Desporto

Porsche disposta a entrar na Fórmula 1 se forem adotados combustíveis sintéticos

Se a Fórmula 1 adotar os combustíveis sintéticos em 2025, quando entrar em vigor a nova regulamentação dos motores, a Porsche está disposta a entrar na F1.

Não é segredo para ninguém que a Porsche está há muito interessada em regressar à Fórmula 1 como fornecedora de motores. E também não é novidade dizer que a casa de Weissach desenvolveu uma unidade de potência para a F1 que vai acabar por ser reformulada para o campeonato WEC onde a Porsche vai regressar com a regulamentação LMDh.

A Fórmula 1 congelou os motores até 2025 – o que deu uma enorme ajuda à Red Bull que assim mantem os motores Honda com nome Red Bull e permite á Honda “estar sem estar” – mas a partir dessa data haverá uma nova regulamentação.

Não há muitos detalhes sobre esse novo livro de regras, mas está a ser esculpido por um grupo secreto que inclui FIA, Liberty e marcas interessadas. E nesse grupo está a Porsche como, alegadamente, outras marcas como os coreanos do grupo Hyundai Kia, um grupo chinês, a BMW e a Stellantis.

Ora, a FIA deixou claro que os novos combustíveis sintéticos – que estão a acelerar de forma incrível – terão papel principal nas novas regras para ajudar a reduzir a pegada ecológica, não escorregando para o populismo de fazer uma F1 elétrica. 

Como o Grupo Volkswagen, detido pela Porsche SE, tem estado a agitar de forma enfática a bandeira da ecologia e a Porsche está a desenvolver combustíveis sintéticos, investindo forte nessa área, percebe-se, agora, o interesse da Porsche na F1.

Em declarações à BBC Sport, o patrão da Porsche Motorsport, Fritz Enzinger sublinhou que “seria de enorme interesse se todos os aspetos da sustentabilidade – por exemplo, a introdução dos combustíveis sintético – tivessem um papel decisivo nas novas regras. Se isso se confirmar, vamos avaliar tudo em detalhe dentro do grupo VW e discutir os próximos passos. Estamos a observar o desenvolvimento das novas regras como sempre fazemos sobre qualquer disciplina de desporto automóvel relevante ao redor do Mundo.”

Recordamos que a Porsche está na Campeonato do Mundo de Fórmula E (de onde sairá no final do ano), comprometeu-se em entrar no Campeonato do Mundo de Resistência e nas 24 Horas de Le Mans a partir de 2023 segundo o regulamento LMDh, além de apoiar várias equipas que usam os 911 RSR GTLM.

A Fórmula 1 foi sendo ocasional na história da Porsche, estando muito mais ligada à endurance.

A primeira vitória na F1 surgiu em 1962, com Dan Gurney ao volante do Porsche 804, no GP da França, mas a equupa abandonou a competição no final dessa temporada. Regressou muito mais tarde, em 1983, com uns motores feitos pela casa alemã, mas com o apoio financeiro da TAG (Techniques d’Avant Garde), pelo que o nome dos motores era TAG Porsche. 

Esta era uma empresa fundada por Akram Ojjeh ligada à aviação, serviços, imobiliário e outras áreas. Ficou famosa pela compra da Heuer, um relojoeiro suíço com ligações à competição automóvel e por ter sido, durante ano, a força motriz por trás da McLaren.

Ainda hoje a TAG, liderada pelo filho do criador, Mansour Ojjeh, está ligada à McLaren por via dos 14% que detém no capital do McLaren Group, que inclui a divisão Racing e Automotive.

Nessa época, entre 1984 e 1986, a casa alemã ganhou três títulos de pilotos e dois de construtores. Sairia de cena até que voltou de uma forma precipitada com a Footwork em 1991. A Porsche forneceria um motor à equipa Arrows que acabava de ser comprada pelo milionário japonês Wataru Ohashi, dono da Footwork Express (empresa de logística) que era um verdadeiro “tijolo”.

Na realidade, era um V12 formado a partir de dois blocos TAG Porsche usados entre 83 e 87, sem os turbos e com um peso de 180 kgs, totalmente fora daquilo que era necessário para a F1. O Porsche 3512 era um flop, faltando-lhe potência (os moores TAG com turbo já tinham essa dificuldade) fiabilidade e um consumo de óleo tal que a maior parte das vezes partia por falta de lubrificante.

Rapidamente a Footwork abandonou o projeto trocando os motores da casa de Weissach pelos Cosworth DFR preparados por Brian Hart.