Desporto

WRC: Sebastien Ogier é heptacampeão do Mundo e Hyundai bisa nos Construtores

Títulos da edição 2020 do Campeonato do Mundo de Ralis divididos entre Toyota e Hyundai: a formação de Tommi Makkinen reclamou o de pilotos com Ogier, a equipa de Andrea Adamo levou para casa a taça dos construtores.

O Mundial de Ralis chegou ao fim com a realização do Rali de Monza. Prova escolhida no último momento para compor um calendário amputado e compacto. Seriam oito provas, acabaram por ser sete depois do cancelamento do Rali de Ypres.

Recordamos que a temporada iniciou-se com o Rali de Monte Carlo. Onde Ott Tanak entrou com o pé esquerdo na primeira época com a Hyundai, mas foi um i20 WRC a vencer com Thierry Neuville. O Mundial seguiu para a Suécia, onde Elfyn Evans venceu pela primeira vez com o Toyota Yaris WRC. O “patrão” do Rali do México, truncado devido ao início do confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, venceu. Sebastien Ogier ganhou pela primeira vez com a Toyota.

Fecho de festa em Monza

Depois, uma longa pausa até ao regresso da competição com a estreia do Rali da Estónia no WRC, prova ganha pelo ídolo local, o estoniano Ott Tanak. Cauteloso e evitando as armadilhas do duro piso turco, Elfyn Evans ganhou na Turquia, capitalizando sobre o abandono de Ogier com o motor do Yaris fora de combate.

Dos vários ralis adiados ou cancelados, recuperou-se o Rali da Sardenha, A prova disputada na ilha mediterrânica, acabou por ser ganha por Dani Sordo. O espanhol, parado desde o Rali do México, regressou em grande ao volante do Hyundai i20 WRC.

Passando por cima do Rali de Ypres, cancelado, o mundial regressou a Itália e fez disputar uma prova em um dos mais famosos circuitos mundiais, a catedral da velocidade, o Autódromo Nazionale di Monza!

Rali de Monza muito duro

Condições atmosféricas terríveis, especiais desenhadas em redor do circuito e dentro do parque natural de Monza cheia de lama e esburacadas, foram o pano de fundo da prova. Que fez uma visita aos Alpes italianos, onde a neve, gelo e chuva tornaram miserável o terceiro dia de prova.

Foi nessa etapa que tudo ficou decidido. Elfyn Evans estava a fazer uma prova irrepreensível até que chegou a uma curva onde estava uma placa de gelo escondida pela neve que caia ferozmente na altura. Tinha assinalado o perigo nas notas. E como tinha sucedido até ali, Evans estava num nível superior ganhando mais de 9 segundos aos rivais.

O pião atirou o Toyota Yaris WRC dois metros para fora de estrada, numa valeta de onde não voltaria a sair até ao final do dia. Ficava enterrada na neve a oportunidade de Elfyn Evans ser o primeiro galês a sagrar-se Campeão do Mundo de Ralis, o terceiro britânico depois de Colin McRae (1995), um escocês, e Richard Burns (2001), um inglês.

Sebastien Ogier é campeão

Num ato de enorme desportivismo e que reflete a pessoa que é o piloto da Toyota, veio para a berma avisar Sebatian Ogier do perigo. O francês, mesmo reduzindo a velocidade, quase perdeu o controlo do Yaris.

Convirá lembrar que na secção matinal, já tinham abandonado por despiste violento, na mesma curva, Gus Greensmith (Ford Fiesta WRC) e Ole Christian Veiby. O inglês capotou e caiu na ravina, sendo seguro pelas árvores, o norueguês estreava-se ao volante do i20 WRC, destruindo, literalmente, o Hyundai.

A anulação da última classificativa disputada na montanha devido á muita neve e gelo, levou os pilotos de volta a Monza para a última especial do dia que não trouxe mexidas na classificação.

O derradeiro dia de prova oferecia um pequeno postigo de oportunidade para Elfyn Evans reclamar o título. Porém, o galês não estava em condições psicológicas, o troço da Power Stage estava uma desgraça. E quanto deixou o motor do carro desligar-se em dois ganchos, ficou claro que tudo não passava de uma miragem.

Ainda por cima, Takamoto Katsuta bateu Evans – surgiu no final apoquentado por ter feito aquilo que não era suposto – e Sebastien Ogier não cometeu o mais pequeno erro. Isto num troço onde o que era mais fácil era errar.

Destaque para o quarto lugar de Esapekka Lappi – que teve o seu momento de glória quando decidiu usar pneus de neve na lama dos troços de Monza e chegou a liderar a prova – e que anunciou, em direto, que não vai regressar à M-Sport em 2021. Teemu Suninen acabou o Mundial com o motor do Ford partido.

Thierry Neuville voltou a cometer demasiados erros. Primeiro saiu de estrada, sendo salvo por uma rede metálica, depois acertou numa barreira de cimento que delimitava as chicanes, partiu a suspensão e, num cruzamento, entrou devagar e deixou o motor “engolir” demasiada água. Nunca mais trabalhou e Neuville abandonou. De vez, pois Andrea Adamo, patrão da Hyundai Motorsport, não o deixou regressar á prova, castigando o belga por mais um erro.

Contas feitas, Sebastian Ogier e Julien Engrassia conquistaram o título de piloto e co-pilotos, a Hyundai ganhou o cetro de marcas.

Mads Osteberg ganha WRC2 e Jari Huttunen o WRC3

Mads Ostberg é campeão do Mundo do WRC2 – campeonato disputado com carro da categoria R5 apioados pelos construtores – depois de um rali onde alardeou a sua classe e talento. Mas também uma ansiedade que libertou no final com lágrimas que sublinharam a sua alegria pelo primeiro título mundial da carreira e o primeiro norueguês desde Petter Solberg a reclamar um título mundial.

Jari Huttunen (Hyundai 20 R5) ganhou no WRC3 (competição para os R5 privados) e Tom Kristensson (Ford Fiesta R2) foi campeão do Mundo Júnior, no último ano em que podia estar nesta competição. Um triunfo facilitado pelo despiste de Martin Sesks (destruiu o Fiesta) e de Sami Pajari e que o piloto sublinhou com um grito enorme dado em cima do tejadilho do Fiesta com lágrimas à mistura.

Cerrou-se o pano sobre a aziaga edição 2020 do Campeonato do Mundo de Ralis. Voltará a competição daqui a seis semanas com o Rali de Monte Carlo, num calendário que tem 12 provas e onde está incluído o Rali de Portugal, além das novidades Croácia e os regressos do Safari e do Japão.

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