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Luca de Meo aponta o caminho para revitalizar a Renault… e o Autoblogue conta-lhe tudo!

O dia D da Renault será 14 de janeiro de 2021, data em que o italiano Luca di Meo vai colocar em cima da mesa o plano de revitalização da casa francesa.

O que aí vem é poderoso e descrito como uma revolução. Por isso mesmo o plano chama-se “Renaulution”!

Um verdadeiro calhamaço explica, ponto por ponto, as principais ideias e os pilares onde assenta esta revolução que Luca de Meo vai implementar.

Deveria ter circulado apenas entre os executivos e os representantes dos colaboradores, mas os alemãs do “Automobilwoche” conseguiram deitar mão ao documento e divulgaram os pontos chave da “Renaulution”.

Redução de custos

A principal prioridade é reduzir custos. Não determinando o valor dessa redução, Luca de Meo quer evitar desenvolvimentos paralelos e investimento em tecnologias que não são para uso imediato ou de rentabilidade assegurada. 

Mesmo sem revelar cifras, sabe-se que a Renault, ainda antes da chegada do novo CEO, queria escovar 800 milhões de euros de custos e encurtar a força de trabalho em 1550 postos de trabalho.

Encolher a gama

O desejo de Luca de Meo é reduzir 30% a gama de produtos e de serviços da Renault. E dá como exemplo aquilo que Carlos Tavares fez na PSA assim que adquiriu a Opel: desfez-se dos gamas e modelos que não geravam lucro.

A ideia de Luca de Meo quer reduzir a gama sem perder vendas ou sequer cobertura do mercado. Uma quadratura do círculo que não se afigura fácil de conseguir. Porque o mercado já está habituado a encontrar gamas com produtos quase feitos á medida. E os rivais vão estar atentos e vão atacar os vazios deixados pela Renault.

Foco no segmento compacto

Para o novo CEO da Renault, o foco deve estar no segmento C, mais do que anteriormente. Segundo diz o documento interno da Renault, “o segmento C é o centro de gravidade da nossa oferta. Não tenho problemas em dizer que temos capacidade de conquistar 25 a 30% de aumento nos preços de vendas no segmento até 2025.”

Uma vez mais, Luca de Meo mostra ser conhecedor do trabalho de Carlos Tavares, pretendendo que os veículos vendidos pela Renault libertem mais margem de lucro sem aumentar o volume de produção. Ou seja, ganhar mais com menos ou, no limite, o mesmo volume de produção.

Um caminho radicalmente diferente do escolhido há anos por Carlos Ghosn, que privilegiava o maior volume de produção como forma de alcançar o sucesso e o lucro. Isto porque Ghosn acreditava que o maior volume era igual a maiores sinergias logo ofereceria uma posição mais competitiva. O que Carlos Tavares fez na PSA mostra exatamente o contrário e Luca de Meo quer o mesmo para a Renault.

Diminuição das ambições internacionais

Luca de Meo quer travar a expansão global da Renault. Segundo o documento, “a nossa expansão geográfica não produziu os resultados esperados.” Luca de Meo acrescenta que “num ambiente mundial altamente instável, mercados como a Eurásia ou a América Latina não ofereceram o retorno esperado.”

Apesar desta travagem na expansão, de Meo não quer abandonar o mercado chinês. Onde a Renault foi das últimas a chegar e ainda não alcançou um estatuto de destaque. Por isso, um dos objetivos é reinventar a presença da Renault na China, através de um novo modelo de negócio e de parcerias mais robustas e eficazes.

Inovação caseira

Segundo o documento da Renault, a empresa deve aumentar a sua capacidade de desenvolver tecnologia e deixar de estar dependente de fornecedores de tecnologia externos. De Meo refere que “temos de trazer de volta a criatividade e o conhecimento. Temos de deixar os engenheiros trabalhar ao invés de colocá-los a liderar projetos!”

O CEO da Renault quer desenhar um plano a 10 anos para reorganizar o departamento de pesquisa e desenvolvimento. Sobretudo, haver uma maior interligação entre a Renault e a Nissan para evitar desenvolvimentos paralelos e aumentar as sinergias e reduzir a dependência de fornecedores externos.

Novas áreas de negócios

Segundo Luca de Meo, a Renault deve cobrir todas as áreas dos serviços de mobilidade, não apenas a construção de veículos. E o CEO da casa francesa até definiu um objetivo específico. “A partir de 2026, teremos de ter 20 a 30% das nossas atividades em áreas que não têm nada a ver com o negócio tradicional da produção de automóveis” diz de Meo. Sendo ainda mais específico, Luca de Meo menciona as áreas onde espera aumento de atividade: tecnologia financeira, gestão de frotas, segurança cibernética, economia circular e desenvolvimento de alta tecnologia fora do mundo automóvel.

Robustecer a Aliança

Luca de Meo não quer enfraquecer ou sequer abandonar a Aliança com a Nissan e cm a Mitsubishi. Porém, para o italiano, todos os projetos em conjunto têm de ser “mais concretos e precisos.” Diz ele que há “projetos mágicos” em desenvolvimento, mas não abre o jogo sobre eles. 

Ainda sobre o assunto, Luca de Meo refere que “se separarmos os três membros da Aliança e cada um ficar sozinho, estaremos todos a caminho da segunda liga da indústria automóvel.” Por isso, acrescenta, “estou determinado em fazer tudo o que estiver ao meu alcance para assegurar o sucesso da Aliança Renault Nissan Mitsubishi!”