Desporto

O “Professor” Alain Prost cumpriu 66 primaveras: “joyeux anniversaire Professeur”

O único francês campeão do Mundo de Fórmula e batizado com o nome de “Professor” cumpriu 66 anos. Parabéns Alain Prost!

É um dos grande nomes do desporto automóvel mundial e esteve na luta com outro grande ícone, Ayrton Senna. Recordamos a carreira do pequeno francês, cerebral e metódico que bateu o astro brasileiro.

Tudo começou no Karting, nos anos 70 do século passado. O francês, nascido no dia 24 de fevereiro de 1955 com o nome Alain Marie Pascal Prost, foi campeão francês e Europeu Junior de Karting em 1973 e em 1974 ganhou o Campeonato Francês Senior, depois de abandonar a escola para ser piloto profissional. O prémio? A temporada de 1975 na Fórmula Renault.

Estava lançada uma carreira que travou a fundo devido ao serviço militar obrigatório em França. Era um até já de uma carreira que todos prognosticavam ser brilhante.

Fechado o episódio militar, Prost regressou rapidamente ao seio da competição em 1976 e recuperou o prémio, a temporada na Fórmula Renault.

O seu talento estalou como uma castanha: ganhou 12 das 13 corridas numa disciplina que era considerada como a grande escola de pilotos em França.

Novo salto na carreira com a presença na edição europeia da Fórmula Renault. Sem surpresa foi campeão europeu de F.Renault de 1977 e o salto para a Fórmula 3 era apenas óbvio.

E Alain Prost voltou a alardear um talento fora do comum: se em 1978 se ambientou à disciplina, em 1979 ganhou os campeonatos francês e europeu de F.3 e ganhou passaporte para figurar nos cadernos de cromos das equipas de Fórmula 1.

Cerebral e cauteloso como sempre, Alain Prost analisou as muitas propostas que lhe chegaram, disfarçando o desejo ardente de chegar à categoria rainha do desporto automóvel.

Teddy Mayer conseguiu falar ao coração do francês e este decidiu assinar com a McLaren para a temporada de 1980. E logo ali deu nota da sua verticalidade e carácter: a McLaren ofereceu-lhe um terceiro carro para disputar a derradeira prova do Mundial de F1 de 1979, a realizar-se no circuito de Watkins Glen. 

Recusou porque esse esforço não iria beneficiar ninguém, nem ele nem a equipa. Além disso, Alain Prost explicou que não queria cometer um erro, pois não estava preparado para a F1, não conhecia Watkins Glen nem o carro. Na sua opinião era melhor fazer um teste.

O dia 13 de janeiro de 1980 marca a entrada de Alain Prost na Fórmula 1. Com um carro que não era grande coisa, o francês surpreende e rapidamente começa a marcar pontos no campeonato. Mas a mecânica do McLaren acabou por fraquejar bastante e a maior parte das vezes acaba fora de prova.

A Renault e a Elf decidiram apostar em Alain Prost em 1981 confiantes que o projeto V6 Turbo iria vingar! A verdade é que desde 1977 que o “Yellow Teapot” insistia em não concretizar o seu potencial. A primeira temporada de Alain Prost sublinhou a qualidade do piloto: duas “pole position” e três vitórias. 

O seu talento era evidente, mas já na época a gestão da equipa era deplorável e a rivalidade com René Arnoux acabou por levar Prost a perder muitos pontos. Uns por desaguisados entre os dois, a maioria por erros da equipa.

O feitio difícil de Prost colocou-o em má posição dentro da equipa, a temporada de 1982 foi complicada (ficou em 4º no campeonato) e em 1983, o título escapa por uma unha negra. Desta feita face a Nelson Piquet e a um motor BMW Turbo que utilizava gasolina ilegal. Dizem…

Estes três anos foram suficientes para que Alain Prost dissesse “basta” e voltou para os braços de uma equipa que conhecia muito bem… a McLaren.

E foi na equipa britânica que o “Professor” tornou-se uma lenda. O título fugiu em 1984 quando Niki lauda venceu por… meio ponto, mas em 1985 reclamou a coroa mundial, o primeiro de um piloto francês na história da Fórmula 1. Foi o primeiro de uma carreira impressionante.

No ano seguinte repetiu o feito com uma temporada excecional ao volante de um carro inferior aos dos adversários.

Mas em 1987, um balde de água fria caiu sobre Alain Prost: a Honda chegou à F1 através da Williams e a equipa de Frank Williams não deu chances a ninguém. O motor Honda acabaria por chegar à McLaren, mas só em 1988, quando mais um obstáculo chegou à carreira de Prost. Um brasileiro chamado Ayrton Senna.

O ano de 1980 foi glorioso com uma luta entre dois dos melhores pilotos de sempre. Senna vence com uma ultrapassagem fabulosa no circuito de Suzuka, palco da última corrida do ano.

Derrotado, Prost devolve a generosidade ao brasileiro e chega a Suzuka na frente do campeonato. Senna tinha de ganhar para fazer o bi-campeonato, atacou Prost na chicane e os dois acabam por embater. Os dois abandonam e Prost recupera o campeonato de pilotos.

Desconfortável e conhecedor da inclinação da Honda para o brasileiro, Alain Prost abandona a McLaren e cai nos braços da Ferrari para as épocas de 1990 e 1991. A rivalidade passou de uma luta interna para uma luta McLaren x Ferrari que tinha tudo para ser espetacular.

Uma vez mais tudo fica por decidir em Suzuka e Senna decidi devolver a gracinha de Prost no ano anterior: após o arranque, Senna deixou o McLaren acertar em cheio no Ferrari. Abandono para ambos, mas o título ficou no bolso de Senna.

Alain Prost decide abandonar a Fórmula 1, enquanto Senna volta a ganhar o título na sua ausência em 1991. Alain Prost e Ayrton Senna ficavam com três títulos cada um, mas a ausência do francês esvaziou a rivalidade e sem a oposição do “Professor” tudo teve outro sabor.

A ausência de Prost durou apenas um ano. Campeão do Mundo em 1992, Nigel Mansell entrou em rota de rutura com a Williams-Renault e decide ir para a Indycar em 1993. O lugar vago é demasiado tentador e Alain Prost decide regressar ao volante.

Em boa hora o fez, pois nas barbas de Senna volta a ser campeão do Mundo com um carro muito superior aos restantes. Foi o seu quarto e último título mundial de Fórmula 1.

Foi, também, a sua última temporada na Fórmula 1, saindo pela porta grande, mas aborrecido com o caminho tomado pela competição.

O francês saiu do carro, mas não deixou a Fórmula 1 pois foi comentador da F1 na televisão e mais tarde, de mão dada com Flavio Briatore, comprou. A equipa Ligier e criou a Prost GP. 

Tudo parecia seguir no caminho certo – apesar de usarem o chassis Ligier JS45 com motor Honda Mugen –  mas depois de 1997, tudo começou a desmoronar. Problemas graves com a caixa de velocidades quase impediram a equipa de participar no Mundial de 1998. Foi uma temporada para esquecer e quando em 1989 Alain Prost recrutou o seu amigo John Barnard como consultor técnico, as coisa melhoraram um pouco e Jarno Trulli conseguiu um 2º lugar no Nurburgring. 

Os parcos resultados levaram Jarno Trulli para a Jordan e Olivier Panis decidiu ser piloto de testes da McLaren.

Em 2000 as coisa começaram a entrar num plano verdadeiramente inclinado: o veterano Jean Alesi e o “rookie” Nick Heidfeld (campeão de F3000 de 1999) não conseguiram um único ponto. 

Os resultados não apareceiam, a Peugeot decidiu abandonar a competição e Prost correu para a Ferrari para lhe emprestarem motores que ficaram com o nome Acer para 2001. Manteve Jean Alesi e trocou Heidfeld por Gaston Mazzacane. Que após quatro corridas foi substituído por Luciano Burti.

Alesi foi sendo consistente e ficou celebre o GP do Canadá quando o francês fez um par de “donuts” e acabou a atirar o capacete para a bancada.

O francês acabaria por sair a meio da temporada e para o seu lugar entrou Heinz Harald Frentzen, ele que tinha sido despedido da Jordan substituído por… Jean Alesi! Houve um quinto piloto na equipa, com Tomas Enge a substituir Burti, acidentado.

Após muitos rumores durante o defeso, Alain Prost anunciou a falência da Prost GP depois da Gauloises ter retirado o tapete em 2000 e o francês não ter conseguido usar o seu nome para encontrar patrocinadores. Era o fim de um sonho.