Desporto

Dakar 2021 – Etapa 10: Peterhansel mantém comando dos carros, motos conhecem nova reviravolta

Novo dia na competição das motos e nova mudança de líder, enquanto nos automóveis nada mudou.

As classificações nos Carros, Camiões, Quad e Lightweight Vehicle está mais ou menos definida quando faltam duas etapas para o final da prova. Nas motos, volta a estar tudo em aberto! 

Carros: Yazeed Al-Rajhi esteve imparável, Peterhansel um dia mais perto da 14º vitória

Rápido, porém, inconsistente, Yazeed Al-Rajhi voltou a levar á vitória numa especial a Toyota Hilux V8 da Overdrive. O saudita não passou cartão a ninguém e voou, literalmente, para a vitória.

A dada altura da etapa, apenas o buggy Centuri de Yasir Seaidan deu-lhe luta, mas um problema mecânico ao km 285 imobilizou-o durante muito tempo.

Entretanto, a luta entre Peterhansel e Al-Attiyah mantinha-se quilómetro atrás de quilómetro, com vantagem para o Mini JCW Buggy.

Mas Al-Attiyah não desiste e não sendo apoquentado pelos furos – a Toyota já sofreu 48 furos nos três carros oficiais que ainda estão em prova! – conseguiu passar por Peterhansel e chegar á meta na frente do seu amigo/rival. 

Mas o qatari ganhou apenas 49 segundos, quase nada face aos mais de 17 minutos de atraso na geral.

Carlos Sainz foi o quarto mais rápido na tirada, perdendo 4m12s para Al-Rajhi. Ainda assim, uma bela recuperação do espanhol que chegou a estar a mais de seis minutos de Al-Rajhi.

Com um quinto e um sétimo lugares, Jakub Przygonski e Vladimir Vasilyev, respetivamente, consolidaram as suas posições na geral (4º e 7º, respetivamente) o mesmo fazendo Nani Roma, no 5º posto com 23 minutos de vantagem para Khalid Al-Qassimi, o sexto classificado.

O Top 10 é fechado com Martin Prokop (Ford) e Christian Laviellie com o Optimus buggy.

Filipe Palmeiro, com Benediktas Vanagas ao volante da Toyota Hilux V8, fechou a etapa no 12º lugar e subiu a 11º ao ganhar bastante tempo a Cyril Despres, passando pelo francês. O lugar no Top 10 está a menos de 7 minutos.

Ricardo Porém foi apenas 37º na etapa de hoje, perdendo 34m31 segundos, tendo caiu do Top 20 para o 21º lugar a 6h47m13s e a menos de 4 minutos do 20º posto ocupado por Dominique Housieux (Optmus Buggy).

Gintas Petrus e José Marques ficaram no 39º lugar da etapa e seguem no 31º lugar da geral a 10h48m10s.

Nos Lightweight Vehicle, a etapa foi ganha por Sergei Kiriakin, com Austin Jones a fazer uma excelente tirada ficando em 2º a 29s do russo. “Chaleco” Lopez realizou, apenas, o 6º tempo, na frente de um regressado Kris Meeke, finalmente sem problemas no seu “aranhiço”. Aron Domzala foi, apenas, 11º classificado na etapa.

O tempo perdido por “Chaleco” Lopez para Austin Jones, encolheu a vantagem do chileno para o norte americano, cifrada, agora, nos 10m13s. Domzala está já a 42m41s.

Lourenço Rosa e Joaquim Dias foram 17ºs na tirada a 13m23s do vencedor da etapa, enquanto Rui Carneiro e Filipe Serra terminaram a especial no 19º lugar a 17m05s.

Na geral, Rosa subiu ao 11º lugar, mas perdeu bastante tempo para Khalid Al-Attiyah na luta por um lugar no Top 10. Ontem estava a pouco mais de 3 minutos, hoje está a pouco menos de 15 minutos. Rui Carneiro segue no 27º lugar a 10h19m54s do líder.

Kevin Benavides (Honda)

Motos: Cornejo cai e abandona, Benavides lidera

O Dakar é sempre o Dakar! Seja em África, seja na América Latina ou na península arábica e o dia de hoje foi a melhor prova disso. 

Jose Ignacio Cornejo (Honda) deitou-se ontem na liderança da prova com majorada vantagem para os seus adversários. Os mais de 11 minutos pareciam robustos e a três especiais do final da prova, antevia-se uma vitória sul americana.

O chileno largou para a etapa entre Neom e Al-Ula num total de 342 km disputados contra o cronómetro, com bom ritmo e com 204 km realizados, tinha perdido apenas 1 minutos para Brabec e Benavides.

Tudo se precipitou ao km 252: Jose Ignacio Cornejo deu valente trambolhão com a sua Honda. Mas com enorme espírito de sacrifício, recompôs-se, pegou na moto e chegou ao final da etapa. Perdeu quase 18 minutos para o líder da especial, mas demandou a linha de chegada.

Mas a pancada foi muito violenta e, de acordo com informações dadas pela família, o piloto não estava a sentir-se bem após a chegada, pois bateu de forma violenta com a cabeça na queda. Perante examinação local, os médicos, imediatamente, evacuaram o piloto para o hospital. 

Jose Ignacio Cornejo ainda aparece na classificação da geral após a 10º etapa, mas o abandono do piloto da Honda está confirmado.

Kevin Benavides e Ricky Brabec entretiveram-se na luta pela vitória na etapa, numa demonstração de força da Honda face á KTM, incapaz de responder depois de perder Toby Price e perceber que Daniel Sanders ainda está verde e Sam Sunderland não está com o ritmo certo.

Ricky Brabec (Honda)

Contas feitas, o vencedor do Dakar de 2020 ganhou a especial com 3m15s de vantagem para Joan Barreda Bort e 5m11s para Kevin Benavides, ou seja, 1-2-3 para a Honda na etapa.

O melhor da KTM foi o privado Skyler Howes, na frente de Matthias Walkner e de Daniel Sanders. Atrás do trio de motos da KTM ficou o melhor Yamaha, Adrian van Beveren. Sam Sunderland ficou no 8º lugar já a 12m37s, tendo Lorenzo Santolino levado a Sherco ao 9º lugar, na frente do português Joaquim Rodrigues.

O piloto da Hero voltou ao seu ritmo, depois da etapa de ontem ter sido excruciante para o cunhado de Paulo Gonçalves. Um ano passou desde a morte do Speedy e Rodrigues teve muitas dificuldades em cumprir a etapa, com muita emoção antes, durante depois da tirada.

Hoje, recomposto, voltou a fazer um Top 10, estando no 12º lugar da geral, agora mais longe de Adrien van Beveren e Stefan Svitko, 10º e 11º, respetivamente, mesmo que hoje tenha ganho algum tempo a Svitko.

Rui Gonçalves (Sherco)

Rui Gonçalves (Sherco) foi 20º na tirada de hoje, enquanto Sebastian Buhler foi o 22º.

Contas feitas à 10ª etapa, temos novo líder com Kevin Benavides (Honda) a assumir o primeiro lugar com 51 segundos de vantagem para Ricky Brabec (Honda).

O norte americano andou acima e abaixo como um elástico durante a primeira metade da prova de 2021, mas agora parece ter encontrado o ritmo certo e com todas as mudanças que aconteceram até agora, volta a ser candidato a renovar a vitória de 2020. 

Na classificação geral, Jose Cornejo aparece em 3º da geral a 1m07s, porém, o chileno não vai estar à partida da especial de amanhã, pelo que será Sam Sunderland a ocupar o degrau mais baixo do pódio a 10m36s. 

É o britânico que impede um pódio todo Honda, colocando a sua KTM oficial na frente da CRF 450 Rally de Joan Barreda Bort, a 15m40s de Benavides.

O Top 10 é completado com Skyler Howes (KTM) a 29m38s, Daniel Sanders (KTM) a 30m55s, Lorenzo Santolino (Sherco) a 40m41s, Pablo Quintanilha (Husqvarna), a 1h04m02s e Adrien van Beveren (Yamaha) a 1h12m22s.

Como referimos, Jorge Rodrigues (Hero) segue no 12º lugar a 1h47m52s, Sebastian Buhler (Hero) é 17º a 3h30m08s e Rui Gonçalves (Sherco) tem ultrapassado todas as dificuldades da estreia no Dakar – incluindo uma dolorosa queda – e segue em 22º a 6h00m53s.

Quanto a Toby Price, o australiano está bem, mas partiu a clavícula, ou seja, partiu um osso pela 30º vez (segundo o piloto!) e tem ferimentos alargados no ombro e braço esquerdos, além do punho. Não se confirmaram as fraturas nos pulsos, mas Price referiu, as lesões vão obrigar a cirurgia nos próximos dias. Agradeceu a Sam Sunderland e a Ricky Brabec por terem parado para o ajudar, dizendo que não se lembra de nada do acidente. “Estava no mundo das fantasia” disse o piloto.

Ricky Brabec, o primeiro a chegar perto do australiano, referiu que “o Toby bateu muito forte com o lado esquerdo do corpo e não sabia onde estava, pelo que era impensável deixá-lo sozinho.”

Brabec não esqueceu Paulo Gonçalves. “Perguntou-me umas sete vezes onde estava e quem eu era, Abracei.me a ele e esperei pelo helicóptero. O que fazemos é perigoso  e temos de pensar que cada vez que vestimos o fato, a queda pode acontecer. Há exatamente um ano perdemos um grande amigo, o Paulo Gonçalves e hoje o Toby (Price) caiu e ficou fora da prova. Mas ele ficará bem, felizmente!”

Nos Quad, foi dia do americano nascido na Argentina ganhar uma especial, a segunda vitória de 2021 para Pablo Copetti. Italo Pedemonte tentou evitar o sucesso de Copetti, mas o piloto da equipa de Giovanni Enrico não conseguiu fazer melhor que ficar a 20 segundos do americano.

Alexandre Giroud (Yamaha)

O líder da classificação cedeu 2m45s, mas Manuel Andujar não colocou em causa o primeiro lugar da geral entre as motos de quatro rodas. Alexandre Giroud perdeu tempo para Andujar com o 4º tempo na tirada de hoje.

Assim, Andujar tem, agora, 21 minutos de avanço para Giroud e 27m04s para Giovanni Enrico. A vitória de Copetti permitiu-lhe consolidar o 4º lugar da geral, com Italo Pedemonte em 5º, agora a pouco mais de 8 minutos do americano.

Martin Macik (Iveco)

Camiões: Kamaz domina apesar de perder etapa

É verdade que Martin macik venceu com o Iveco a etapa de hoje, mas Sotmnikov concedeu, apenas, 1m40s e Mardeev ficou a 3m16s. Vishneuski levou o MAZ ao 4º lugar da tirada e Karginov fechou o Top 5.

Na classificação geral, Sotnikov tem 47m22s de vantagem para Shibalov e 1h14m41s para Mardeev. O melhor dos “outros” é Ales Loprais, com o Praga a 1h35m35s de Sotnikov. Fecha o Top 5 o Iveco de Martin Macik a 1h47m29s.

Etapa 11 – Al-Ula – Yanbu

Já a caminho do final da prova, temos a etapa 11 que liga Al-Ula a Yanbu. A ligação tem apenas 46 km, já o troço é longo com 511 km. É a especial mais longa da prova e será decisiva na escolha dos vencedores. Regressam as dunas, duras e complicadas, que vão separar os mais capazes dos restantes. Os concorrentes que ainda estiverem em prova vão chegar a um verdadeiro mar de areia com um comprimento de quase 100 km, onde as diferenças podem ser… enormes!