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Ensaio Hyundai i10 1.0 MPI Comfort: o melhor do segmento?

Os carros não se medem aos palmos e apesar da fuga dos construtores de um segmento cada vez menos rentável, alguns mantêm-se firmes e oferecem carros cada vez melhores. O Hyundai i10 recebeu renovação e permite-se encarar cara a cara os seus rivais. A pergunta de um milhão de euros: será o melhor do segmento

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Confortável, equipamento, refinamento
  • Contra – Falta de ajuste em profundidade do volante, sistemas de manutenção na faixa de rodagem

Oferecer modelos do segmento B nos dias que correm não é fácil. Vender um carro por menos de 15 mil euros, significa quase vender ao preço de custo, porque desenvolver um citadino custa tanto como outro carro.

Arrumar tudo dentro de pouco espaço não é algo simples de fazer e nos dias que correm, a necessidade de instalar diversos sistemas de segurança e cumprir os requisitos de segurança, tornar nada rentáveis estes modelos. 

Claro que o refinamento, os materiais e o equipamento deveriam sofrer. Mas a exigência dos consumidores faz os construtores andarem no arame. E muitas fogem do segmento.

O i10 é um carro renovado que apesar da cada vez maior exigência em termos de emissões, num segmento onde hibridização ou motorização elétrica não fazem sentido em termos de custos, é um carro com muitos predicados. 

Como é o Hyundai 10

A Hyundai sabe que venderá muitos i10 (desde 2007 já escoou mais de um milhão de unidades) e tem em mãos informações que lhe dizem haver procura por este tipo de carros. 

Além disso, acredita que  que conseguirá manter a média de emissões da gama europeia abaixo das 95 gr/km de CO2 com a ajuda da gama eletrificada. Por isso, aqui está o i10, renovado.  

No que toca ao estilo, o i10 avançou, ganhou personalidade. Tem uma frente mais moderna sendo um carro totalmente novo. Até a plataforma é nova! O carro tem muito bom aspeto e confesso que de repente nem parece ser um citadino.

E como é o interior do i20?

O i10 é maior que o anterior modelo. Tem mais 40 mm entre eixos, mais 20 mm em largura, mas é mais baixo 20 mm. O que resulta daqui? Que pode levar três pessoas no banco traseiro – apertaditos, mas sem ser idiotamente desconfortável – e que tem um espaço apreciável na bagageira. 

São 252 litros com um duplo fundo que é algo interessante para esconder alguns itens. Se o condutor for muito grande, o espaço para as pernas reduz-se, mas bem menos do que esperava. 

A Hyundai decidiu reforçar a qualidade do habitáculo e a verdade é que o interior do i10 surpreende. As portas têm amplos porta objetos, o porta luvas tem um tamanho generoso e há uma pequena prateleira por cima que é mais útil do que parece. 

A consola central é, naturalmente, estreita, mas a Hyundai ainda desencantou espaço para que por baixo dos comandos da climatização possa arrumar o telemóvel, entrada USB e tomada de isqueiro. 

Apesar do aumento de qualidade, os plásticos não são excelentes e temos de perceber que não se pode ter lagosta ao preço de delícias do mar. Ainda assim, os plásticos mais duros resistem bem aos riscos e aos maus tratos

O painel de instrumentos fica muito bem enquadrado no habitáculo. Há, apenas, duas críticas: os bancos têm pouco apoio lateral e tem a base curta e o volante não tem regulação em profundidade. E esta é uma falha que não é muito admissível, pois para os de menor estatura será mesmo uma dificuldade.

E na condução como é o Hyundai i10?

Começo por dizer que o i10 é um carro lento. Não há forma de o dizer de outra maneira, pois 15,0 segundos dos 0-100 km/h é… pronto, lento. Felizmente já há uma versão N Line com 100 CV.

O Hyundai é um citadino puro e duro, ponto! É capaz de fugir ao casco urbano, mas sem grandes aventuras. Até porque explorando o tricilindrico, os consumos sobem bastante. 

Felizmente, a outra face da moeda é a agilidade em cidade, imparável e inigualável. Fica evidente que o chassis tem muito mais para dar. Por isso, lançado a velocidades mais proibitivas, consegue ser divertido, provando isso mesmo. Ágil dentro da cidade, muda de direção com admirável facilidade, devido ao baixo peso.

O motor com apenas 1 litro de cilindrada e sem sobrealimentação tem apenas 67 CV e isso acaba por pagar a fatura em termos de combustível. Com o carro carregado parece que voltamos ao passado e o i10 rem alguma dificuldade em manter um ritmo interessante, forçando o recurso á caixa. Assim, a média do ensaio ficou nos 6,9 l/100 km, tendo oscilado, consoante a utilização, entre os 5,7 e os 7,2 l/100 km. Ainda assim, perfeitamente razoável.

Quanto custa este i10? Está bem equipado?

O i10 custa 14.535 euros, mas se comprar o citadino da Hyundai através da campanha de financiamento do Cetelem, o carro fica-lhe por 12.860 euros. E se juntar a valorização do seu usado, o carro pode ficar perto dos 10 mil euros. Ou seja, a mim parece-me um belo negócio!

O nível de equipamento Comfort surge bem recheado. Do equipamento de série fazem parte o sistema de manutenção na faixa de rodagem, travagem autónoma de emergência, alerta de arranque da viatura à frente, sistema de informação de velocidade máxima, jantes de liga leve de 15 polegadas, cruise control, ecrã sensível ao toque de 8 polegadas e sistemas Apple CarPlay e Android Auto. 

No lado dos opcionais, apenas a pintura metalizada e a câmara de marcha atrás. Um pacote de equipamento muito interessante, até porque, claro, junta os vidros elétricos, fecho central de portas, enfim, uma dotação realmente muito completa.

O que eu penso do Hyundai i10?

Os citadinos não estão mortos e o i10 da Hyundai é prova disso. O anterior i10 já estava entre os melhores do segmento e o novo i10 continua no mesmo registo.

É verdade que não tem a qualidade absoluta dos alemães. Também é verdade que o motor 1.0 litros atmosférico é um calcanhar de Aquiles para o i10. 

Mas a nova plataforma mostra qualidades, o refinamento é bom face a muitos rivais e a facilidade de condução – exceção feita à inexplicável falta de regulação em profundidade do volante – entusiasma!!

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros em linha com injeção multiponto

Cilindrada (cm3): 998

Diâmetro x Curso (mm): 71 x 84

Taxa de Compressão: 11,0

Potência máxima (CV/rpm): 67/5500

Binário máximo (Nm/rpm): 96/3750

Transmissão: dianteira, caixa manual de 5 velcoidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr): discos ventilados/discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 15,0

Velocidade máxima (km/h): 156

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): nd / nd / 5,0

Emissões CO2 (gr/km): 115

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 3670/1680/1480

Distância entre eixos (mm): 2425

Largura de vias (fr/tr mm): 1467/1478

Peso (kg): 935

Capacidade da bagageira (l): 252

Deposito de combustível (l): 36

Pneus (fr/tr): 185/65 R14

Preço da versão base (Euros): 14.535

Preço da versão Ensaiada (Euros): 12.860 (com campanha)

 

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