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Ensaio Toyota CH-R 2.0 HDF: o motor certo para o CH-R

A Toyota é o maior construtor mundial em termos de produção e o CH-R ajudou à festa no mercado europeu com 101.532 unidades vendidas e o 32º lugar dos veículos mais vendidos no Velho Continente em 2020. Como não pode haver tanta gente errada, aqui fica o ensaio ao remodelado CH-R com o motor certo para o SUV da Toyota.

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Estilo, chassis, comportamento, sistema híbrido
  • Contra – Visibilidade traseira, caixa CVT, praticabilidade

A mudança em termos de estilo foi ligeira: novos grupos óticos que desenham nova assinatura, o para choques está diferente – e aqui para muito melhor! – isto na dianteira, enquanto na traseira, há diferenças na base do para choques, nos grupos óticos e um elemento de ligação dos farolins, pintado de preto. Há também a possibilidade de ter o tejadilho numa cor contrastante.

Tudo isto não mudou uma virgula sobre aquilo que sempre disse: apesar de achar estranho o puxador das portas traseiras (parece que alguém se esqueceu que as portas tinham de ter puxador e acabaram ali), o CH-R é um carro muito giro, sedutor e desejável, das melhores coisas que a Toyota fez até ao momento, contabilizando os novos RAV4 e Corolla. Este é um carro que não é aborrecido. 

E no interior, há mexidas?

De pormenor, não mais que isso. Manteve o estilo assimétrico, com tudo colocado à “mão de semear” e com materiais com qualidade percetível e real. Novidades, sim, no campo da tecnologia. 

O C-HR tem, finalmente, Android Auto e Apple CarPlay e o sistema de info entretenimento está mais completo e com grafismos mais agradáveis, além da conectividade reforçada e de uma nova aplicação que tem como destaque uma espécie de tutorial para nos “ensinar” a conduzir um híbrido e, no final, poderá exibir os seus dotes face aos amigos.

Infelizmente, a forma sensual do CH-R prejudica a habitabilidade traseira no que toca á altura, já que para arrumar as pernas há espaço suficiente. A visibilidade é terrível, mais uma vez devido à forma da carroçaria. Queixas, também, para a bagageira com apenas 358 litros, ficando ao nível de qualquer utilitário. O que para um SUV não ºe bom sinal.

O motor 2.0 HDF é o grande trunfo do CH-R?

Sem dúvida! O bloco 2.0 Hybrid Dynamic Force (HDF) é o mesmo usado no Corolla e no RAV4. Oferece outra performance e refinamento ao C-HR. 

É uma unidade híbrida com ciclo Atkinson, variação automática do tempo de abertura das válvulas, injeção sequencial de combustível e um motor elétrico de magneto permanente. 

Contas feitas, oferece 184 CV e 190 Nm de binário. Cifras bem mais interessante que as do 1.8 litros, capaz de chegar dos 0-100 km/h em 8,2 segundos e uma velocidade de ponta de 180 km/h. 

A Toyota reclama para o CH-R um consumo de 4,3 l/100 km, algo que não consegui, mas a verdade é que este motor 2.0 litros consegue ser mais económico e no final do ensaio, a média ficou nos 5,8 l/100 km, um valor mais que razoável.

Onde não há mudanças é na utilização da caixa CVT, evoluída, é certo, mas que continua a exigir uma boa dose de aceleração para o carro ganhar velocidade, mas os progressos assinalados em termos de controlo de ruído e vibrações, devem ser elogiados. É verdade que quando aceleramos a fundo, o motor “chora” sem correspondência com a velocidade, faz-se ouvir de forma clara, mas se evitarmos esse abuso do acelerador, tudo se passa com relativa suavidade e tranquilidade.

E como é o CH-R 2.0 ao volante?

Para além do motor, outra das coisas muito boas do CH-R é a sua base, a plataforma TNGA, que lhe permite oferecer um comportamento seguro, auxiliado pelas suspensões com novos amortecedores que foram introduzidos no sentido de ajudar a uma condução mais envolvente. 

A direção é muito leve, mas também é precisa e suficientemente rápida. Juntando a plataforma e suspensões eficazes e uma direção que ajuda, o C-HR curva com serenidade e segurança, muda de direção sem grandes dificuldades e o eixo dianteiro tem muita aderência, cedendo, apenas, quando abusamos muito da velocidade em curva. 

Está muito longe de ser emocionante, mas assegura mínima diversão ao volante sendo entretido e eficaz como agora começa a ser hábito na Toyota.

Além disso, nçao sendo um exemplo, o C-HR é suficientemente confortável, controla bem a insonorização e as vibrações. 

Uma nota de menor agrado: os espelhos geram alguns ruídos aerodinâmicos que não muito intrusivos ou incomodativo, num primeiro momento, acabam por ser chatos quando fazemos uma viagem mais longa.

O que é que eu penso do CH-R?

A diferença de 3.000 euros para o C-HR com motor 1.8 litros é mais que justificada, pois o carro é mais económico com mais performance e oferece mais tempo em modo elétrico. Fica, também, mais agradável de utilizar porque a mecânica é mais flexível. Portanto, apesar de tudo, a recomendação é clara no sentido do bloco 2.0 HDF e se está á procura de um SUV divertido e económico, além de bem equipado, o CH-R pode ser uma escolha certa.

Ficha técnica

Motor: 4 cilindros com ciclo Atkinson; Cilindrada (cm3): 1987; Diâmetro x Curso (mm): 80,5 x 97,6; Taxa de Compressão: 14,0; Potência máxima (CV/rpm): 152 CV/5000; Binário máximo (Nm/rpm): 290/4400 – 2000; Potência motor elétrico (CV/Nm) 109/202; Potência combinada (CV/rpm) 184/6000; Transmissão: dianteira com caixa CVT; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): Independente, McPherson/eixo multibraços; Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos; Prestações e consumos; Aceleração 0-100 km/h (s): 8,2; Velocidade máxima (km/h): 180; Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,4/3,9/4,3; Emissões CO2 (gr/km): 92; Dimensões e pesos; Comprimento/Largura/Altura (mm): 4390/1795/1565; Distância entre eixos (mm): 2640; Largura de vias (fr/tr mm): 1540/1550; Peso (kg): 1855; Capacidade da bagageira (l): 358; Deposito de combustível (l): 43; Pneus (fr/tr): 225/50 ZR18; Preço da versão base (Square Colection): 34.910€; Preço da versão ensaiada (Exclusive): 36.410€