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Ensaio Fiat Panda Cross Hybrid: é tão giro ter um Panda até em modo híbrido

O Panda continua a ser um carro muito agradável e desejável e nesta versão Cross adiciona a ilusão de ser um mini SUV capaz de chegar mais longe. Se juntarmos a isto a hibridização, aumenta o fator de interesse. Agora, vale a pena perceber as vantagens deste Cross Hybrid face a um Panda “normal”.

Rating: 3 out of 5.
  • A Favor – Estilo, comportamento em cidade
  • Contra – Chassis antigo 

Uma versão eletrificada da versão Cross do Panda soa sempre bem. Calma! Não é um híbrido completo e menos ainda Plug In! Falamos de um sistema híbrido ligeiro num carro que esta pintalgado de detalhes que nos querem fazer querer que o Panda Cross.

Perdoar-me-ão o entusiasmo pelo Panda, mas fui orgulhoso proprietário de um Panda original durante uns meses e gostei muito.

Exterior sob o símbolo do quadrado

O novo Panda também é muito interessante e a ideia por trás do estilo é brilhante. Se olhar com cuidado verá que todo o carro é feito com base na ideia do quadrado. É assim nos faróis e nos faróis de nevoeiro, nos faróis de nevoeiro traseiro e de marcha atrás, nos farolins verticais e nas janelas colocadas entre o pilar C e D, nas cavas das rodas e no desenho das jantes. É brilhante!

Claro que o aspeto não chega e as cavas das rodas com proteções plásticas, a ligeiramente maior altura ao solo, as barras no tejadilho, as proteções dos para choques e das portas, não adicionam uma grama à capacidade para andar fora de estrada.

Porque por baixo de tudo isto está o Panda habitual, com tração dianteira. Nada mais que isso.

E o interior… também!

Olhando para o interior – e descontando a questão dos materiais serem melhores ou piores, e tenho de dizer que até não são nada maus – vemos, exatamente, o motivo “quadrado” no panel de instrumentos, no volante (até os braços do volante), nos comandos da climatização, no sistema de info entretenimento, enfim, em tudo. 

O sistema Ucconect é mais simples que nos outros modelos, mas oferecendo uma ideia parecida com o que a VW ofereceu ao Up!: um suporte para colocar o “smartphone” que, ligado ao sistema de info entretenimento, usa o sistema de navegação do telefone e outras funcionalidades. 

Quer-me parecer que o habitáculo é divertido, mas começa a ficar “cansado”. Não é tão estimulante como sucede com o interior do 500, é a verdade. O banco traseiro é um nadinha duro, mas se quem seguir à frente tiver um percentil acima da média, quem segue atrás terá alguma dificuldade para arrumar as pernas. Num caso de normalidade, o espaço até é aceitável para um citadino. Mas vamos á novidade do Panda.

E como é o sistema híbrido?

Com a ajuda do comando “City” da direção (uma funcionalidade que já tem barbas na Fiat) levar o Panda para a cidade é uma brincadeira de crianças. 

Com a adição da eletricidade, mesmo que de forma ligeira, nota-se um pequeno salto para diante através da energia oferecida pelo motor de arranque/alternador. É pequeno, mas perfeitamente discernível. E com essa ajuda elétrica, os arranques são mais suaves que com os outros motores.

A seguir a isto, as coisas mudam de figura. O motor com apenas 1.0 litros para três cilindros com injeção multiponto, sem turbo, debita, somente, 70 CV. Ora, este “handicap” de potência acaba por se notar a seguir. É preciso puxar muito pelo motor e, não raras vezes, andamos muito tempo com o acelerador a fundo. Especialmente quando a estrada empina. Mas abem o que é mais curioso?

É que o pequeno tricilindrico tem alma até Almeida! E, claro, dificilmente andará muito mais que os limites de velocidade. Podem criticar a velocidade máxima de 155 km/h, mas, hey!, este é um citadino! Não é para fazer corridas! E a aceleração 0-100 km/h em 14,7 segundos.

E sim, com mais que uma pessoa a bordo, dificilmente algum radar o apanhará em excesso de velocidade. O que é uma coisa boa!

Mas há outra forma de andar com o Panda. Ser mais tranquilo com o acelerador, não se preocupar tanto com a velocidade e aproveitar a pequenina ajuda elétrica para ir andando.

Porque se andar sempre com o acelerador a fundo, o consumo vai-se ressentir: a Fiat reclama 4,0 l/100 km, mas andando a tirar tudo do tricilindrico, o consumo fica nos 8 litros. Se formos mais racionais e aceitarmos que o Panda “é” um citadino, os valores ficam pelos 6 l/100 km.

E como é na estrada?

E como já o disse, o Panda não é um carro desportivo, é citadino. Prejudicado, um pouquinho, pela maior altura ao solo e, naturalmente, pelo centro de gravidade mais elevado, em curva, o Panda inclina-se bastante. O carro entra em subviragem facilmente, mas o ESP entra em ação e corrige tudo. Por vezes de forma mais intrusiva do que o esperado.

Outro problema é a direção, pois é completamente muda, ou seja, não nos oferece nenhuma informação sobre o que as rodas estão a fazer. 

Agora… apesar de tudo isto, o Panda é divertido de conduzir! Mais que o Fiat 500 até! E sabem porquê? Porque o carro movimenta-se muito, mas com velocidades contidas, e acaba por ser divertido antecipar e controlar as saídas de frente. É giro que querem que vos diga!

O que é que eu penso sobre o Panda Cross Hybrid?

Apesar dos defeitos, continuo a gostar do Panda Cross. O sistema híbrido, sinceramente, não me faz grande diferença, mesmo que tenha de sublinhar a poupança de combustível que a hibridização oferece. Em utilização, só mesmo nos arranques é que faz a diferença. O preço de 16.458 euros deste “Launch Edition” é perfeitamente razoável, até pela dotação de equipamento. E fica com um carro divertido que parece, mesmo, um mini SUV. 

Ficha técnica

Motor: 3 cilindros em linha, injeção multiponto; Cilindrada (cm3): 999; Potência máxima (CV/rpm):70/6000; Binário máximo (Nm/rpm): 92/3500; Binário combinado (Nm): 265 Nm; Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): Discos vent./tambores; Aceleração 0-100 km/h (s): 14,7; Velocidade máxima (km/h): 155; Consumo (l/100 km): 4,0; Emissões CO2 (gr/km): 89; Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 3705/1662/1635; Distância entre eixos (mm): 2300; Largura de vias (fr/tr mm): 1416/1412; Peso (kg): 980; Capacidade da bagageira (l): nd; Deposito de combustível (l): 38; Pneus (fr/tr): 175/65 R15; Preço da versão base (Euros): 16.458