Clássicos

Lembram o “Red Pig”? Apresentamos o “Silver Pig”, tributo ao Mercedes 300 SEL 6.3 AMG

Será um dos carros que mais surpreendeu o mundo da competição quando apareceu nas 24 Horas de Spa de 1971. Magnus Walker revela este tributo ao “Red Pig”.

Nem sempre a AMG fez parte do universo Mercedes, tendo começado como uma empresa de “tuning”. Formada, é verdade, a partir da paixão de dois engenheiros saídos da Mercedes, Erhard Melcher e Hans Werner Aufrecht, no já longínquo ano de 1967.

Há 54 anos, as coisas eram todas muito diferentes e a sua especialização na transformação dos Mercedes em carros desportivos era um trabalho verdadeiramente hercúleo.

Não demorou muito tempo até que Aufrecht e Melcher (o A e o M da AMG, sendo o G de Grosaspach, a terra natal de Aufrecht) percebessem que teria de visitar a competição para ganhar notoriedade. 

Podiam ter ponderado, desenvolvido um programa, escolher o carro mais indicado e a competição que melhor servisse os seus intentos. Não! Escolheram atirar-se de cabeça e logo numa das provas mais difíceis: as 24 Horas de Spa.

A pista, ainda hoje uma das mais complicadas e famosa por ser pouco simpática com os erros dos pilotos, era uma dificuldade extra que se juntava à inexperiência da AMG face aos rivais. Que, quase todos, já participavam na competição há muito tempo.

Mas, para complicar ainda mais, a AMG decidiu escolher um carro inimaginável: o 300 SEL. Sim, uma berlina de luxo, gigantesco, pesado e que face a face com os BMW 2800CS, Alfa Romeo 2000 GTAm, Ford Capri RS 2600 ou até o Opel Commodore, para citar alguns, parecia um verdadeiro monstro.

Sem surpresa, o 300 SEL AMG pintado de vermelho recebeu o carinhoso nome de “Rote Sau” – em inglês “Red Pig”, em português “Porco Vermelho”. A AMG teve de trabalhar muito para tornar um carro numa máquina de competição. Desde logo remexer de alto a baixo o impressionante motor V8 de 6.3 litros, que passou para 6.8 litros. Ficou com 430 CV, mas o peso era uma grande dor de cabeça pois o carro derretia os pneus. Outra era o consumo: o “Red Pig” era uma verdadeira esponja e o carro precisava de parar mais vezes que os outros para reabastecer e trocar de pneus.

Apesar de tudo isto, o Mercedes 300 SEL 6.3 AMG ultrapassou todas as barreiras e terminou a prova em segundo, ganhando a sua classe.

Começou e acabou em Spa a carreira deste espetacular carro, que a AMG vendeu rapidamente – Aufrecht e Melcher não tinham o dinheiro para lirismos – a uma empresa de aviação. E sabem como é que acabou os seus dias?

Como era um carro capaz de igualar as velocidades de descolagem e aterragem dos aviões a jato da época, o “Red Pig” foi modificado para testar trens de aterragem!

Não se sabe bem o que aconteceu ao carro, nem onde é que se encontram as peças do mesmo, pelo que todos os modelos que foram surgindo não passam de réplicas, pois nem a Mercedes sabe onde está original. Sabe-se que o carro acabou destruído devido aos testes dos trem de aterragem, mas a peças desapareceram sem deixar rasto.

Foi assim que surgiu este “Silber Sau” ou “Porco Cinza”, uma réplica encomendada pelo Mercedes Benz Classic Center da Califónia. 

Magnus Walker, um britânico nascido no ano da formação da AMG, foi designer de moda sendo um colecionador de carros e participante de programas ligados ao automóvel. Emigrou para os EUA e criou a marca Serious na companhia da sua esposa Karen Caid Walker, falecida em 2015. Fascinado pela Porsche, tem uma apreciável coleção de modelos da casa de Weissach, mas é também um reconhecido criador de “hot roads” com a assinatura “227” sendo o primeiro não piloto a ter uma coleção de volantes da MOMO (de Gianpaolo Moretti) com a sua assinatura.

Magnus Walker juntou-se a Cameron Thurman para fazer este vídeo que destaca o espirito com que o carro original foi feito, exaltando os “underdogs” e o que significa vencer contra as probabilidades.