Desporto

Hubert Auriol, vencedor do Dakar em carros e motos, faleceu aos 68 anos

O homem que acabou uma etapa do Dakar com dois tornozelos partidos em cima da sua Cagiva não conseguiu resistir a um acidente cardiovascular e ao Covid-19, falecendo, hoje, aos 68 anos.

Segundo comunicado da família, Hubert Auriol, não resistiu a um acidente cardiovascular, depois de uma luta intensa há algum tempo com a Covid-19. Tinha 68 anos e um palmarés na competição assinalável.

Foi piloto e diretor de prova do Paris-Dakar e os seus sucessos e o profundo conhecimento de África colaram-lhe ao nome a alcunha de “O Africano”. Além disso, era um verdadeiro africano, pois nasceu em Adis Abeba, na Etiópia em 1952.

Ganhou o Paris-Dakar em 1981 e 1983 aos comandos de uma BMW R80 GS (motos que inspiraram uma gama da BMW Motorrad que, ainda hoje, é das mais bem-sucedidas da casa bávara), ganhou uma vez mais em 1992, mas com um automóvel, no caso um Mitsubhshi Pajero Evo. Foi o primeiro piloto a ganhar nas motos e nos carros.

Uma das imagens que ficam na lembrança de todos é a chegada da penúltima etapa do Paris Dakar de 1987, em lágrimas e com dores excruciantes, em cima da sua moto com os dois tornozelos partidos. 

Hubert Auriol (Cagiva) chega ao final da penúltima etapa com os dois tornozelos partidos, mas em cima da moto.

Uma queda e as graves lesões não o impediram de chegar ao final da etapa de uma prova que liderava. Mas que o forçaram a abandonar as provas de motos.

Tornou-se, em 1995, no responsável máximo do Dakar, posição que manteve até 2004. Foi sob a sua lidetança que a prova começou, pela primeira vez, fora de França – prova começou em Granada, Espanha, em 1995, 1996 e 1999 – e foi ele quem imaginou fazer a corrida ao contrário, ou seja, saindo de Dakar rumo a Paris (1997 e 2000).

Fez uma perninha na apresentação de “reallty shows” ao liderar o programa “Koh-Lanta” em 2001, na TF1.

Hubert Auriol, juntamente com Henri Pescarolo, Patrick Fourticq e Arthur Powell, ficou com o recorde da circunavegação do mundo num avião com motor, no caso, um Lockheed 18. Os quatro amigos fizeram juntos um voo que durou 88h49m sempre a voar. Isto em 1987, pouco tempo depois de ter partido os dois tornozelos no Paris-Dakar.

Hubert Auriol deixa três filhas (Jenna, Julie e Leslie), além de duas netas e a sua atual companheira Soumia Malinbaum.