Desporto

Dakar 2021 – Etapa 4: continua a dança de cadeiras nas motos, Peterhansel continua líder nos carros

A edição 2021 do Dakar saudita está a ser uma verdadeira dor de cabeça para os concorrentes, nomeadamente, os das motos. Hoje, nova reviravolta, patrocinada pela ordem de partida. Nos automóveis, Nasser Al-Attiyah continua “a fundo”!

O Dakar 2020 cumpriu a quarta etapa e assistiu a mais uma dança de cadeiras nas motos e a uma luta sem quartel para a vitória na etapa, embora na liderança continue o pêndulo francês, Stephane Peterhansel.

Carros: Al-Attiyah continua a recuperar

São três vitórias seguidas depois de um primeiro dia horrível para Nasser Al-Attiyah. Mas a vitória nesta quarta tirada não foi fácil, pois Henk Lategan, Carlos Sainz e Stephane Peterhansel deram muita luta ao longo dos 337 km que ligavam Wasi Ad-Dawasir à capital saudita, Riyadh.

Carlos Sainz, furioso com Lucas Cruz depois da valente perdidela de ontem que custou mais de 30 minutos – perderam um “way point” e tiveram de voltar atrás para o validar – atirou-se à especial com “ganas” e liderou durante bastante tempo a etapa. Henk Lategan – campeão sul africano de todo o terreno, cresceu no meio dos carros de competição, tem como ídolo Sebastien Loeb e cruzou-se com ele no Rali de Monte Carlo de 2009, que disputou com um Skoda Fabia – passou pela liderança, porém, a fundo, Nasser Al-Attiyah recuperou a liderança da tirada, mas com magro pecúlio face a Stephane Peterhansel, apenas 11 segundos, depois deste ter passado por Lategan no final da etapa.

Sainz, que começou com “ganas” esteve sempre perto de Al-Attiyah, mas na fase final perdeu gás e fechou o dia a 2m26s, ou seja, perdendo tempo para os seus rivais. 

Sem furos e sem problemas de navegação, Sebastien Loeb mostrou as qualidades do BRX Hunter feito pela Prodrive de David Richards e desenhado por Ian Callum, terminando no quarto lugar.

Infeliz esteve Matthieu Serradori. O piloto do Century perdeu mais de 25 minutos na etapa, dando valente trambolhão na geral. O melhor dos buggy Century foi Brian Baragwanath, mas ainda assim a 11m31s.

Contas feitas, Stephane Peterhansel (foto acima) manteve a primeira posição, mesmo que até agora ainda não tenha ganho uma única etapa. A consistência tem estado a dar frutos para o francês da X-Raid. O segundo lugar é para Nasser Al-Attiyah, a menos de 4 minutos, com Sainz em terceiro, mas já a 36m19. 

O terceiro classificado na geral no final do dia de ontem, Matthieu Serradori, caiu para 7º e está a 51m58s, na frente de Khaled Al Qassimi – ainda longe de dar tudo aquilo que o Peugeot 3008 DKR tem para oferecer- Martin Prokop (Ford) e de Nani Roma, que com o BRX Hunter está a 1h17,50s de Peterhansel.

Atrás de Sainz, está, agora, Sebastien Loeb (BRX Hunter), a 48m14s do líder, seguido de Henk Lategan (Toyota Hilux V8 GR) a 48m48s da liderança e Jakub Przygonski (Toyota Hilux V8 GR) a 49m16s do primeiro lugar.

Giniel de Villiers continua a desapontar com prestações medíocres como a da 4º etapa onde foi apenas 15º a 14m57s, estando na geral no 23º a 2h00m31s de Peterhansel.

Ricardo Porém (foto acima) cumpriu a etapa 4 no 39º lugar, perdendo em 337 km para Nasser Al Attiyah 34m17s. Segue no 32º lugar da geral, a 3h12m09s.

José Marques, com Gintas Petrus, segue no 41º lugar da geral a 4h31m18s. Já Filipe Palmeiro, navegador de Benediktas Vanagas, ocupa o 20º lugar da geral, a 1h55m37s, estando a pouco menos de 40 minutos do Top 10, um dos objetivos de Vanagas.

Nos SSV ou, como agora são conhecidos, Ligjhtweight Veihcle, vitória na etapa para Aron Domzala, seguido de Mitchell Guthrie e Michal Goczal.

Na liderança, apesar de um 5º lugar na geral, segue Francisco “Chaleco” Lopez, seguido de Aron Domzala, que encurtou a diferença para 3m18s e Austin Jones, a 7m11s.

O teenager Seth Quintero segue no 5º lugar da geral e o português Rui Carneiro, acompanhado por Filipe Serra, é 24º, depois de um excelente 7º lugar na etapa.

Camiões: vira o disco e… toca Kamaz!

Sotnikov (foto acima) parece que é o grande candidato da Kamaz a ser vencedor da edição 2021 do Dakar nos camiões. Venceu mais uma especial, com 10 segundos de vantagem para Andrey Karginov e 14s sobre Aliaksei Vishneuski, o protegido de Viazovich. 

O piloto da MAZ foi tocado pelo azar e ficou parado na pista com graves problemas mecânicos no seu MAZ, perdendo mais de 2 horas e dizendo adeus a uma boa classificação final.
Martin Macik levou o Iveco ao quarto lugar na tirada, fechando o Top 5 Anton Sjhibalov.

Contas feitas, Dimitry Sotnikov está na liderança, agora reforçada, face a Martin Macik (Iveco), a 26m22s e Anton Shibalov (Kamaz) a 26m57s. Os cinco melhores são completados com Airat Mardeev (Kamaz) e Ales Loprais (Praga), a 48m21s e 51m40s, respetivamente.

Motos: dança das cadeiras dá liderança a Xavier de Soltrait

A melhor descrição do que tem sido o Dakar 2021 para os pilotos das motos foi dada por Ricky Brabec. O americano diz que é um efeito “elástico, onde um dia estás na frente, no outro perdes tempo e no seguinte, voltas a ganhar”.

Ora, quarto dia de prova, quarto líder, no caso Xavier de Soultrait (foto acima) aos comandos de uma Husqvarna. O francês foi apenas 5º na etapa, mas a conjugação de resultados acabou por o colocar na cadeira do comando.

Juan Barreda Bort venceu pela segunda vez em 2021 e subiu ao segundo lugar a meros 15 segundos do francês, com Kevin Benavides a fechar o pódio da geral a 3m24s de Soultrait, depois de ter sido 14º na etapa.

Recordamos que ontem, Barreda Bort tinha sido apenas 30º e caído para o oitavo lugar da geral, entregando a cadeira da liderança quando acabou a música da tirada ao privado Skyer Howes.

O americano não foi feliz e perdeu 13m13s para Barreda, fechando a etapa no 20º lugar e caindo na geral para o 5º lugar a 4m26s do novo líder.

Inexplicavelmente, Ricky Brabec voltou a não estar competitivo e foi apenas 18º na tirada, perdendo mais 12m53s. Está fora do top 10, no 15º lugar a 16m21s de Soultrait.

Infeliz esteve, igualmente, Toby Price que não conseguiu melhor que o 22º lugar na tirada de hoje (à frente de Matthias Walkner, seu colega de equipa e agora aguadeiro de luxo) perdendo mãos 14m42s para Barreda Bort. Segurou um lugar entre os 10 melhores, sendo 8º a 7m47s de Xavier de Soultrait.

Destaques para as excelentes prestações nesta 4ª etapa para Ross Branch, o piloto do Botswana que encontrou um lugar na equipa oficial da Yamaha, segundo atrás de Bort perdendo 5m57s e para Daniel Sanders, australiano em estreia no Dakar (faz a sua segunda prova de etapas a sério com 26 anos, depois de uma ilustre carreira no Enduro) que terminou em 3º a 6m09s.

Joaquim Rodrigues, com a Hero oficial, reclamou um brilhante 6º lugar na etapa perdendo, apenas, 7m21s para Barreda Bort, estando, agora, num excelente 16º lugar à geral (imediatamente atrás de Ricky Brabec) a 19m36s do líder.

Entre os portugueses, nota triste para o abandono de Alexandre Azinhais com o motor da KTM partido na etapa de ontem. Sebastien Buhler (Hero) foi 24º na etapa e Rui Gonçalves (Sherco) não teve uma etapa feliz e terminou apenas no 42º lugar a 43m50s. Na geral, Buhler é 24º a 48m48s e Rui Gonçalves é 28º a 1h11m44s.

Nos quad, Manuel Andujar ganhou a etapa com 1m08s de vantagem para Nicolas Cavigliasso e 3m52s para Alexandre Giroud. Giovanni Enrico perdeu 15m22s para o vencedor. O americano nascido na Argentina, Pablo Copetti, esteve apagado e com alguns problemas acabou longe do vencedor, a mais de 43 minutos.

Contas feitas, Nicolas Cavigliasso lidera com curtos 9 segundos de vantagem para Alexandre Giroud e 7m33s para Giovanni Enrico. Manuel Andujar subiu a 4º com a vitória de hoje, mas segue a 22m07s do líder.