Elétricos

Governo prepara-se para mudar os incentivos para compra de modelos elétricos

Infelizmente, não vai aumentar a dotação de recursos para os incentivos, mas o Governo preparara-se para tirar das mãos das empresas para colocar nas mãos dos particulares.

Segundo o jornal online Observador, citando informação da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), o Governo vai anunciar até ao final desta semana alterações aos incentivos à compra de carros 100% elétricos.

Não mexendo na dotação de 4 milhões de euros de incentivos à compra de veículo 100% elétrico, o Governo tira às empresas para dar aos particulares. 

Até 2020, as empresas usufruíam de um incentivo de 2 mil euros, adicionando vários benefícios fiscais e a recuperação total do IVA do veículo (desde que custe menos de 62.500 euros) e da energia consumida, além de isenção de Imposto Único de Circulação (IUC).

Com efeitos retroativos a 1 de janeiro, as empresas perdem o incentivo de 2.000€ mantendo os benefícios fiscais. O que não deixa de ser estranho, como salienta o Observador, quando são as empresas que compram quase todos os veículos 100% elétricos vendidos em Portugal.

Apesar destes 2.000€ menos, os benefícios fiscais continuam a ser muito generosos e um Renault Zoe, por exemplo, fica 6.400 euros mais barato e um Tesla Model 3 Long Range pode ver o preço cai 11 mil euros! 

Se o Governo tira 2.000 euros das mãos das empresas, para onde vai esse dinheiro? Para lado nenhum! Porque os particulares e pessoas singulares com atividade empresarial, ganham pouco: continua a haver 3.000 euros de incentivo, mas apenas 700 “cheques” ao contrário dos 1000 que até agora eram distribuídos.

O Governo vai, obedientemente, seguir as diretivas europeias e apostar na venda dos comerciais elétricos, com os incentivos a subir dos 3.000 para os 6.000 euros, com o limite de dois veículos por empresa. Aqui, as pessoas singulares com atividade profissional, podem beneficiar deste incentivo.

Mas há mais alterações. As bicicletas de carga elétricas para a distribuição “último quilómetro” e em zonas onde não chegam os furgões, passam a ter um incentivo de 50% do preço final até ao limite de 1000 euros. Até agora era de 35%. Os mesmos veículos sem apoio elétrico podem receber até um máximo de 500€. As bicicletas elétricas recebem 350€ de abate no preço final e as bicicletas não elétricas recebem 100€.

Esta alteração ao Fundo Ambiental continua a deixar de lado a política de abate de veículos em fim de vida por troca por modelos mais ecológicos. O grande objetivo da UVE, segundo o Observador, de levar o incentivo dos 3.000 para os 6.000 euros e igualar a média europeia não foi aceite. Como não foram consideradas as propostas da UVE de instalação de postos de carga em todas as áreas de serviço nacionais bem como um programa de redução dos valores de portagens para modelos 100% elétricos.