Desporto

Dakar 2021 – Etapa 7: Peterhansel reforça liderança e motos continuam em ebulição no dia em que morreu Hubert Auriol

Mais um dia de liderança, reforçada, mais um dia sem ganhar para Stephane Peterhansel, no dia em que há novo comandante nas motos (mais um!), um dia triste porque morreu Hubert Auriol.

Após um dia de descanso, normal para alguns, curto para a maioria, de muito trabalho para todos os mecânicos, o Dakar voltou ao “trabalho” com a sétima etapa a ligar Há’il e Sakari, com um percurso contra o cronómetro de 453 km.

Foi a primeira parte de dois dias de etapas Maratona, ou seja, no final desta sétima etapa e no início da oitava tirada, não haverá assistência externa. Pilotos, navegadores e equipas que estão inscritas na prova como veículos de assistência rápida podem ajudar na mecânica.

Carros: Al-Rajhi vence enquanto Peterhansel reforça liderança

Parecia que o 13 vezes vencedor do Dakar e recordista de vitórias em troços estava a caminho da 81 vitória em tiradas da grande prova criada por Thierry Sabine. Mas a mecânica decidiu o contrário.

Um triângulo de suspensão partido no Mini JCW Buggy entendeu partir e ”roubar” a vitória ao francês na parte final da prova. A vantagem adquirida por Peterhansel ao longo de mais de 300 km de especial fundiu-se como gelo ao sol e acabou por perder a tirada para Yazeed Al-Rajhi (foto acima). O saudita ofereceu à Overdrive a primeira vitória de 2021.

Apesar de vulnerável, Peterhansel não se deu por derrotado e na parte final, mais rolante, recuperou algum tempo e manteve-se no segundo lugar da geral ganhando 37 segundos a Carlos Sainz e dois minutos redondos a Nasser Al-Attiyah. 

O Qatari ainda recuperou alguma coisa no final, pois a dada altura estava já a mais de cinco segundos de Peterhansel. 

Nasser Al-Attiyah (Toyota Hilux V8)

Jakub Przygonski fechou o dia no quinto lugar atrás de Al-Attiyah, com o melhor dos Century G6 a ser o pilotado por Yasir Seaidan. O Top 10 da 7ª etapa foi completado com Cyril Despres (Peugeot 3008 DKR), Matthieu Serradori (Century), Vladimir Vasilyev (Mini CW 4×4) e Nani Roma (BRX Hunter).

Nesta top 10, destaque para uma etapa, finalmente, sem problemas para Cyril Despres, ao volante do Peugeot 3008 DKR. O piloto cinco vezes vencedor nas motos deu um ar da sua graça e ficou a 17m06s.

Sebastien Loeb continua muito azarado. Depois de muitos furos, erros de navegação de Daniel Elena, uma penalização que o deixou enfurecido e uma suspensão partida na etapa antes do dia de descanso que o deixou nove horas no deserto, o francês viu um rolamento partir no Hunter.

O nove vezes campeão do mundo de ralis voltou a perder muito tempo, numa etapa onde ao km 398 seguia no 10º lugar. O problema sucedido tão pero do final significa que terá de esperar pelo camião de assistência para tentar reparar o problema. Chegou ao final, perdendo mais 1h50m40s.

Martin Prokop (Ford) foi apenas 12º na etapa, enquanto Benediktas Vanagas e Filipe Palmeiro foram 17º na tirada de hoje.

Giniel de Villiers continua com um registo medíocre ao ser apenas 22º a 48m12s, enquanto o português Ricardo Porém, acompanhado por Jorge Monteiro levou o Borgward ao 24º lugar da especial a 49m30s.

Gintas Petrus, acompanhado por José Marques, foi 37º na especial a 1h24m17s.

Contas feitas, Sebastien Loeb é agora o 41º a 13h32m28s. Uma edição 2021 complicada para Loeb, especialmente olhando ao que Nani Roma vai fazendo com o mesmo BRX Hunter, 5º da geral a praticamente duas horas de Peterhansel.

Nani Roma (BRX Hunter)

Christien Lavielle conseguiu chegar ao Top 10 com o buggy Optimus feito por Antoine Morel, o grande objetivo para a pequena formação francesa.

Filipe Palmeiro e Benediktas Vanagas estão no 11º lugar a 20 minutos de Lavielle, Ricardo Porém está em, 23º a 5h27m42s e José Marques, na companhia de Gintas Petrus, segue no 33º lugar a 8h23m27s.

Lightweight Vehicle: “Chaleco” Lopez vence, mas Domzala permanece em 1º

Depois dos muitos problemas que roubaram a liderança a Francisco “Chaleco” Lopez, o dia de descanso fez bem ao chileno e ao Can Am da equipa South Racing. Regressou às vitórias em etapa, com uma exibição em força, “oferecendo” 10m30s ao líder da classificação geral, Aron Domzala, mais 10m45s a Seth Quintero e 19m21s a Aurtin Jones.

Destaque muito especial para mais um dia muito bom para Lourenço Rosa. Acompanhado por Joaquim Dias, levou o Can Am da South Racing até ao 10º lugar da geral da 7ª etapa. Rui Carneiro e Filipe Serra foram 23º da geral.

Na classificação geral, Aron Domzala segue na primeira posição com 8m41s de vantagem para Seth Quintero, que passou por Austin Jones, que ficou, assim, a 9m31s do líder e a 50 segundos de Quintero.

“Chaleco” Lopez ficou no 4º lugar a 25m21s, fechando o Top 5 o polaco Michal Goczal. 

Joaquim Rosa está no 12º lugar a 2h59m51s, mas a menos de 30 minutos do 11º (Khalifa Al-Attiyah) e a 55 minutos de Cristina Herrero num OT3, que está no 10º lugar.

Motos: Ricky Brabec regressa às vitórias e há (mais) um novo líder

O norte americano que ajoelhou a KTM após recordistas 18 anos a ganhar o Dakar, não tem estado muito feliz em 2021. Mas, finalmente, à sétima etapa, Ricky Brabec arrancou uma vitória em especiais.

O piloto da Honda começou calmo, mas foi incrementando o ritmo e passou por Toby Price, ficando na frente até ao final. Pelo caminho, Kevin Benavides passou pelo primeiro lugar, mas perdeu mais de uma dezena de minutos na parte final da etapa.

Descontando o Prólogo, foi a primeira vitória em etapa para Ricky Brabec. Mas quem mais ganhou foi o aguadeiro da Honda, Jose Cornejo.

O piloto chileno foi segundo na etapa a 2m07s do seu chefe de fila e vai dormir no “bivouac” de Sakaka no primeiro lugar da geral.

Skyler Howes, depois de ter passado pelo comando da prova, conheceu uma etapa com menos problemas e foi terceiro na etapa, na frente de Sam Sunderland e de Danuel Sanders, o estreante da KTM. O Top 10 foi encerado com Xavier De Soultrait (Husqvarna), Toby Price (KTM), Luciano Benavides e Franco Caimi (Yamaha).

Dentro do Top 10 ficou, uma vez mais, Joaquim Rodrigues (na foto acima). O melhor piloto da Hero está há vários dias a exibir uma impressionante consistência que lhe tem permitido ocupar um lugar dentro do Top 10 de cada etapa.

Juan Barreda Bort (Honda) perdeu 8m57s para o vencedor da tirada, Pablo Quintanilha (Husqvarna) perdeu 9m52 e Kevin Benavides mãos de 10 minutos. Pior para Ross Branch, a esperança da Yamaha para um bom resultado. Uma queda com apenas 31 km de especial, não provocou ferimentos no piloto, mas deixou a Yamaha em mau estado. Branch teve de reparar a moto e perdeu mais de 40 minutos, caindo para fora dos 10 primeiros da geral.

Contas feitas, Jose Cornejo (Honda) lidera com um 1 segundo (!) de vantagem para Toby Price (KTM) e 2m11s para Sam Sunderland (KTM). Xavier de Soultrait está na 4º posição a 2m34s, seguido de Kevon Benavides a 7m29s.

A fechar o Top 10 estão Joan Barreda Bort (Honda) a 10m18s, Skyler Howes (KTM), a 12m27s, Ricky Brabec (Honda) a 14m52s, Daniel Sanders (KTM) a 16m11s e Luciano Benavides (Husqvarna) a 17m07s.

Joaquim Rodrigues (Hero) é agora 16º classificado a 45m52s, Sebastian Buhler (Hero) segue em 21º a 1h58m20s (foi 23º na etapa) e Rui Gonçalves (Sherco) é 26º a 3h09m31s (foi 23º na etapa).

Nos Quad, Manuel Andujar venceu a etapa com 3m05s de vantagem para o chileno Italo Pedemonte e 8m51s para Alexandre Giroud. Giovanni Enrico perdeu 8m54s para Andujar e Pablo Copetti mais 21m03s.

Mas a grande notícia foram os problemas de embraiagem de Nicolas Cavigliasso (foto abaixo). Já estava a perder 11 minutos após 316 km e a menos de 100 km do final, a embraiagem cedeu, pediu ajuda a alguns concorrentes, mas acabou por chegar ao “bivouac” num reboque, acabando aqui as esperanças de ganhar o Dakar.

Ele que seguia com uma boa vantagem na frente da corrida. Agora é último e veremos se amanhã sai para a oitava etapa. Um enorme desapontamento para o argentino.

Assim, Manuel Andujar é agora o líder com 20m55s de vantagem para Alexandre Giroud e 25m55s para Giovanni Enrico. Os cinco primeiros fecham com Italo Pedemonte e Pablo Copetti, a 2h08m28s e 2h12m24s,

respetivamente, do líder.

Dmitry Sotnikov (Kamaz)

Camiões – Kamaz ne dayet sopernikam shansov

Não percebeu? A Kamaz não dá chances a ninguém e venceu mais uma etapa, com três camiões nos três primeiros lugares na etapa e seguem na mesma formação na classificação geral.

Dmitry Sotnikov será o escolhido para ganhar a prova e oferecer à Kamaz o 18º triunfo na prova, adicionando mais uma vitória em troços ao recorde da marca russa, agora com 163 sucessos, bem na frente da Tatra com 43.

Venceu a sétima etapa com 3m23s de vantagem para Airat Mardeev e 8m22s para Anton Shibalov. Fechou o Top 5 com Aliaksei Vishineuski (MAZ) e Andrey Karginov (Kamaz).

No final da 7ª etapa, Sotnikov lidera com 45m56s para Shibalov e 1h05m06s para Mardeev, todos em Kamaz. O quarto lugar é de Ales Loprais (Praga) a 1h21m47s, e no quinto posto segue Martin Macik (Iveco) a 1h42m01s.

8º Etapa – Sakaka – Neom – 375 km

A segunda parte da etapa maratona liga Sakaka a Neom, com uma ligação de 334 km e uma especial de 375 km. Os que tiverem sido cautelosos na primeira parte desta dupla etapa maratona, vão ser premiados. Primeiro porque vão ter as suas máquinas em forma para fazerem a fundo as zonas arenosas, embora com alguma atenção às pedras. A zona por onde passa esta etapa é belíssima e não criar problemas de maior à navegação ou às máquinas. Mas é preciso que estas estejam preservadas! O final é junto ao mar, num local belíssimo.