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Ensaio Toyota Supra GR 2.0: quando menos é mais…

Apesar da polémica sobre a base do Supra, continua a ser um carro delicioso que, como se esperava, recebeu mesmo o motor 2.0 litros da BMW. Ficou mais económico, mais barato e acessível. E o que é que se perdeu? Como suspeitava… pouco e aqui aplica-se a máxima “quando menos é mais”. Este ensaio ao Supra GR 2.0 explica tudo.

Rating: 4.5 out of 5.
  • A Favor – Comportamento, motor, performances
  • Contra – Banda sonora

Todos sabem que por baixo do manto do Supra tudo é feito pela BMW e esta versão com o motor 2.0 litros é exatamente igual. E não vale a pena acartar cinzas para a cabeça porque se não fosse assim, a Toyota iria perder anos a tentar compatibilizar a mecânica e a transmissão com o resto do carro.

Portanto, passando por cima disso, temos de olhar para o Supra como desportivo, despojado do motor de seis cilindros com 3.0 litros substituído por uma unidade BMW de 2.0 litros sobrealimentada.

Quais são, então, as diferenças?

Bom, em primeiro lugar, este é o primeiro Supra em 42 anos a ter um motor de quatro cilindros. Ohhhh! Não vale a pena abrir a boca de espanto porque as tradições são para cumprir até certo ponto.

A partir de certa altura há que seguir em frente e pesar o beneficio que rasgar uma tradição oferece.

Depois, se comprar o Supra GR 2.0, não haverá ninguém que lhe diga “ah… este é o 2 litros”. A verdadeira diferença está nas jantes que são de 19 polegadas, mas que revelam o mesmo músculo que as de 20 do Supra 3.0 litros. Até as saídas de escape, que são diferentes (menor diâmetro) passam despercebidas!

O nível de equipamento é, também, diferente, embora em Portugal as coisas ficam quase ela por ela.

E então como é a mecânica do Supra 2.0?

A Toyota escolheu o bloco 2.0 litros da BMW, o mmso que equipa o Z4 sDrive30i e o BMW 330i. Quer isto dizer que debita 258 CV e 400 Nm de binário. 

Não rasgue já as vestes! Sim, perde 82 CV e 100 Nm para o bloco 3.0 litros de seis cilindros. So what?

A caixa continua a ser a ZF automática com oito velocidades, pois a Toyota não oferece caixa manual no Supra.

Com este motor, o carro fica mais leve 125 quilogramas e a complexidade é, também, menor. Muita coisa eletrónica no motor de seis cilindros, passa a mecânica no 2.0 litros. Por exemplo, desaparece a suspensão ativa e o diferencial ativo, ficando a direção com assistência elétrica.

Depois, o bloco BMW é suave, equilibrado e dócil, sendo mais económico que o 3.0 litros. Diz a Toyota que o Supra 2.0 gasta em ciclo misto entre 5,9 e 6,3 litros, enquanto que o Supra 3.0 faz o mesmo exercício com um valor de 7 litros de gasolina por cada centena de quilómetros.

Quer isso dizer que o Supra anda menos?

Evidentemente que uma diferença de potência desta grandeza tem que mexer nas performances do carro. Porém, a mistura de peso inferior, menor complexidade e um motor com alma até Almeida, faz com que o Supra acelere dos 0-100 km/h em 5,2 segundos, menos de um segundo de diferença. 

No entanto, senti que a diferença era menor e por isso armado com um cronómetro tentei perceber se era assim mesmo. E a verdade é que numa análise empírica, o Supra 2.0 é capaz de acelerar dos 0-100 km/h em 4,9 segundos. Ou seja, bem mais perto do seis cilindros. A velocidade máxima é a mesma, ou seja, limitada aos 250 km/h.

E na condução, há muitas diferenças?

O Supra 3.0 é uma máquina surpreendente no que toca á aceleração e ao comportamento e com o diferencial autoblocante, é um regalo tentar controlar as escorregadelas da traseira com o acelerador.

É um carro que oferece uma confiança terrível, independentemente do trajeto, estando o limite no talento da peça entre o volante e o banco.

O que lhe posso dizer? Que o Supra 2.0 não perdeu nenhuma qualidade! Com uma suspensão muito bem afinada e um chassis excelente, o Supra manteve a diversão e com a manutenção da repartição do peso nos 50/50, o carro continua a mudar de direção com uma precisão impressionante, a controlar muito bem a massa.

Mesmo sem os amortecedores adaptativos, o Supra 2.0 absorve bem as irregularidades da estrada e consegue sem um carro, evidentemente, desconfortável, mas sem nos agredir.

E a verdade é que o Supra continua a permitir curvar a velocidades que são, habitualmente, para outros carros de patamares superiores.

Esta versão tem uma travagem inferior com discos mais pequenos e maxilas passam de quatro pistões para um simples pistão.

Não… o carro não perde capacidade de travagem. Nunca senti que precisasse de mais poder de travagem, nem sensação de fadiga depois de muito abuso. Nada!

O que é que eu penso do Supra 2.0?

Se lhe disser que o Supra 2.0 custa 66.000 euros e o Supra 3.0 fica por 81.005 euros, ou seja, uma diferença de 15.005 euros, o que me diria? O que lhe posso dizer, claramente, é que o Supra 2.0 litros é um dos melhores Supra de sempre e a diferença para o modelo mais potente não justifica esta diferença quase pornográfica de preços. Com um valor absolutamente justo, pode ter um coupé muito divertido, competente, mais económico e que perde muito pouco para o Supra 3.0.

Claro que o Supra GR 3.0 é mais explosivo, mas também exige mais do condutor. É claro que é mais rápido no arranque. Mas, confesso, tenho as minhas dúvidas que o Supra 3.0 seja capaz de fugir muito a um Supra 20 numa estrada de montanha com poucas retas. 

Para mim, este Supra é um dos melhores Toyota que já conduzir e, claramente, menos é muito mais! 

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha sobrealimentado

Cilindrada (cm3): 1998

Diâmetro x Curso (mm): 82 x 94,6

Taxa de Compressão: 10,2

Potência máxima (CV/rpm): 258

Binário máximo (Nm/rpm): 400

Transmissão: traseira, caixa automática de 8 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente McPherson/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 5,2

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumos misto (l/100 km): 5,9 – 6,3

Emissões CO2 (gr/km): 135 – 143

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4379/1854/1299

Distância entre eixos (mm): 2470

Largura de vias (fr/tr mm): 1594/1589

Peso (kg): 1395

Capacidade da bagageira (l): 290

Deposito de combustível (l): 52

Pneus (fr/tr): 255/40 ZR19/275/35 ZR 19

Preço da versão ensaiada (Euros): 66.000