Desporto

Morreu Hannu Mikkola (1942 – 2021)

Os ídolos (não) são imortais… a sua memória perdurará para sempre e no caso de Hannu Mikkola as suas exibições com os Ford Escort e, sobretudo, com os Audi Quattro ficarão para sempre!

Nasceu em Joensuu, na Finlândia em 1942, faria 79 anos no dia 24 de maio foi campeão do Mundo em 1983, ganhou 18 ralis no Mundial e disputou 666 provas especiais de classificação.

Mikkola disputou o seu primeiro rali do mundial no Rali de Monte Carlo 1973, ganhou pela primeira vez no Rali dos 1000 Lagos de 1974 e abandonou a competição no Rali dos 1000 Lagos de 1993. A sua última vitória foi emblemática: foi no Rali Safari de 1987 com um Audi 200 Quattro, o primeiro carro de tração integral a ganhar a prova africana.

A carreira de Hannu Mikkola durou 31 anos, desde que começou ao volante de um Volvo PV544 no distante ano de 1963, com tenros 21 anos. Mas o seu nome só começou a ser conhecido a partir dos anos 70.

O seu Ford Escort RS MKI deu nas vistas em diversas provas internacionais e Hannu Mikkola foi o primeiro piloto não africano a ganhar o terrível Rali Safari, no ano de 1972. Ganhou com um Escort RS tendo a seu lado Gunnar Palm.

Entretanto, em 1977, juntou-se como navegador um nome que ficaria ligado à sua carreira: o sueco Arne Hertz. A dupla sueco-finlandesa ganhou o Campeonato Britânico de Ralis em 1978 com um Ford Escort. 

No final de 1979, disputou o Mundial de Ralis foi batido por apenas um ponto por Bjorn Waldegaard. No ano seguinte, voltou a ser segundo com um Ford Escort, mas já estava a caminho da equipa Audi para testar o revolucionário Quattro, que passou a usar em 1981 no Mundial de Ralis.

O sucesso foi quase imediato, mas não materializado em resultados. Liderou o Monte Carlo, mas despistou-se, dominou o Rali da Suécia que venceu, facilmente, mas a mecânica não mostrou fiabilidade e só voltaria a ganhar no final do ano no Rali RAC. Foi terceiro no Mundial de Ralis.

Em 1982, voltou a ganhar apenas duas vezes, no “seu” 1000 Lagos e no RAC, voltando a ser terceiro no Mundial que foi ganho por Walter Rohrl ao volante de um vetusto Opel Ascona 400. Ficou atrás de Michele Mouton, sua colega de equipa na Audi.

Mas a hora da consagração vinha a correr e em 1983, Hannu Mikkola sagrou-se, finalmente, campeão do Mundo de Ralis.

Na companhia de Arne Hertz, venceu o Rali da Suécia, o Rali de Portugal, Rali da Argentina e os 1000 Lagos, sendo segundo classificado no Safari (atrás de Ari Vatanen num Ascona 400), no Bandama Costa do Marfim (atrás de Bjorn Waldegaard num Toyota Celica Twincam Turbo) e no RAC, batido por Stig Blomqvist no outro Audi da equipa Audi Sport.

Foi campeão do Mundo com 41 anos, sendo até hoje o piloto mais velho a conseguir a coroa mundial nos ralis.

O título de 1983 foi o ponto alto da sua carreira e o único título conquistado no WRC. No ano seguinte perdeu para Stig Blomqvist, seu colega de equipa na Audi Sport e em 1985 fez apenas quatro provas: Suécia (3º classificado), Safari (abandono com caixa de velocidades partida), 1000 Lagos (abandono com um fuga de óleo) e RAC (abandono, motor partido).

No ano em que os Grupo B implodiram, Hannu Mikkola fez apenas o Monte Carlo, onde foi 3º, mas a competitividade da Audi estava a anos luz dos adversários e o finlandês disputou apenas provas em Inglaterra, vencendo com um Quattro Sport de David Sutton o Rali National Breakdown e o Fram Filters International Welsh Rally com o mesmo carro.

A entrada em cena dos carros de Grupo A apanhou a Audi em contrapé e com um 200 Quattro que mais parecia um táxi que um carro de ralis. Mas Mikkola venceu o Safari com ele, foi terceiro na Acrópole (ralis duríssimos onde o “panzer” alemão se sentia à vontade) abandonando nos 1000 Lagos devido a um despiste.

Com 46 anos, Hannu Mikkola assinou contrato com a Mazda para a temporada de 1988, mantendo-se com a equipa japonesa até 1991.

A relação com Arne Hertz terminou e os anos na Mazda foram feitos tendo a seu lado… Christian Geistdorfer, o ex.-navegador de Walter Rohrl!

Em 1988 faz sete ralis do Mundial e abandona em todos (com problemas de motor, transmissão e dois despistes) exceto no Rali de Portugal onde termina no 4º lugar. No ano seguinte, faz apenas três provas do Mundial: Monte Carlo (foi 4º), 1000 Lagos (transmissão) e RAC (9º), rali que promoveu o regresso de Arne Hertz ao banco do lado direito. Em 1990, disputa quatro provas: Monte Carlo (cardã partido), Portugal (6º) e os 1000 Lagos e RAC, abandonando em ambos com o motor partido. 

O ano de 1991 é o derradeiro a tempo inteiro com a Mazda e tendo a seu lado Johnny Johansson, participa no Monte Carlos (motor), Suécia (7º), Portugal (alternador), Acrópole (8º), 1000 Lagos (motor) e RACV (7º).

Fez aparições no Rali da Noruega de 1992 (com 50 anos) com um Mazda 323, no Rali da Suécia (motor) e nos 1000 Lagos (7º) de 1993 usando, respetivamente, um Subaru Legacy RS e um Toyota Celica Turbo 4WD, parando definitivamente a sua presença na competição.

Regressaria para eventos selecionados como quando se juntou a Gunnar Palm e a uma réplica do seu Ford Escort RS MKI comemorando os 25 anos do Londres México de 1970 que ganharam. Ou no Londres-Sydney de 2000 com o Escort RS original de 1968, tendo a seu lado Juha Mikkola, o seu filho mais velho.

O veterano finlandês estava retirado há algum tempo, mas ainda esteve em 2008 no evento que homenageou a memória de Colin McRae,m desaparecido em 2007 num trágico acidente de helicóptero. Faz parte do Hall of Fame dos Ralis. Desapareceu aos 70 anos. Descanse em paz!