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Herbert Diess enfrenta oposição interna no Grupo Volkswagen

Nem nos piores dias do Dieselgate se viu tamanha oposição ao CEO do grupo VW.

A vida está complicada para Herbert Diess. Depois de ter abandonado o cargo de CEO da marca VW para se concentrar nos próximos passos do gigante alemão.

Tudo porque Diess não está a conseguir ter apoio para as suas escolhas para preencher o conselho de administração e tem estado a pressionar o conselho para o apoiar a fazer reformas mais profundas no grupo.

Quem move maior oposição são os representantes dos sindicatos e a comissão de trabalhadores. Não aceitam os candidatos escolhidos por Diess para ocupar o lugar de Frank Witter, atual diretor financeiro que está de saída, e do responsável pelas compras. Ou seja, Witter, com 61 anosm quer sair em final de junho de 2021 e Stefan Sommer, o responsável pelas compras, será colocado fora menos de dois anos depois de assumir o cargo.

São duas posições determinantes para que Herbert Diess possa prosseguir com a sua política de corte de custos e melhorar a eficiência do grupo. Ainda por cima quando a VW acaba de aprovar um plano de investimento de 150 mil milhões de euros.

Convirá lembrar que Herbert Diess tem vindo a realizar um trabalho lento, mas com progressos na sua busca para desenlear a estrutura muito conglomerada, pouco ágil e com necessidade de concentrar todos os esforços no “core business”, os automóveis.

O CEO do grupo tentou alongar o seu contrato para lá de 2023, mas desistiu disso quando percebeu que tinha de convencer uma maioria de dois terços dos votos para que isso fosse possível e por isso vai esperar que o com trato seja renovado em 2022.

Curiosamente, parece que no grupo VW a feira de vaidades continua a existir e que nada aprenderam com lutas anteriores.

Nova batalha pelo poder pode atrapalhar o sucesso da ofensiva elétrica onde serão investidos em cinco anos mais de 73 mil milhões de euros. Sim, leu bem… 73 mil milhões de euros! E Diess já disse, alto e bom som, que a sobrevivência do grupo passa por uma transformação assinalável que inclua a mobilidade elétrica alimentada por baterias.

Há alguma desconfiança sobre Herbert Diess e sobre o compromisso com a mudança depois de algumas promessas não terem sido cumpridas por adiamento ou por dissolução ao longo do tempo.

Não esquecer que os influentes sindicatos têm assento no conselho de administração e são apoiados pela Baixa Saxónia, o maior acionista do grupo com 20% do capital. Diesse já tinha perdido o controlo da marca VW, depois de ter pedido uma extensão do seu contrato.

Do seu lado tem a família Piech. Porém, a família multimilionária que tem 53% do capital e dos votos no conselho, historicamente tem evitado conflitos com a Baixa Saxónia e com os sindicatos.

Porém, esta forma de estar bem com Deus e com os demónios está a prejudicar a imagem da empresa e Wolfgang Porsche e Hans Michel Piech já foram contactados para dizerem se ainda apoiam Herbert Diess. Segundo Arndt Ellinghorst, analista da Sanford C. Bernstein, autor da carta enviada aqueles dois responsáveis, “é muito preocupante ver a contínua luta interna entre a comissão de trabalhadores e a administração. É impossível administrar uma empresa quando todas as decisões controversas são desvalorizadas dentro da organização.”

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