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Ensaio Toyota Yaris 1.5 VVTi: menos interessante que o híbrido

Dizem por aí que já ninguém compra carros citadinos, o que não é bem verdade, especialmente se dermos de cara com um carro como o Yaris. Já fiz o ensaio ao híbrido, está na hora de conhecer a versão a gasolina. 

Rating: 3 out of 5.
  • Favor – Estilo, comportamento, qualidade
  • Contra – Alguns plásticos, consumos

Uma coisa que a versão a gasolina sem hibridização não fez foi tornar o carro feio. É verdade que as variantes menos “ricas” trazem rodas pequeninas e o Yaris não rima bem com essas jantes, parecendo o carro do Noddy! Por isso, já sabe, quando comprar o Yaris junte umas jantes grandinhas.

Depois, esta versão sem hibridização é mais potente que o híbrido e é mais barata, mas não tem tanto interesse como o eletrificado. Claro, há pontos a favor e desfavoráveis, mas na essência o carro é o mesmo. Então quais os Prós e os Contras? É o que lhe vou contar a seguir!

O estilo é giro e divertido

Mantendo o compromisso com o segmento, a Toyota ofereceu a esta geração do Yaris quase tudo novo. Foi redesenhado e melhorado de A a Z e, particularmente, recebeu um novo estilo. E a verdade é que a Toyota acertou em cheio!

O carro é divertido de olhar, é giro de qualquer ângulo e há detalhes que não permitem confundi-lo com outro modelo: a traseira que acaba em cima do eixo traseiro, a pintura em dois tons e as jantes generosas que preenchem as cavas das rodas. Dos modelos de topo, claro!

Depois, ficam na retina – até porque ao volante cada vez que olhamos para os espelhos lá estão elas – as cavas das rodas musculadas que completam um conjunto muito feliz.

Quero dizer-lhe que o Yaris tem por base a nova plataforma GA-B (uma versão mais pequena da GA-C do CH-R e do Corolla). 

O que significa que o carro é mais rígido 37%, mais curto que o anterior ligeiros 5 mm, mas com uma distância entre eixos maior 50 mm. O carro também está mais baixo 40 mm.

Tudo isto mudou bastante aquilo a que estávamos habituados no Yaris. A posição de condução recuou mais de 6 cm e está mais baixa 2 cm. Ou seja, estamos agora muito mais bem sentados e inseridos no habitáculo. Tudo isto é igual no gasolina e no híbrido.

E como é o interior do Yaris?

Primeiro, apesar do motor diferente, só há Yaris com 5 portas. Quer dizer, há um com 3 portas, mas chama-se GR e faz parte de outra história. 

Portanto a versatilidade é maior, mas não adiciona espaço em altura (aqui está um dos defeitos do Yaris) nem acaba com a sensação de claustrofobia quer o desenho da traseira e das portas provocam. E na bagageira também temos um ponto menos positivo, pois não vai além dos 281 litros de capacidade. Há rivais que fazem bem melhor… bem melhor, mesmo!

A qualidade continua a ser elevada, embora se note aqui e ali alguns plásticos de menor valia, embora em locais onde a vista e a mão não chegam.

O volante é pequeno, mas com grossura e tato perfeitos. No modelo a gasolina, temos um conta rotações convencional e o painel não é digital. O que até nem é mau. Tudo o resto é moderno e posicionado de forma ergonomicamente perfeita. Até os comandos do ar condicionado.

E na condução, como é o Yaris?

No que toca ao comportamento, o Yaris é divertido e muito competente. A frente tem uma aderência excecional e a traseira mexe-se o necessário para evitar que em carga o carro siga em frente. O mesmo não posso dizer da direção, leve, sim, mas com pouca ou mesmo nenhuma interação com o condutor. 

Porém, tem uma vantagem! Em cidade, é uma direção leve e com um diâmetro de viragem de 5,2 metros. Excelente.

Desta forma, compensa a muita aderência dianteira (agradecendo, também, aos pneus Bridgestone de grande qualidade) com bom controlo dos movimentos da carroçaria. O ESP raramente entra em ação.

Tudo isto sem prejuízo do conforto, pois os engenheiros da Toyota não quiseram fazer um carro demasiado duro. Ora, endurecendo os apoios e o chassis, suavizaram as molas e o Yaris consegue absorver os buracos e as lombas sem se despenhar neles.

E o motor sem hibridização como é?

O tricilindrico é divertido, mas os 125 CV não parecem ter grande fulgor e face ao híbrido não me parece que seja uma escolha acertada. Claro que tem a vantagem de ter uma caixa manual, melhor que a CVT do híbrido. Mas não é muito mais rápido (ganha 0,7 segundos no 0-100 km/h e faz 180 km/h, mais 5 km/h que o híbrido), é menos suave nos arranques e numa utilização quotidiana, sinceramente, não oferece o refinamento do híbridio.

 Poderia ter mais “mecha”, mas não tem, e mais ruidoso que o híbrido – mesmo quando a caixa CVT deixa de rimar com a velocidade e o bloco grita – e, sobretudo, gasta bem mais combustível.

As diferenças são sensíveis e se os primeiros números assustaram-me, com o decorrer do ensaio estabilizaram. A Toyota reclama 4,9 l/100 km. Mas, no registo final, ficam os 6,8 l/100 km, muito longe do híbrido (3,7 l/100 km). E nas emissões, a diferença é ainda maior: 85 gr/km de CO2 para o Hybrid e 117 para este 1,5 VVTi.

Curiosamente, este é o mesmo bloco que é usado na versão híbrida, mas sem o ciclo Atkinson e sem a parte elétrica. 

Quanto custa este Yaris Confort Plus?

A Toyota em um programa chamado Toyota Easy que oferece este Yaris 1.5 VVTi Confort Plus, que custa 16.690 euros, por 155,76 euros por mês, com entrada de 4.172 euros e prestação final de 5.953 euros. O preço é simpático, até porque o Yaris oferece um equipamento completo mesmo neste nível inferior. 

O que é que eu penso do Toyota Yaris VVTi?

Continuo a gostar muito do Yaris, mas esta versão sem o motor híbrido… não, obrigado. O Yaris é mais agradável com a hibridização. Vejam lá que até gosto da caixa CVT, algo que sempre critiquei. Quer dizer, a caixa manual é mais agradável, mas ainda assim… venha o híbrido. O carro gasta mais, anda praticamente o mesmo e é menos suave. É verdade que neste nível de equipamento, Confort Plus a diferença de preço é de quase 4 mil euros e o preço de 16.960 euros é um chamariz que pode levar muitos a hesitar. Porém, se escolher, por exemplo, o muitíssimo bem equipado Square Collection, a diferença entre este motor e o híbrido é de, apenas, 1000 euros. Por tudo isto, prefiro o Yaris Hybrid. 

Ficha técnica

Motor: 3 cilindros em linha, injeção multiponto; Cilindrada (cm3): 1490; Diâmetro x Curso (mm): 80,5 x 97,6; Taxa de Compressão: 13,0:1; Potência máxima (CV/rpm): 120/6600; Binário máximo (Nm/rpm):145/4800-5200; Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): discos ventilados/tambores; Prestações e consumos: Aceleração 0-100 km/h (s): 9,0; Velocidade máxima (km/h): 180; Consumos misto (l/100 km): 4,9; Emissões CO2 (gr/km): 108; Dimensões e pesos: Comprimento/Largura/Altura (mm): 3940/1695/1500; Distância entre eixos (mm): 2550; Largura de vias (fr/tr mm): 1480/1475; Peso (kg): 980; Capacidade da bagageira (l): 281; Deposito de combustível (l): 42; Pneus (fr/tr): 185/65 R15; Preço (Euros): 16.690