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Dacia Duster Eco-G 100 Bi-Fuel Comfort: um híbrido… diferente!

Será que um carro alimentado a gasolina e GPL é um híbrido? Merece o Duster a sua atenção? Saiba tudo neste ensaio AUTOBLOGUE.

Não é uma novidade absoluta, mas a Dacia insiste na oferta de uma gama com alimentação mista a gasolina e gás de petróleo liquefeito. As diferenças são muito poucas. Apenas o sistema de alimentação e a utilização do bloco 1.0 litros sobrealimentado com 100 CV. Agora, vale a pena apostar num carro híbrido que custa 14.650 euros, que gasta gasolina que custa 1,3 euros e GPL a custar 0,6 euros.

Confesso que sempre tive um fraquinho pelo Duster. Mantendo o estilo carregado de charme conferido pelas cavas das rodas musculadas e pela superfície vidrada estreita. A grelha em ninho de abelha, as luzes LED que formam uma assinatura luminosa e novas jantes de 17 polegadas, juntam-se a uma traseira que, perdendo a irreverência musculada, passou a adotar um desenho muito mais elegante.

A lateral do carro manteve a ideia de estilo, mas estreitou um pouco a superfície vidrada e as barras de tejadilho estão bem integradas.

Interior melhorado

Completamente diferente do anterior, o interior do Duster tem painel de instrumentos muito mais agradável à vista. O tabliê tem um desenho mais bonito e o ecrã do sistema de navegação está situado mais acima numa zona de melhor visibilidade. Por baixo há uma fila de botões à imagem de um teclado de piano do mais belo efeito. Os comandos do sistema de climatização também são totalmente novos. Tudo com qualidade inesperada, mas não suficiente para se poder dizer que está ao nível de um Captur, por exemplo.

Além dos bancos mais envolventes, o interior do Duster destaca uma excelente insonorização. O resultado de mais material de insonorização, vidros mais grossos e mais algumas medidas tomadas pelos engenheiros da marca, anularam a maior crítica que se fazia ao Duster.

Menos interessante é a perda de espaço atrás devido aos bancos maiores e a perda de capacidade na bagageira que passa de 475 para 445 litros. Rebatendo os bancos, a bagageira passa para os 1478 litros, uma redução de 158 litros. Ainda assim, o Dacia Duster tem uma bagageira maior que alguns rivais como o Mini Countryman.

Equipamento completo

O equipamento foi enriquecido com ajudas á condução e ao bem-estar a bordo: câmara de marcha atrás, ar condicionado automático, sistema multimédia compatível com Android Auto e Apple CarPlay, estes agrupados no Media Nav Solution. Para o Duster, junta-se ainda o cartão mãos livres de acesso e arranque, alerta do ângulo morto, regulador e limitador de velocidade e os tapetes da versão Adventure. Um equipamento muito completo.

Consumos assim assim

O motor 1.0 TCe com 100 CV mostra-se curto para o Duster e obriga-nos a mexer muito na caixa, elevando os consumos muito para lá daquilo que a Dacia anuncia. Os 7,9 l/100 km não acontecem já médias perto dos 9 litros sim. Já com o GPL, a casa romena exibe como argumento a poupança de 900 euros a cada 20 mil quilómetros. Vamos a contas: em apenas uma centena de quilómetros a poupança é de quatro euros. Ora, se fizer 30 km por dia, mil por mês, chega ao final desse mês com mais de 40 euros no bolso. Isto numa versão a gasolina, pois para um carro a gasóleo, a poupança é de 10 euros. Ou seja, 480 euros a gasolina, 120 euros face a um carro diesel.

E hoje, os sistemas de alimentação BiFuel estão muito mais desenvolvidos, há 370 postos de abastecimento em todo o país, o discriminatório dístico azul não é obrigatório e já pode estacionar em qualquer lado. O sistema da Dacia coloca o reservatório de gás no local da roda suplente (esta desaparece em favor de um kit de reparação) e tem um sistema de injeção separado para gasolina e outro para o GPL. Um pequeno botão permite que possa forçar a passagem entre um e outro combustível sem que se note alguma coisa. Com os dois combustíveis, a autonomia é superior a um milhar de quilómetros.

Sempre divertido

Com uma direção assistida com sistema elétrico, o carro está mais preciso e muda a forma como o Duster é conduzido. A maior confiança é dada pela maior sensibilidade e maior leveza, permitindo maior incisão na colocação em curva. O carro é confortável de conduzir, mas não se entusiasme muito pois o Duster é divertido como SUV, mas não é particularmente entusiasmante de conduzir. A suspensão é suave pelo que o carro é confortável.

Veredicto

A questão económica pode pesar na hora da decisão, mas, sinceramente, não gostei muito da utilização deste motor com o GPL. Como disse no início, gosto muito do Duster, mas com outro motor (o TCe de 130 CV, por exemplo) e sem a ajuda do GPL. Se a poupança for, mesmo, decisiva, então a proposta é interessante, mas há na gama Dacia o Sandero, igualmente com GPL. Mas essa é conta de outro rosário.

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