Clássicos

Lembram-se do Mercedes SLS Electric Drive que custava 416 mil euros e tinha uma autonomia de 248 km?

Todos sabem que ninguém está a ganhar dinheiro com a produção de carros elétricos… o custo de desenvolvimento é tal que os preços seriam pornográficos. O que não quer dizer que sejam baratos…

O 13 mil milhões de euros que o grupo VW está a investir na mobilidade elétrica vão ser recuperados quando? Talvez daqui a 10, 20 anos? Ou nunca?

Pode estar a perguntar: mas afinal o que é que isto tem a ver com o Mercedes SLS Electric Drive? Tudo!

Com o confinamento, andei a esgravatar na Netflix, HBO e Prime Video, além do Youtube e descobri uma pérola, o filem “Who Killed the Electric Car?”, Um filme de Chris Paine com Martin Sheene. 

Ora, na sinopse fala da possibilidade de não haver gasolina ou gás e termos de andar apenas em carros elétricos e do EV-1, o modelo elétrico da General Motors cujos proprietários adoraram, mas que desapareceu tao depressa como apareceu.

A certa altura, é explicado coo é que seria devastador para a General Motors se vendesse o EV-1 ao preço que as pessoas estavam dispostas a pagar.

A GM produziu 1100 EV1 e foram alugados a um preço entre 250 e 500 dolares. Um valor que nem de perto pagava o custo de desenvolvimento e produção. O GM EV-1 custava 340 mil dólares à saída da fábrica.

Ora, a GM vendeu uma mão cheia de EV-1 a vedetas de Hollywood a um preço entre 50 e 60 mil dólares. Evidentemente que o carro não podai entrar na produção em série. Até porque o preço de tabela que tinham em mente seria de 34 mil dólares. Imaginem, então, o que a GM teria perdido se avançasse para a produção do EV-1!

Mas há mais exemplos! Lembram do Fiat 500 elétrico da anterior geração? Aquele que Sergio Marchionne pedia às pessoas para não comorarem para não aumentarem o prejuízo de fazer o carro? Dizem que cada 500 elétrico vendido significava um prejuízo de 10 mil dólares!

Obviamente que há marcas diferentes como a Tesla, que ganha dinheiro com a venda de carros elétricos. Porém, a casa americana está muito longe de ter como único caminho rumo ao lucro através da venda de carros.

O grupo VW, que já aqui falei, está a ter enormes dificuldades em gerar proveitos dos carros elétricos, pois todos estão a ser financiados pelos governos. E quando a teta acabar… se já não houver carros com motor de combustão… voltamos a andar de carroça ou burro! O que é que isto tudo em a ver com Mercedes SLS Electric Drive? 

O superdesportivo da Mercedes AMG nesta conversão para carro 100% elétrico até não se saiu nada mal. A Mercedes não hesitou e em 2014, pumba! Toma lá um SLS elétrico a custar… 416.500 euros! Pumba! A Mercedes a colocar no comprador o preço do carro elétrico que com 740 CV de um motor, tal como a bateria, foram desenvolvidos pela equipa que fez a motorização híbrida da equipa Mercedes AMG na Fórmula 1.

O carro chegava aos 250 km/h e oferecia uma autonomia de 250 km. Olhando para as características parecia um SLS normal e tudo apontava para que ficasse na história. Infelizmente… nada disso aconteceu porque ninguém queria dar quase meio milhão de euros por um carro que tinha… pavio curto! 

A Mercedes ousou fazer o carro, gastou uma pipa de dinheiro a desenvolver e a coloca-lo num patamar de eleição – a autonomia acbou por não ser nem perto a anunciada – e não quis atirar pela janela esse investimento. Numa bateria de 60 kWh de capacidade, a autonomia real era muito inferior aos 250 km anunciados.

O SLS Electric Drive era um bom carro, era uma boa ideia, mas a incapacidade da Mercedes em perceber que o preço era pornograficamente alto e o desejo de não perder (muito) dinheiro no carro arruinou o SLS Electric Drive.

O que pode acontecer dentro em breve: os construtores cansarem-se de despejar dinheiro para uma fornalha eterna e os estados cansarem-se de passearem a vida a fazer “pingar” incentivos no lago sem fundo dos construtores.

Quando tufo isto se conjugar… vamos todos nos lembrar do Mercedes SLS Electric Drive, hoje um carro raro pois há bem menos de 100 unidades…