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Estudo norte americano diz que aumentar limites de velocidade vai aumentar as mortes na estrada

Quem nunca excedeu atire a primeira pedra… e talvez por isso muitos se queixem que os limites de velocidade deveriam ser menos castradores. Mas isso tem custos…

Em Portugal, os limites são, grosso modo, 50 km/h em cidade, 90 km/h em estrada e 120 km/h em autoestrada, existindo, depois outras limitações.

Ora, os limites de velocidade são muito mais opressores nos EUA e foi lá que começou a tendência para ir relaxando a repressão e alargar os limites, para que parassem as queixas com os curtos limites de velocidade.

Porém, nem todos aceitam esse relaxar de vigilância e o “American Automobile Association” (AAA), o IIHS (Instituto para a segurança do tráfego na autoestrada) e a Humanetics, juntaram-se e fizeram um teste simples.

Pegaram em três unidades do Honda CR-V de 2010 – carro que recebeu uma excelente nota pela IIHS em termos de “crash test” – e fizeram um “crash test” a 64, 80 e 90 km/h. Conclusões?

Segundo o estudo publicado, “foram encontrados danos estruturais e experimentadas forças violentas em todo o corpo do manequim” na exata medida do aumento da velocidade.

A 64 km/h, a deformação do habitáculo é mínima e os ocupantes ficam ao abrigo de ferimentos importantes. A 80 km/h, o impacto causa visíveis deformações no lado do condutor, com deformação do arco da porta, no tabliê e na zona dos pés.

Mas a 90 km/h, um incremento mínimo de 10 km/h, os investigadores verificaram que o habitáculo fica significativamente comprometido. Além do nível de destruição que se verifica, os sensores dos manequins indicam graves ferimentos no pescoço e a enorme probabilidade de fraturas nas zonas da tíbia e do perónio. 

Além disso, foi descoberto através dos sensores que a cabeça do manequim, a 80 e 90 km/h, bate no aro do volante apesar do airbag, gerando um risco elevado de fraturas faciais e graves ferimentos na cabeça e danos no cérebro.

Portanto, os defensores do alargamento dos limites de velocidade e que estão contra os construtores que estão a limitar a velocidade máxima dos carros, devem olhar para este estudo.

David Harkey, presidente da IIHS, foi muito claro na apresentação dos resultados. “Os carros estão cada vez mais seguros. Nunca foram tão seguros como hoje. Mas a verdade é que ninguém conseguiu até ao dia de hoje encontrar forma de desafiar as leis da física! Portanto, não há como errar: quanto mais depressa um carro rodar antes de um acidente, menores são as suas probabilidades de conseguir reduzir a velocidade até um nível que lhe permita a sobrevivência. Isto tendo como ponto de partida o facto de ter a oportunidade de travar!”

Ora, o estudo destas três entidades reflete sobre o assunto e recomenda que ao invés de alargar os limites de velocidade, se deva aumentar as medidas para evitar que os condutores excedam a velocidade como regra e não exceção. Como? Com o reforço da presença nas estradas, reforço de aplicação de radares fixos e fiscalização bem visível com radares móveis, mas identificados.

Recordamos que um estudo conduzido pela IIHS em 2019 descobriu que alargar os limites de velocidade iria custar 37 mil vidas em 25 anos. Se queremos ser responsáveis ambientalmente, também o devemos ser neste aspeto, pois a vida humana não tem preço. E acreditamos que mais construtores sigam o exemplo da Volvo e reduzam a velocidade máxima.