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Comparativo Kia Ceed PHEV vs Renault Megane PHEV: familiares ligados á corrente

Duas carrinhas diferentes, com sistemas híbridos com bateria recarregável díspares, mas filosofias semelhantes são o conteúdo deste comparativo Autoblogue. Face a face estão Kia Ceed SW 1.6 GDi PHEV e Renault Megane E-Tech Grandtur: Quem ganha? 

Kia Ceed

Rating: 6.5 out of 10.

A Favor – Maior autonomia elétrica; Bagageira

Contra – Afinação da caixa, Performances

Renault Megane

Rating: 7 out of 10.

A Favor – Performance, Conforto, Refinamento

Contra – Direção, visibilidade traseira, consumo elétrico

O crescimento das versões híbridas Plug-In justifica este comparativo entre um dos carros mais vendidos em Portugal e um dos rivais mais importantes, sendo dos primeiros a oferecer esta motorização.

A Renault seguiu o seu próprio caminho com o sistema E-Tech que, sem sombra de dúvidas, é inovador e muito interessante.

A Kia optou pela vereda tradicional com uma caixa de dupla embraiagem afinada para a função que lhe é incumbida. Este comparativo não tem como objetivo dizer-lhe se o Megane é melhor que o Ceed, mas sim dizer-lhe se o Megane E-Tech é melhor que Ceed PHEV.

QUAL É A MAIS BONITA?

É um caso de gosto pessoal. O estilo do Megane Grandtourer é mais cosmopolita, mais musculado e nesta versão RS Line, isso é perfeitamente reforçado. O Ceed SW é mais convencional e com rodas mais pequenas perde alguma sedução. Mas, no final, é tudo uma questão de gosto e, confesso, que gosto das duas. Embora, a versão RS Line me faça, neste caso, pender para o lado da carrinha francesa.

INTERIOR DE QUALIDADE E CONFORTÁVEL

Ambos os interiores têm acesso mãos livres, ou seja, não precisa de usar a chave. A Renault oferece a possibilidade de fecho e abertura de portas sem sequer toca no carro. Basta afastar-se ou aproximar-se que as trancas abrem e o acesso é imediato. Ambos se colocam em funcionamento com um botão.

No que toca á qualidade, fazem jogo igual e num patamar já evoluído que pede meças a modelos de outros segmentos. É verdade que em ambos encontramos plásticos duros, mas em zonas onde dificilmente alguém terá acesso ou se preocupará em olhar.

Outro campo o de os dois modelos estão paralelos é na posição de condução, com boas regulações e conforto suficiente ao volante.

Os bancos são confortáveis e a diferença entre os dois está no refinamento, um pouco melhor no Megane Grandtourer. Melhor no isolamento, na insonorização e no ambiente mais acolhedor face a um Ceed SW mais pragmático e mais frio.

Olhando à habitabilidade, há um nadinha mais de espaço em largura no Kia que no Renault, contrapondo o Megane Grandtourer mais espaço para as pernas face ao Ceed SW. Ambos acolhem bem os passageiros e até nos equipamentos, a toada é de parada e resposta: pode comprar massajador para os bancos dianteiros na Renault, que no Kia não há, mas este oferece como opcional o aquecimento do banco traseiro que o Megane não tem. Para ficar a conhecer o equipamento completo, o melhor será visitar os sítios de internet de ambas as marcas, muito fáceis de consultar e fazer a sua simulação.

Da bagageira, falamos em outro local, apenas dizer que o Kia tem um maior comprimento de carga (1,06m contra 95 cm do Megane) e o acesso da bagageiro está apenas a 60 cm do chão, têm ambos uma tomada de 12 volts e chapeleiras com enrolador automático. A do Megane é um nadinha mais prática, pois basta um toque para que esta enrole automaticamente, como automaticamente fica presa quando a puxamos. Há outra vantagem o Megane Grandtourer: pode rebater totalmente as costas do banco dianteiro para que possa levar objetos até 2,77 metros de comprimento. Estranhamente, apenas o Kia Ceed SW pode ter bagageira de abertura automática.

Qual é a melhor bagageira? Numa carrinha, o volume da bagageira é, evidentemente, importante. E, já se sabe, sendo carros que nasceram para uma utilização convencional, adicionar uma bateria e controladores roubam espaço em algum lado. Ora, olhando aos dois carros, a Ceed é que perde mais espaço, 188 litros. A Megane perde “apenas” 132 litros. Apesar disso, a Kia Ceed PHEV tem a maior mala do comparativo porque o comprimento do compartimento de carga é maior. A carrinha Ceed também tem a particularidade de rebater o banco traseiro em três partes. Por outro lado, a carrinha Megane tem comandos para rebater o banco na bagageira e na configuração de dois lugares, ou seja, com o banco totalmente rebatido, o plano de carga fica mais plano que no Ceed.

O estilo do interior tem a mesma avaliação que o exterior: o do Megane mais técnico e acolhedor, o do Ceed mais austero.

Depois há a parte tecnológica. O Megane pode ter vários ecrãs para o sistema de info entretenimento (7 e 9,2 polegadas), colocados verticalmente, no Ceed SW o ecrã é maior com 10,25 polegadas e colocado horizontalmente.

Mas a definição é melhor no Renault. Ambos precisam de algum tempo para nos habituarmos as funções e funcionamento dos menus. O painel de instrumentos é digital, com o do Megane a poder ser personalizado.

Curiosamente, o Kia tem mais equipamento de ajuda á condução oferecido de série: o Kia tem travagem autónoma de emergência, detetor de fadiga e alerta para a transposição de faixa de série, o Renault são opcionais.

MECÂNICA SEMELHANTE, RESUTADOS DIFERENTES

Ambos os construtores utilizam um motor atmosférico com ciclo Atkinson com um (Kia) ou dois (Renault) motores elétricos. O bloco coreano tem injeção direta, o japonês (oriundo da Nissan) colocado no francês tem indireta.

Porém, o propulsor do Megane tem mais 20 CV que o do Ceed, estando aqui a chave para que o Renault exiba melhores performances em modo híbrido.

O sistema E-Tech

Poderíamos espalhar aqui centenas de informações técnicas sobre o sistema, mas para que perceba a diferença do sistema da Renault, vamos explicar-lhe de forma sucinta. O sistema híbrido com carregamento exterior tem o mesmo fundamento, ou seja, utiliza um motor de combustão interna como base, auxiliado por um motor elétrico capaz de mover o carro sem a ajuda do bloco a gasolina ou a gasóleo, alimentado por uma bateria recarregável externamente. O sistema E-Tech parte dai, mas depois tem várias inovações. A que salta mais à vista é a caixa de velocidades que não tem sincronizadores nem embraiagem, mas dois motores elétricos. 

Um, maior, capaz de movimentar o veículo sozinho (especialmente nos arranques, feitos sempre em modo elétrico e permitindo a ausência de embraiagem) e um mais pequeno que tem como função ser motor de arranque e gerador, que vai em auxílio do sistema quando a aceleração é mais vigorosa. Mas este motor tem outra função: assegura a sincronização das mudanças da caixa que, na essência, parece uma caixa de competição sem sincronização convencional. 

Confuso? Pode parecer, mas acaba por ser simples ao colocar num motor elétrico a função de sincronização das 4 velocidades, e outro a função da embraiagem. 

E a verdade é que o sistema funciona muito bem e é agradável na utilização, com alguns soluços aqui e além da caixa de velocidades. Que por via da sua especificidade, não pode ter controlo manual. Quer dizer, ainda não tem.

Curiosamente, em utilização, o motor mais antigo é mais refinado em utilização, particularmente em modo híbrido. Razões para isso? O sistema E-Tech é mais suave e até a caixa mostra-se mais interessante de utilizar.

No modo 100% elétrico, o Megane Grandtourer também se superioriza ao Ceed SW, pelo facto de haver menos passagens de caixa (a da Renault tem 4 marchas, a do Kia tem 6), essas são muito mais suaves no Renault que no Kia (em aceleração há sempre um pequeno soluço). 

Além disso, o sistema da Kia utiliza as seis mudanças em aceleração enquanto o Renault passa pelo modo elétrico na 1º e na 3º velocidade e acelera sem hesitações graças á ajuda do segundo motor elétrico. A retoma de velocidade também é melhor, pois o software da caixa do Kia Ceed SW mantém a caixa nas relações superiores e leva muito tempo a reduzir para melhorar a retoma de aceleração. 

Já agora, em modo 100% elétrico, o Megane é mais agradável que o Kia, embora o Ceed seja mais arisco na aceleração.

HÁ DIFERENÇAS NO CHASSIS?

O peso é o maior inimigo dos carros elétricos e híbridos Plug In e amiudes vezes as marcas têm de mudar alguma coisa para lidar com o problema.

A Renault trocou o eixo de torção habitual do Megane por um conjunto independente multibraços. Exatamente o mesmo arranjo que tem o Ceed SW. Nenhum tem amortecimento pilotado.

Uma vez mais, o Megane mostra-se mais refinado e mais suave no trato que o Ceed (apesar das jantes maiores), mas o Kia é mais dinâmico, tem uma direção mais direta e muda de direção com mais á vontade. A maior dureza cobra fatura no conforto, mas oferece um maior controlo do movimento da carroçaria.

Ao volante, o Ceed SW é mais ligeiro e essa sensação tem uma razão simples: o Kia é mais leve massivos 150 kg que o Megane Grandtourer.

Apesar destas diferenças, o maior refinamento do Renault acaba por levar a melhor até porque uma carrinha é um carro de família e não um carro de corridas. Por isso mesmo, prefiro a relação comportamento/conforto do modelo francês. Até porque o comportamento do Megane Grandtourer é mais que suficiente.

Detalhe para quem use caravanas ou reboques: o Megane Grandtourer só consegue rebocar 750 kgs, enquanto o Ceed SW faz bem melhor com 1300 kgs.

E AFINAL, COMO É A QUESTÃO DOS CONSUMOS?

Em primeiro lugar, tenho de lhe dizer que se optar por um carro híbrido Plug In terá de carregar a bateria e não andar sempre em modo híbrido simples. Porque se não for assim, nunca retirará vantagem do sistema híbrido.

Dito isto, os sistemas híbridos dos dois modelos nunca descarregam, totalmente, a bateria e quando esta chega aos 12% de carga, o sistema passa a híbrido comum e não oferece autonomia 100% elétrica. Vai recarregando com a regeneração da energia da travagem ou da desaceleração (o Renault tem modo B que aumenta essa regeneração) e oferecendo energia ao sistema para os arranques e algumas situações em andamento, especialmente no mais complexo sistema do Renault.

Ora, em modo 100% elétrico, o Kia é mais económico e consegue 47 quilómetros de autonomia. O Renault, talvez pelo sistema que utiliza, é mais gastador e só chegou aos 41 quilómetros.

Ainda assim, se o seu trajeto pendular diário – casa-trabalho-casa – ronda os 40 km, não vai gastar uma gota de gasolina e basta colocar o carro à carga durante a noite. Dura 4h30m para o Kia e 5 horas para o Renault, embora num carregador 3,5 kW, esses tempos reduzem-se para, respetivamente, 2h15m e 2h40m.

Os consumos quando a bateria está exaurida, são comedidos e com 5,4 l/100 km para o Ceed e 5,1 l/100 km para o Megane – usando o sistema híbrido com bateria carregada os consumos rondam os 3 l/100 km – o que os deixa ao nível dos Kia Ceed e Renault Megane a gasóleo. Em autoestrada, a conversa é diferente e sem bateria, os consumos sobre para perto dos 7,2 l/100 km. 

VEREDICTO

RENAULT MEGANE E-TECH – A vitória da inovação

A diferença, confesso, é muito curta, mas o Megane Grandtourer é melhor que o Ceed SW. O sistema híbrido é mais avançado, a modularidade interior é melhor, o carro francês é um pouco mais refinado, logo, mais confortável. Tem, também, melhor desempenho em termos de performances. O Kia tem uma autonomia em modo 100% elétrico maior que a do Renault – 47 km contra 41 km – faz jogo igual em termos de qualidade apercebida e real, na habitabilidade e me outros aspetos como a posição de condução. O carro coreano tem uma bagageira maior, mas o Megane Grandtourer tem melhor modularidade. Com promoções, a Renault consegue um melhor preço, mas para ter o equipamento da versão ensaiada (RS LIne) o preço encosta-se aos 40 mil euros. 

FICHA TÉCNICA

Kia Ceed SW 1.6 GDi PHEV

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta; Cilindrada (cm3) 1580; Potência máxima (cv/rpm) 105/5700; Binário máximo (Nm/rpm) 147/4500; Motor Elétrico síncrono de íman permanente; Potência (CV) 60,5 CV; Binário (Nm/rpm) 170/0 – 1800; Sistema híbrido (CV/rpm) 141/5700; Binário (Nm/rpm) 265/1000 – 2400; Bateria (kWh) 8,9; Tensão (v) 360; Refrigeração ar; Peso (kg) 114; Carregador interno (kW) 3,3; Tempo de recarga (h) 2h15m a 4h30m; Transmissão e direção Tração dianteira, caixa robotizada de dupla embraiagem de 7 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr)Independente tipo McPherson; eixo multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4605/1800/1465; distância entre eixos 2650; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1533; Capacidade da bagageira (l) 437/1506; Depósito de combustível (l) 37; Pneus (fr/tr) 205/55 R16; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,8; velocidade máxima (km/h) 171 (120 km/h em modo EV); Consumos misto (l/100 km) 1,5 (consumo real medido 5,4 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 29 a 33; Preço base – 36.350€ (promoção); Preço unidade ensaiada – 39.750 (RS Line)

Renault Megane E-Tech Grantourer 

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta; Cilindrada (cm3) 1580; Potência máxima (cv/rpm) 105/5700; Binário máximo (Nm/rpm) 147/4500; Motor Elétrico síncrono de íman permanente; Potência (CV) 60,5 CV; Binário (Nm/rpm) 170/0 – 1800; Sistema híbrido (CV/rpm) 141/5700; Binário (Nm/rpm) 265/1000 – 2400; Bateria (kWh) 8,9; Tensão (v) 360; Refrigeração ar; Peso (kg) 114; Carregador interno (kW) 3,3; Tempo de recarga (h) 2h15m a 4h30m; Transmissão e direção Tração dianteira, caixa robotizada de dupla embraiagem de 7 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr)Independente tipo McPherson; eixo multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4605/1800/1465; distância entre eixos 2650; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1533; Capacidade da bagageira (l) 437/1506; Depósito de combustível (l) 37; Pneus (fr/tr) 205/55 R16; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 10,8; velocidade máxima (km/h) 171 (120 km/h em modo EV); Consumos misto (l/100 km) 1,5 (consumo real medido 5,4 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 29 a 33; Preço base – 39.990€ (Drive); Preço unidade ensaiada – 32.240€ (Zen)

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