Clássicos

Conhece a história bizarra do Mercedes 190E City?

Apostamos que não conhecia este carro. Um Mercedes 190 curto à imagem do BMW Série 3 Compact, pensado para rivalizar com o VW Golf.

Nos anos 80, as leis eram diferentes, os estudos de mercado menos precisos e as ideias brotavam como cogumelos. A Mercedes sempre teve uma imagem ligada a veículos de qualidade superior, automóveis desejados por todos, mas só ao alcance de alguns.

Passados 40 anos, a Mercedes terá das gamas mais abrangentes e, sim, tem rivais para todos os modelos, exceção feita aos citadinos. Para isso está lá a smart…

É verdade que desde os anos 90 que o Classe A existe, mas foi apenas no novo milénio que o carro passou a ser um verdadeiro rival do todo poderoso líder do segmento, o VW Golf.

Voltemos aos anos 80 do século passado. Nessa altura, dada a aura da Mercedes, era quase um crime lesa pátria – e um aborrecimento para os senhores que gastavam balúrdios para ter um Classe C ou um Classe E ou até um Classe S – produzir um modelo médio rival do Golf.

Por isso mesmo, a Mercedes queria experimentar as suas ideias, mas não tocava no assunto. Empurrou tudo para as mãos de uma empresa de tuning chamada Schulz Tuning.

Nos corredores de decisão da Mercedes falava-se abertamente de um 190 sem traseira ou como lhe chamam os ingleses, um hatchback (livremente traduzido como carro de cinco portas ou carro com portão traseiro).

Porém, as vendas do tradicional 190 rolavam em bom ritmo (de tal ordem que foram vendidos quase 1,9 milhões de unidades do modelo) e a ideia foi esmorecendo nas mentes dos decisores da Daimler.

Mas o Eberhard Schulz, o criador da Schulz Tuning, não ficou feliz com a ideia de perder este negócio. Até porque, vá lá saber-se porquê, achava a ideia de um 190 curto brilhante.

Assim, decidiu ter o seu próprio W201 sem traseira! Nascia, assim, o 190E City (ou 190E Compakt) baseado num chassis do Mercedes 190E convencional. 

Ao qual a Schulz cortou a traseira logo atrás das portas traseiras, encaixando a traseira de uma carrinha Mercedes W124 (Classe E)!

A modificação permitia fazer versões de 3 e de 5 portas. E porque estávamos nos anos 80 e o tuning estava a “bombar”, Eberhard Schulz decidiu aplicar ao 190E City um seis cilindros em linha com 2.6 litros e 160 CV.

A Mercedes demarcou-se do projeto e sem apoio oficial, as conversões eram caras e ninguém queria pagar bastante mais por um carro que não era muito diferente de um VW Golf GTI.

Sabe-se que foram feitos quatro carros que não ostentavam a estrela de três pontas, pois a Mercedes não queria o seu nome associado ao 190E City.

Talvez tenha sido uma oportunidade perdida, pois apesar de ser feio e desequilibrado em termos estéticos, poderia o 190E City ter dominado entre os pequenos desportivos.

Não quis aproveitar, mas não ficam rancores, pois 40 anos depois, a Mercedes oferece um A 45 S AMG com mais de 400 CV, modo drift e performances de cortar a respiração. E, bem vistas as coisas, o 190E City era mesmo… feio!