Desporto

F1 GP Bahrain: Hamilton vence facilmente e Grosjean sobrevive a horrível acidente

Lewis Hamilton continua a engordar o palmarés numa corrida onde Grosjean sofreu pavoroso acidente e Lance Stroll acabou de cabeça para baixo.

Acidente de Gerhard Berger em Imola (1989)

Imola 1989. Gerhard Berger despista-se e o Ferrari transforma-se numa bola de fogo, salvando-se devido aos comissários usarem um Ferrari e serem expeditos no salvamento!

Bahrain 2020. Romain Grosjean perde o controlo do Haas/Ferrari que se transforma numa bola de fogo, depois de se partir ao meio e ficar entalado nos rails de proteção. É salvo pelo Halo e pela rapidez dos comissários e do carro médico da FIA!

Mais de 30 anos separam estes dois episódios, o tempo que levou o fogo a aparecer, uma vez mais, num despiste de um Fórmula 1. Tal como sucedeu com Gerhard Berger, Romain Grosjean saiu ileso exceção feita a algumas queimaduras nas mãos e nos tornozelos. Mas se em 1989 o austríaco saiu do Ferrari ajudado pelos comissários e pelos paramédicos, em 2020 Grosjan saiu pelo seu próprio pé.

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Se o acidente de Romain Grosjean tivesse acontecido em 1989, Gerhard Berger não estaria cá para nos recordar o inferno que viveu. O francês contou com todas as medidas que a FIA desenvolveu ao longo dos anos, tornando os carros desconfortáveis, mas muito mais seguros.

O Halo voltou a mostrar a sua validade, tanto no acidente de Grosjean, como longos minutos depois, quando Lance Stroll desentendeu-se com Daniil Kvyat, capotou e saiu da corrida sem o mínimo arranhão no físico, apenas uma cicatriz no ego.

Poderia este ano de 2020 acrescentar ao prejuízo a fatalidade, a segurança dos atuais carros da F1 e o desenvolvimento dos fatos, capacetes e demais material usado pelos pilotos decidiu o contrário. Ainda bem!

Safety Car marcou corrida

Dois “safety car” e uma bandeira vermelha perturbaram a prova que terminou noite dentro no Bahrain. Os primeiros devido aos incidentes que colocaram fora de prova os dois Racing Point Mercedes, a segunda devido ao acidente pavoroso de Grosjean, espoletado devido a um toque com o AlphaTauri de Daniil Kvyat.

Mas o incidente de Grosjean começou bem antes, com Valteri Bottas a fazer um mau arranque, sendo passado por Verstappen que encetou a perseguição a Hamilton, claro, na frente depois de mais um excelente arranque.

Bottas continuava a perder posições e depois de passado por Alex Albon e Daniel Ricciardo, cometeu um ligeiro erro e forçou quem estava atrás de si a reduzir a velocidade num efeito harmónio conhecido das corridas de automóveis. Efeito esse que espalhou a confusão entre Lando Norris, Esteban Ocon e Pierre Gasly.

Dessa refrega ficou uma asa danificada no McLaren de Noris. Com tudo isto, o par de Ferrari e Lance Stroll tiveram de alargar a trajetória, deixando campo aberto para quem vinha ainda mais atrás. Foi quando Grosjean mudou de direção em plena aceleração e tocou no carro de Kvyat. Ato contínuo foi catapultado para o outro lado da pista, direitinho aos rails de proteção.

Acidentes violentos

Partido ao meio, o Haas perdeu todo o combustível vertido pelo depósito rompido. A ignição surgiu num instante, envolvendo numa bola de a outra parte do chassis onde estava agarrado Grosjean.

Conseguiu sair do destroço que era o seu carro para cair nos braços de Ian Roberts, o delegado médico da FIA, que chegou ao local de forma célere devido ao compromisso do condutor do carro médico, Alan van der Merwe. Foram curtos segundos – que pareceram uma eternidade! – até que Roberts chegasse à cena do acidente.

Bandeira vermelha imposta imediatamente e hora e vinte minutos de espera para reparar tudo (colocadas barreiras de betão) , levar Grosjean para o hospital para cuidar das queimaduras ligeiras, das costelas partidas, e recomeçar a corrida.

Recomeçou a prova depois de três voltas cumpridas com um novo arranque, mas desta feita com a classificação ditada pela passagem dos pilotos pela segunda linha do “safety car”. Um recomeço que não trouxe nada de novo, a não ser nova neutralização da corrida.

As escaramuças iniciais não originaram problemas até que na curva 8 do circuito de Sahkir, Lance Stroll e Daniil Kvyat se desentenderam, o Racing Point subiu com a roda traseira pela roda dianteira do AlphaTauri e acabou capotado. Vettel rteve de se pendurar nos travões e Kevin Magnussen foi “apanhado” nesta confusão, partindo a asa dianteira do Haas na traseira do Ferrari.

A Mercedes não queria, mas teve de parar o W11 de Bottas devido a um furo. Parecia uma estratégia alternativa, mas de alternativo teve apenas o facto de Bottas ficar no meio do pelotão. Oportunidade para perceber a fibra do finlandês…

Novo recomeço, desta feita tradicional e com Lewis Hamilton a tentar fugir a Max Verstappen e o holandês a fazer finca pé mesmo tendo errado na curva de acesso à reta da meta.

Hamilton domina

O Mercedes e o Red Bull fugiram, facilmente, ao Racing Point de Sergio Perez, com Verstappen a dar a sensação que ia complicar a vida a Hamilton. Pura ilusão!

O campeão do Mundo puxou dos galões e impôs um ritmo inalcançável para o holandês. A paragem de Lewis Hamilton à volta 19, deixando claro que iria parar mais uma vez. O britânico colocou pneus médios, Verstappen e Perez escolheram os duros.

Não produziu nenhuma diferença esta escolha múltipla em termos táticos e só restava à Red Bull ser agressiva.

Quis ver o jogo da Mercedes e de forma inesperada, mandou parar Verstappen pela segunda vez colocando pneus Pirelli médios. Jogada atirada pela janela quando os excelentes mecânicos da RedBull falharam naquilo que são os melhores e a troca de pneus durou uma eternidade. Sim, mais de 3 segundos é uma eternidade para quem já fez bem menos de 2 segundos para trocar os quatro Pirelli!

O jovem holandês fez, então, um “all in” e com voltas a voar baixinho pelo traçado de Sahkir, encontrou-se a um punhado de segundos quando Lewis Hamilton parou para, finalmente, colocar os Pirelli duros.

Deu a perfeita ideia que não fosse o falhanço nas boxes, Verstappen estaria na frente da corrida. Porém, Hamilton ainda não tinha mostrado a sua mão. E quando Verstappen ameaçava ficar demasiado perto, o campeão do Mundo abriu o jogo e foi-se embora sem a mínima dificuldade.

Já em dificuldades com os médios após tanto esforço e vendo Sergio Perez a milhas de distância, a Red Bull mandou parar uma vez mais Max Verstappen e ofereceu-lhe novo jogo de Pirelli com faixa amarela.

Verstappen rubricou a volta mais rápida, mas esta paragem deixou Hamilton sossegado na primeira posição com enorme vantagem sobre o Red Bull e, sobretudo, com janela para poder escolher entre ficar em pista ou parar o Mercedes para nova troca de pneus.

Azar para Perez, sorte para Albon

Os mais de 30 segundos de avanço foram desaparecendo como gelo ao sol e quando Verstappen já tinha escovado 10 segundos a essa vantagem, o azar tocou no ombro de Sergio Perez.

O motor Mercedes começou a perder potência, o fumo começou a ser maior e as chamas ditaram o veredicto: motor partido e fim de corrida para Perez. Parado na reta oposta, Perez via arder o motor e duas mãos cheias de pontos que muita falta faziam na luta pelo terceiro lugar do campeonato de construtores.

Com a entrada do “safety car” em pista, abriu-se uma janela de oportunidade para Verstappen que podia jogar com a indecisão da Mercedes. Porém, a equipa não vacilou, não fez Hamilton entrar nas boxes e acertou em cheio na previsão que a corrida iria acabar atrás do Safety Car.

O azar de uns é a sorte de outros e Alex Albon lá conseguiu mais alguns créditos na Red Bull ao ficar com o lugar mais baixo do pódio que estava reservado para Perez e os dois McLaren subiram para 4º e 5º lugares. Pontos importantíssimos para colocar a McLaren no 3º lugar dos construtores.

Com apenas uma paragem, Pierre Gasly levou a água ao seu moinho e terminou no 6º lugar, na frente de Daniel Ricciardo e de Valteri Bottas. O finlandês teve uma corrida para esquecer e até na tática alternativa devido ao furo na madrugada da corrida teve azar e nada beneficiou dela. Oitavo lugar pálido, na frente de Esteban Ocon e de um irrequieto Charles Leclerc.

O monegasco conseguiu um pontinho numa corrida em que os Ferrari mais pareciam um Williams! Sebastien Vettel terminou num esforçado 13º lugar, exatamente atrás de um Williams, o de George Russell!

Lewis Hamilton bateu dois recordes: na volta 31, chegou às 588 voltas lideradas em 2020, recorde absoluto de voltas lideradas num só ano na sua carreira. Com a particularidade de só se terem disputado, ainda, 15 corridas do Mundial de F1. E ficou mais perto de esmagar mais um recorde de Michael Schumacher: o maior número de voltas lideradas. Estava a 68 voltas, depois do GP do Bahrain ficou a uma mão cheia e já na próxima semana pode ostentar mais esse recorde.

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