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BMW vai manter estilo controverso diz Adrian van Hooydonk, patrão do estilo

Através de uma entrevista dada à revista britânica Autocar, o vice-presidente para o estilo do grupo BMW deixou claro que o tempo não volta para trás e as grelhas diferenciadas vão continuar.

O estilo dos novos BMW tem feito correr muita tinta e muita discussão nas redes sociais, oferecendo à marca bávara uma exposição mediática, nas palavras de Adrian van Hooydonk, “brutal!”

Diz-se que não há publicidade boa ou má, mas a polémica sobre as grelhas gigantescas e diferentes consoante os modelos, tem sido ainda mais brutal. Mas, como fica claro pelas palavras do responsável pelo estilo do grupo BMW e do responsável pelo estilo da BMW, Domagoj Dukec, que não vai haver mudanças e que a grelha duplo rim, um dos detalhes de sempre do estilo da BMW, veio para ficar e ser alterada consoante as necessidades.

A razão para isso reside no desejo da BMW se destacar dos restantes e escolheram as grelhas para isso. E o argumento é simples: se a grelha duplo rim sempre se destacou no estilo da BMW (juntamente com o Hoffmeister kink), porque não fazê-lo parte do futuro?

Domagoj Dukec diz, claramente, que “se queremos criar algo que se destaque, temos de ser diferenciadores e temos, mesmo, que ser diferentes. Se queremos alcançar alguns consumidores, temos de nos destacar dos outros. Não é o nosso objetivo agradar a todas as pessoas no mundo, mas temos de satisfazer os nossos clientes!”

Aliás, o designer croata nascido na Alemanha, deixa claro que “tudo se resume ao cliente.”

Porém, há que dizer que os últimos exercícios de estilo da BMW geraram muita controvérsia e nem toda favorável. A BMW tem um compromisso de olhar para o passado, honrá-lo, mas caminhando firmemente para o futuro, algo que não é fácil de conseguir. Especialmente com o passado da casa bávara.

E nesse particular, Adrian van Hooydonk está ciente das dificuldades. “Tem havido alguma fricção quando somos confrontados com o sucesso de produtos antigos e é isso a que temos assistido. Se o sucesso não for alcançado, então, sim, temos de mudar. É uma situação sempre complicada para a empresa. Mas, na minha opinião, é melhor ter controvérsia do que falhanços comerciais. Claro que seria melhor que tivéssemos sucesso e o reconhecimento universal, mas isso é muito raro nesta indústria.”

Nesta entrevista concedida à revista britânica Autocar, tanto Adrian van Hooydonk como Domagoj Dukec estão cientes da enorme responsabilidade que têm sobre os ombros. Conhecem bem a história da BMW e justificam as suas decisões exatamente com a história. Lembram a década de 60 do século passado quando a BMW foi pioneira dos desportivos que deram origem a vários carros de sucesso, carros como o 1500 que estabeleceram os patamares de excelência procurados pela BMW.

Mas Domagoj Dukec vai mais longe e lembra que os desejos dos clientes estão, cada vez mais, fragmentados e o croata é claro: “queremos que os clientes queiram os nossos carros, não que precisem deles!”

Foi perante esta ideia que van Hooydonk e Dukec decidiram identificar dois grupos os quais têm de seduzir. Chamaram a um grupo “criadores elegantes” e ao outro “artistas expressivos”. (!)

Pode parecer estranho, mas olhando á gama de produtos da BMW, faz sentido. Os primeiros têm o Série 3, 5 e 7, os segundos olham para o Série 4, Série 6 e para os produtos M e SUV.

Para os responsáveis do estilo da BMW, tudo se resume à forma como as pessoas usam os carros. Os primeiros estão ”mais focados no interior, mas gostam de um exterior fluído e belas proporções.” Os segundos “não se preocupam com a praticabilidade do carro. O interior pode ser mais pequeno e o conforto menor, mas tem de ter um desenho impactante e diferenciado. Querem um carro quase irracional.”

Segundo Domagoj Dukec, os símbolos típicos do estilo da BMW – a grelha duplo rim, os quatro faróis e o Hofmeister kink – vão continuar a ser vistos nos produtos modernos e para o futuro. Mas vai haver mais fragmentação e os modelos mais desportivos vão receber o duplo rim na vertical e carroçaria mais musculadas, enquanto os modelos elétricos terão um tratamento semelhante ao do iX.

Mas o designer croata acaba por deixar escapar que os topos de gama vão ter as grelhas horizontais e mais “estreitas”.

Mas a separação veio para ficar, com van Hooydonk a dizer que “vamos expandir o vocabulário da marca BMW com cada novo modelo que vai surgir, separando-os cada vez mais. E isso é deliberado! Vamos fazê-los mais fortes no que toca ao carácter, separados uns dos outros, mas sempre com a indivisa marca BMW.”

Lembram Chris Bangle? O estilista britânico desenhou alguns dos mais controversos carros algumas vez feitos pela BMW, foi coberto de alcatrão e penas pelos adeptos da marca e pelos críticos do estilo da marca e, hoje, como lembra Domagoj Dukec, todos olham com outra opinião para o trabalho de Chris Bangle. E o croata “agarra-se” a isso para justificar o que se tem passado com a BMW.

Mas as diferenças são maiores e hoje temos redes sociais e os consumidores têm uma opinião mais educada que anteriormente. Mas fica claro que Adrian van Hooydonk e Domagoj Dukec não vão mudar a sua orientação, mas também acreditamos que os dois vão ter de continuar a justificar o estilo da BMW, pois continuar a não ser fácil “engolir” algumas das realizações da casa bávara…