Elétricos

Continental faz estudo de mobilidade e quanto ao desejo de ter um carro 100% elétrico… há surpresas!

Os estudos são como os narizes, todos temos um e usamo-lo como queremos. Este que aqui trazemos foi feito pela Continental e tem conclusões interessantes, embora não inesperadas.

Este “Continental Mobility Study 2020” foi feito por uma empresa que está fortemente envolvida na mobilidade elétrica. A Continental é alemã e dado o seu envolvimento, este estudo sobre a mobilidade e sobre os desejos dos consumidores, deveria ter um resultado sorridente para a mobilidade 100% elétrica.

Ainda por cima, a Continental está num país onde uma das potências industriais, o grupo VW, está a fazer um “all in” na mobilidade elétrica, prevendo gastar mais de 60 mil milhões de euros na próxima década.

Ora, de acordo com os resultados deste estudo, o entusiasmo pelos carros elétricos é forte na China, mas na Europa, nos EUA e em mercados chave comno Alemanha e França… é tudo bem diferente!

É verdade que a aceitação dos veículos 100% elétricos tem crescido de forma clara nos últimos anos. 

Porém, continuam a ser muitos os céticos que continuam a apontar a autonomia como a maior barreira à compra de um automóvel 100% elétrico. Outra crítica reside na escassa rede de carregamento. E agora, os resultados chocantes…

Na Alemanha, 59% dos consumidores não conseguem imaginar-se a comprar um carro 100% elétrico no futuro. Sim, leu bem… 59% dos alemães, esses defensores acérrimos dos ursos polares. 59% dos alemães não querem carros elétricos!

A Continental centrou-se nos mercados alemão, francês, norte americano, japonês e chinês. 

A maior reclamação dos inquiridos nestes mercados reside na falta de infra estrutura de carregamento face à rede disponivel de abastecimento de gasolina e gasóleo. 

Talvez por isso, a Continental e um dos membros do conselho de administração da empresa, Helmut Matechi, referiu que quanto melhor for a conectividade dos veículos elétricos, maior será a sua aceitação.

Os resultados dos outros mercados não deixam dúvidas. Em França, 57% dos consumidores gauleses não desejam comprar um carro elétrico.

Nos EUA, metade dos consumidores que desejam comprar carro (50%) não quer comorar um carro 100% elétrico. Ainda assim, são mais positivos face à mobilidade elétrica dos que alemães e franceses.

No Japão, as coisas são mais risonhas e são 46% os que não querem carros alimentados a baterias. Os chineses são os mais sensíveis e uma grande maioria aceita comprar um carro 100% elétrico.

Os argumentos contra a utilização de um carro elétrico mudam consoante o país. Na Alemanha o obstáculo está, essencialmente, na falta de uma rede capilar de estações de carregamento, e na falta de uma autonomia mais alargada.

Em França, a preocupação maior é o preço final dos veículos, relegando para segundo plano autonomia e falta de rede de carregamento.

Mas mais preocupante para os construtores é que na Alemanha, por exemplo, um terço das pessoas entrevistadas diz que comprar um carro elétrico “está fora dde questão!” Porquê? Porque entendem que a tecnologia não respeita, verdadeiramente, o ambiente. Esta é, exatamente, a mesma opinião de um quarto dos franceses.

Ainda assim, convirá dizer que a aceitação dos veículos 100% elétricos está a aumentar de forma evidente. No estudo, refere-se que desde 2013, esse crescimento anual é de 18% na Alemanha, 27% na China e 28% nos Estados Unidos. Em França avança de forma lenta – apenas 3% em 8 anos – e no Japão mais devagar ainda (1%).

Contas feitas, desde 2013 que a proporção de consumidores que admitem poder comprar um carro elétrico tem aumentado na maioria dos países, em alguns de forma significativa ou nem por isso.

Mas as reservas dos consumidores ainda são barreiras importantes: baixa disponibilidade de uma rede de carregamento, a curta autonomia, incapacidadede fazer viagens longas e, claro, o preço demasiado elevado quando comparados com carros identicos equipados com motor térmico.