Desporto

Dakar 2021 – Etapa 1: Sainz brilha num dia onde favoritos perdem terreno

Carlos Sainz e Toby Price venceram a primeira etapa a “sério” do Dakar 2021, uma classificativa que não foi pera doce…

Os dois Mini JCW da X-Raid arregaçaram as mangas e com dois “velhotes” ao volante – Carlos Sainz tem 58 e Stephane Peterhansel tem 55 anos – ofereceram um espetáculo de condução.

O espanhol venceu a etapa com 25 segundos de vantagem para o francês, deixando Martin Prokop (Ford Ranger) a 3m18s. O Top 5 foi fechado com dois Buggy Century, de Mathieu Serradori e de Yasir Seaidan.

A Toyota Hilux de Giniel de Villiers ficou no 7º lugar a 8m59s de Sainz, o Hunter de Nani Roma foi 8º a 9m39s, seguindo-se Jakub Przygonski (Toyota Hilux) a 9m46s e, no 10º lugar, o vencedor do Prólogo, Nasser Al-Attiyah. O piloto da Toyota ficou a 12m34s de Sainz.

Ora, então o que é que se passou?

Para o piloto do Qatar, a etapa foi complicada e ao ceder 3 minutos em apenas 37 km, alguma coisa se passava com a Toyota Hilux. Os mais de 12 minutos provaram que o primeiro dia do Dakar foi nefasto para Al-Attiyah.

A estreia do BRX Hunter não está a ser feliz e se Nani Roma ficou dentro do Top 10 (mesmo assim perdendo quase 10 minutos), Sebastien Lobe começou com o pé esquerdo.

O francês, como sempre acompanhado pelo fiel Daniel Elena, furou três vezes e fez muitos quilómetros furado perdendo inesperados 24 minutos para Carlos Sainz.

Quem também não conheceu a felicidade foram Yazeed Al Rajhi (Toyota Hilux), Bernhard Tem Brinke (Toyota Hilux) e Orlando Terranova (Mini), que perderam mais de 20 minutos para o líder da especial.

Convirá dizer que a vitória de Sainz não foi fácil. Depois de um furo ontem no Prólogo, o espanhol voltou a conhecer dificuldades e perdeu três minutos na penúltima seção do percurso com mais um furo. Mas com classe, Carlos Sainz veio a fundo até final e ganhou a especial a Peterhansel. Convirá dizer que o francês também furou a 50 k do final do troço, ajudando assim Sainz a passar pelo 13 vezes vencedor do Dakar.

Portugueses sem sorte

Paulo Fiúza, depois da edição de 2020 feita ao lado de Peterhansel (e que não deve ter deixado saudades…), não foi feliz neste arranque de 2021 pois Vaidotas Zala, o piloto do Mini JCW onde o português faz de navegador, perdeu 44 minutos. Chegou ao final rebocado e com suspeitas de motor danificado depois de um acidente quando rodava dentro do Top 5.

Ricardo Porém perdeu 48m34s, ou seja, o piloto da Borgward não começou da melhor forma e parece que o Dakar 2021 começa a mostrar cara feia ao jovem piloto português.

Olhando para os portugueses, Joaquim Rodrigues (Hero) foi 23º na etapa, Rui Gonçalves (Sherco) foi 27º, Sebastien Buhler (Hero) ficou na 29º posição e Alexandre Azinhais (KTM) terminou no 64º lugar. Na geral, Rodrigues é 22º a 16m31s do líder, Gonçalves segue no 27º posto a 27m33s, Buhler é 29º com um atraso de 31m30s e Azinhais está no 63º lugar a 2h01m07s.

Ricky Brabec perde-se e Toby Price ganha fôlego

A corrida das motos conheceu um dia do sol para Toby Price (KTM) na busca da terceira vitória e levar de regresso ao primeiro lugar as KTM, muito nublado para Ricky Brabec.

O americano que devolveu a glória à Honda no Dakar tropeçou nos atacadores e em 37 km perdeu-se, à grande!, deixando na pista mais de 13 minutos. A confusão com os mapas e os GPS adensou-se. 

E enquanto Toby Price se encaminhou calmamente para mais uma vitória em etapas do Dakar, Brabec foi deixando minutos ao longo da especial e fechou a primeira especial no 24º lugar a preocupantes 17m04s.

A vitória do australiano da KTM não foi folgada – ganhou apenas 31 segundos a Kevin Benavides – e tem menos de 25 segundos de vantagem para o argentino.

O melhor das Husqvarna (irmãs das KTM) foi Xavier de Soultrait (ex-Yamaha), em sexto depois de falhar na navegação. Já o melhor das Yamaha foi Franco Caimi, enquanto a melhor Sherco ficou em 5º com Lorenzo Santolino.

Juan Barreda Bort (Honda) e Pablo Quintanilla (Husqvarna) entraram com o pé esquerdo e nesta primeira etapa “ofereceram” a Toby Price cerca de 15 minutos, deixando o australiano muito mais confortável.

Dizer que nos quad, Alexandre Giroud venceu sem muitas dificuldades, estando agora na frente da classificação com 3m32s sobre Giovanni Enrico. Pablo Copeti está no 3º lugar a 5m18s.

Nos “Lightweight Veihcle”, Cristina Herrero está na frente, depois da espanhola levar à vitória o seu OT3-01 à vitória na etapa, tendo agora 1m41s e vantagem sobre o Cam-Am de Reinaldo Varela e 2m05s para Austin Jones.

Lourenço Rosa levou o seu Can-Am ao 18º lugar na etapa, estando na mesma posição à geral  a 44m58s da líder da categoria.

Camiões… Kamaz “as usual”

Após o prólogo dominado pelo MAZ de Viazovich, os russos da Kamaz voltaram a impor os camiões que venceram 17 vezes o Dakar, com Dmitry Sotnikov a ganhar a etapa e a assumir a liderança da prova. Ales Loprais levou o Praga ao segundo lugar, ocupando igual posição à geral a 7m56s. O pódio é fechado com Anton Shibalov (Kamaz) a 8m07s de Sotnikov. Viazovich caiu para o 4º lugar.

Segunda etapa: Bisha a Wadi Ad-Dawasir

A segunda etapa une Bisha a Wadi Ad-Dawasir, com um percuro de 457 km contra o cronómetro e uma ligação de 228 km. Chegam as primeiras dunas. Durante 30 km serão a companhia dos pilotos. O amarelo dominará a paisagem, mas vão surgir as dunas… brancas. Uma longa zona de fora de pista vem complicar a vida dos pilotos até chegarem à zona final com pistas arenosas.