do trabalho de Loof e em novembro de 1954, segundo insistência do americano, a BMW contratou Albrecht von Goertz, o homem que acabou por desenhar o 507.

A ideia por trás do conceito

A ideia de Hoffman era exportar milhares de veículos, acreditando o americano que seria um enorme sucesso entre os mais jovens. É verdade que Elvis Presley fez muito pelo 507, mas a verdade é que sendo um veículo demasiado caro face a concorrência e importado da Europa, acabou por ser um carro confidencial do qual foram produzidas apenas 252 unidades em somente três anos de produção, o que faz dele um automóvel muito raro e avaliado em mais de 1,7 milhões de euros.

O BMW 507 iniciou a produção em novembro de 1956 e a ideia era o carro se vendido por 5 mil dólares, o que lhe permitiria uma produção de 5 mil unidades/ano. O problema é que os custos de produção dispararam logo na fábrica. Com transporte e toda a logística necessária, o carro trepou para os 9 mil dólares, acabando por estabilizar nos 10.500 dólares, bem longe dos 5 mil esperados.

Sentindo que a sua ideia não seria tão risonha como esperava e com os homens da BMW a perceberem que os prejuízos estavam ali ao virar da esquina, Max Hoffman tentou tudo. Até atrair estrela do cinema e da canção, como Elvis Presley (que comprou dois!) e pilotos famosos na época como Hans Stuck.

Especificações do 507

O 507 tinha duas portas, era um descapotável (mais tarde nasceu um coupé) com tração traseira e equipado com um motor V8 de 3,2 litros acoplado a uma caixa manual ZF com quatro velocidades. A esbelta forma do 507 prolongava-se ao longo de 4380 mm de comprimento, 1650 mm de largura e uma altura de 1257 mm. A distância entre eixos é de 2480 mm. O peso é de 1330 quilogramas.

Quanto ao chassis, era uma versão encurtada do 503, com a distância entre eixos mais curta 355 mm. A carroçaria era totalmente feita em alumínio formado à mão, pelo que não há dois 507 iguais. A personalização era já grande e por via disso, o “hardtop” que fosse comprado para colocar no 507, só servia nesse mesmo modelo. Onze carros foram vendidos com “hard top”.

O eixo dianteiro recebeu suspensões de duplo triângulo paralelos com barras de torção e barra estabilizadora, enquanto atrás vivia um eixo rígido, suspenso em barras de torção e uma barra Panhard, além de um braço transversal para controlar os movimentos. Os travões eram oriundos da Alfin, tambores nas quatro rodas (284,5 mm à frente). Os últimos 507 receberam discos Girling.

Motor V8

O motor do 507 era, naturalmente, um V8 feito em alumínio com 3168 c.c., árvores de cames à cabeça e dois carburadores Zenith 32NDIX de duplo corpo, uma bomba de óleo movida por correia, câmaras de combustão polidas e taxa de compressão de 7.8:1. Debitava 150 CV às 5 mil rotações e estava acoplado a uma caixa manual de 4 velocidades da ZF. Na altura a Motor Revue fez o ensaio ao BMW 507 e conseguiu acelerar dos 0-100 km/h em 11,1 segundos com uma velocidade máxima de 195 km/h.

Foram feitas 34 unidades do 507 Série 1 entre 1956 e 1957, carros que tinham como particularidade os depósitos de combustível em alumínio soldado que oferecia uma capacidade de 110 litros, colocado imediatamente atrás dos bancos. Além de roubar espaço na bagageira e ao passageiro, ainda dava uma característica pouco agradável… o cheio permanente a gasolina dentro do habitáculo se estive a capota fechada ou o “hard top” colocado. Esta situação foi corrigida no 507 Serie II, com um depósito de 66 litros debaixo da bagageira e esculpido em redor do espaço libertado pelo pneu suplente.

Impacto… negativo!

Tendo um V8 debaixo do capot, com alguma sede em determinadas situações, o 507 nunca conseguiu ser rival do Mercedes 300SL, pois o seu motor de seis cilindros em linha era mais eficiente e o preço era mais acessível. Contas feitas, o volume de vendas do 507 valia menos de 10% do volume total das vendas do Mercedes.

O que começou com uma boa ideia e abraçada pela BMW para devolver a imagem desportiva à casa bávara, terminou num processo que quase levava à falência a casa alemã. Em cada um dos 252 carros produzidos, a BMW perdeu dinheiro e por isso é que a produção parou o mais depressa possível. Foi Herbert Quandt quem injetou o dinheiro essencial para a sobrevivência, juntamente com o lançamento de produtos mais acessíveis mas com a imagem BMW.

No presente, o BMW 507 é um belo negócio. Dos 252 produzidos, sobrevivem menos de 202, a maioria deles em coleções privadas. Como referimos, os valores situam-se em redor dos 1,7 milhões de euros. Porém caros como o do Elvis Presley, Ursula Andrews, John Surtees – que recebeu um carro destes oferecido pelo Clonde Agusta, o dono das MV Agusta, motos com as quais venceu o campeonato mundial de 500 c.c. em 1956 – valorizam-se de forma brutal. O BMW 507 faz sessenta anos em 2016.

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