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Akio Toyoda, CEO da Toyota, colocou o dedo na ferida elétrica

Já muita tinta correu depois das afirmações de Akio Toyoda sobre a mobilidade elétrica. Mas, será que o CEO da Toyota está a pisar terreno movediço?

Pode parecer estranho que o responsável máximo de um dos maiores construtores do mundo venha levantar fervura sobre um assunto que começa a ser aceite por todos, a mobilidade elétrica.

Mais estranho ainda quando a Toyota há dezenas de anos que investe forte na hibridização, sendo dos mais diligentes na busca de soluções para tornar o hidrogénio utilizável. 

Porém, temos de olhar para o passado. A Toyota sempre se mostrou resistente aos veículos elétricos e se manteve o fenómeno debaixo de olho, não lhe deu demasiada importância.

Alguns observadores diziam mesmo que a Toyota estava a atrasar-se irremediavelmente no advento da mobilidade elétrica. Obviamente estavam todos enganados e a casa japonesa não chegou onde chegou sendo apanhada de calças na mão!

Por isso, a Toyota tem tudo pronto para lançar uma avalancha de produtos elétricos. Mais! A Toyota está pronta para usar a sua poderosa máquina de pesquisa e desenvolvimento para o desenvolvimento da nova geração de baterias “solid state”. 

Baterias que serão mais densas, mais poderosas, mas mais pequenas e leves.

A Toyota já anunciou que brevemente vai mostrar um protótipo com essas baterias.

Por outro lado, a marca japonesa continua a liderar o pelotão do hidrogénio e acaba de apresentar a segunda geração do Mirai.

Mas, afinal, o que disse Akio Toyoda que fez derramar tanta tinta e rasgar tantas vestes?

Falando numa conferência da Associação de Construtores Japoneses de Automóveis (JAMA), da qual é presidente, Akio Toyoda, com a habitual clarividência, disse aquilo que muitos dizem em surdina.

Em primeiro lugar deixou claro que o Japão ficaria sem energia elétrica se todos os carros fossem 100% elétricos. Sendo isto verdade no Japão, um país moderno, industrializado e com uma rede energética desenvolvida, imaginemos o mesmo no Velho Continente ou em África ou até na América Latina!

O presidente da Toyota disse também que a construção da infraestrutura necessária para que, de repente, todos os carros sejam 100% elétricos e não haja problemas de abastecimento, poderá custar entre 135 e 358 mil milhões de dólares.

Mas Akio Toyoda disse mais! 

Apontou o dedo aos políticos e disse: “quando os políticos andam por aí a dizer ‘vamos acabar com os carros a gasolina e a gasóleo” percebem o que estão a dizer?! Sabem, por acaso, que os países e os construtores insistirem em acabar com os motores de combustão interna, a indústria automóvel colapsará?!”

Imparável, o líder da Toyota lembrou que países como o Japão produzem energia através da queima de carvão (como sucede em muitas regiões do Mundo) ou de gás natural. Ora, segundo Toyoda, “quantos mais veículos 100% elétricos forem produzidos, pior será a emissão de CO2!”

Ora, o que Akio Toyoda diz tem toda a razão de ser e, uma vez mais, os políticos começam a construir o futuro pelo telhado.

Em primeiro lugar, com a demonização dos diesel, os consumidores refugiaram-se nos modelos com motores a gasolina. Resultado? Aumento dramático do CO2! Reação dos políticos? Não… não admitiram o erro e então empurraram para a frente e impuseram regras mais restritas de emissões de CO2.

A União Europeia é a campeã da legislação contra o automóvel e contra as emissões de CO2. Empurrou todos os construtores para a mobilidade elétrica, alguns a gastarem verdadeiras fortunas para fazer carros que, sem o apoio estatal, ninguém quer comprar.

Claro que será inevitável a mudança, mas tenho a mesma ideia que Akyo Toyoda… andaram a exagerar e não fizeram bem as contas e a verdade é que os carros 100% elétricos não são 100% limpos. Nem perto disso!

E quando chegar a altura da reciclagem das baterias… vai ser um “Aí Jesus” e não haverá regulamentação que evite uma poluição crescente de materiais pesados, tão ou mais prejudiciais á saúde que os gases de escape.

Olhar para o transporte intercontinental, para a aviação e para a navegação marítima seria mais avisado, mas o automóvel estava ali á mão.

É um bocadinho como aquilo que sucedeu em Portugal com o PAN. O Partido Pessoas Animais e Natureza conseguiu, através do seu líder André Silva, algo inédito e que vai, claramente, em contramão com aquilo que se deseja.

Armado com um estudo que não leu, de informações desprovidas de fundamento científico, mas com sede de protagonismo, André Silva impôs que se penalizassem os híbridos. Todos! 

Uma estupidez sem sentido e que mostra como os políticos são como o Lucky Luke, mais rápidos que a própria sombra a disparar para manter o protagonismo. O tiro saiu pela culatra e apesar de ter sido confrontado com a idiotice que acabara de fazer, o líder do PAN assumiu ter tropeçado nos atacadores, mas manteve o mérito da medida para a defesa do ambiente. Enfim!