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Ensaio Skoda Karoq 2.0 TDI 150 Scout: SUV de qualidade extra

O Karoq é um carro diferente do Yeti que veio substituir e tem sobre si a sombra do mais velho Kodiaq, mas a verdade é que não tendo a personalidade do Yeti, o Kodiaq é um carro muito melhor e, sobretudo, um dos melhores SUV do segmento. Razões para esta afirmação? Estão todas neste ensaio.

Rating: 4 out of 5.
  • A FAVOR – Habitabilidade, Estilo, Qualidade
  • CONTRA – Falta de emoção ao volante

O Karoq já cá anda há algum tempo e continua a ser um carro vincado pelo facto de ser um Skoda. Uma tremenda injustiça, pois, a marca checa está ao nível da SEAT e merecia mais atenção por parte do mercado. E não tenho muitas dúvidas em dizer que é um dos melhores SUV do segmento.

Devido à utilização da mesma plataforma do Seat Ateca e de muitos outros modelos do grupo VW – a famosa MQB do grupo alemão – o Karoq tem 4,38 metros de comprimento, 1,84 metros de largura e 1,60 metros de altura e o estilo é elegante com zonas retas misturadas com outras mais arredondadas e uma frente onde pontifica a grelha típica da casa de Mlada Boleslav e os faróis finos com olheiras, perdão, farolins adicionais. A quem lhes chame os faróis “predadores”. Tudo redesenhado para uma melhor integração.

E COMO É POR DENTRO?

Se o estilo exterior é muito agradável á vista – mesmo que seja possível vislumbrar alguns traços semelhantes ao espanhol Ateca – e consegue, mesmo, ser melhor que o Kodiaq, no interior, o discurso não varia muito.

Confesso que fiquei impressionado com a qualidade exibida. Claro que encontrei plásticos de menor valia, mas sem zonas de montagem menos fiável, mas mais de 300 quilómetros ao volante sublinharam a ideia que já tinha de um interior de grande qualidade de materiais e de montagem. 

Exemplos? Todo o tablier está forrado com um plástico suave ao toque. E depois, numa época onde todos querem conectividade, o sistema Amundsen impressiona pela qualidade dos grafismos, da resolução do ecrã e da rapidez do processador. 

Com uma distância entre eixos de 2,638 metros, o Karoq não tem problemas de habitabilidade. Naturalmente é mais acanhado que o Kodiaq e não tem sete lugares, mas também não é isso que se pretende. E verdade seja dita, o espaço interior é imenso!

A bagageira do Karoq tem 521 litros de capacidade, chega aos 1630 litros com os bancos rebatidos, mas se os retirar, a volumetria fica nuns espantosos 1810 litros. Mais uma vez a Skoda a desfeitear a concorrência.

A posição de condução é excelente, elevada como se quer, mas com uma boa relação entre o volante, banco e pedais. A visibilidade é excelente e graças a isso, nunca o Karoq me pareceu ter os mais de quatro metros que diz a fita métrica. E quando andei no meio da cidade, nunca me senti constrangido e o Karoq sempre pareceu ágil e simples de conduzir.

A versão Scoutline que utilizei neste ensaio oferece muito equipamento de série e o pacote exterior Scout, mas sem a tração integral que faz o preço disparar.

Ou seja, por 35.695 euros, não tem a tração 4×4, mas fica com o equipamento do Scout o que é uma bela proposta.

Para configurar o seu Karoq e conferir o equipamento da versão Scoutline, clique aqui.

E COMO É A MECÂNICA?

Pode parecer que estou na contramão, mas o Karoq rima bem com o motor diesel. É suficiente para as necessidades do carro, rimando muito bem com a caixa manual de seis velocidades. Pessoalmente, gosto mais da combinação motor diesel com caixa de dupla embraiagem de sete velocidades. Ainda assim, não posso deixar de dizer que em termos mecânicos, o Karoq está muito bem equipado com um motor suave, fácil de explorar e com apetite comedido. 

E neste particular a versão de 150 CV continua a ser muito interessante, com a Skoda a reclamar um valor de 5,0 l/100 km no ciclo misto. Se quisermos “abusar” do motor, a média fica bem acima desses cinco litros de gasóleo por cada centena de quilómetros. Porém, numa condução absolutamente normal e descontraída, o Karoq é generoso e nunca subiu além dos 6,5 l/100 km. Contas feitas ao ensaio, registei uma média de 5,9 l/100 km. 

É FÁCIL DE CONDUZIR?

O elevado número de quilómetros feito ao volante do Karoq deixou claro várias coisas. Primeiro, este é um carro que se destaca pelo conforto, refinamento e versatilidade. Suspensões com curso longo, suaves e pneus pouco radicais (com ombros largos) permitem que o conforto, mesmo em mau piso, seja bom. 

No fundo, é um carro calmo como o Kodiaq e que mantém a postura mesmo nos pisos mais degradados.

Outra coisa que me impressionou após tantos quilómetros foi o silêncio a bordo. Uma bela insonorização e bom controlo do ruído de rolamento que quase é colocado em causa devido aos espelhos, geradores de alguns ruídos aerodinâmicos, irritantes se estiver muito vento, por exemplo.

Claro que sendo um carro alto e com uma boa altura ao solo, é natural que o Karoq tenha tendência a mexer mais a carroçaria em curva, mas nada que possa ser considerado preocupante, pois nunca sentimos o controlo escapar-nos da mão e a aderência, mesmo em pisos encharcados, é muito boa. Não é um desportivo, longe disso, mas encaixa com alguma naturalidade maus tratos infligidos numa estrada mais sinuosa.

O QUE É QUE EU PENSO DO KAROQ SCOUT?

Com o motor 2.0 TDI com 150 CV, o Karoq é muito agradável de utilizar e com a caixa a rimar em termos de relações, torna-se suave e muito competente. Apesar de não ser um carro divertido ou emocionante de conduzir, acaba por se destacar pelo conforto e pela suavidade e facilidade de condução. Surpreendeu pela qualidade do interior, pelo refinamento e pela agradabilidade que oferece a quem conduz e a quem nele viaja. Enfim, um carro muito bem conseguido e que merecia ser olhado de uma forma menos preconceituosa. Até porque os 35.695 euros e a Skoda oferece uma solução de financiamento que custa 288,51€ por mês.

Ficha técnica

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3): 1968; Diâmetro x Curso (mm):81 x 95,5; Taxa de Compressão: 16,2; Potência máxima (CV/rpm): 150/3500 – 4000; Binário máximo (Nm/rpm): 340/1750 – 3000; Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços; Travões (fr/tr): Discos ventilados; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 8,7; Velocidade máxima (km/h): 196; Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,5/5,9/5,0; Emissões CO2 (gr/km): 130; Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4382/1841/1607; Distância entre eixos (mm): 2630; Largura de vias (fr/tr mm): 1576/1547; Peso (kg): 1486; Capacidade da bagageira (l): 521/1630; Deposito de combustível (l): 55; Pneus (fr/tr): 215/50 R18; Preço: 35.695€