Clássicos

Walter Rohrl e o Porsche 924 Carrera GTS Rally reencontraram-se 40 anos depois!

A “Porsche Heritage and Museum” escondeu o projeto de recuperação do magnífico Porsche 924 Carrera GTS Rally que Walter Rohrl pilotou há 40 anos.

Foi no dia 15 de maio de 1981 que desceu do palanque de partida do ADAC Metz Rally um Porsche 924 Carrera GTS, pintado em preto e dourado. Ao volante estava Walter Rohrl, no banco do “pendura” Christian Geistdorfer.

Era o começo da única temporada que o gigante alemão fez ao volante de um carro da Porsche. Uma temporada de 1981 onde Walter Rohrl usou, também, dois Porsche 911 SC.

Nesse ano ganhou quatro ralis – ADAC Rally Hessen, Serengeti Safari Rallye Rethem, ADAC Rally Vorderpfalz e o Sachs Rallye Baltic – mas falhou o título alemão que ficou na posse de Alfons Stock ao volante de um VW Golf GTI 16V.

O 924 Carrera GTS deu algumas dores de cabeça ao piloto e aos homens da Schmidt Motorsport. Na estreia no ADAC Metz Rallye ficou no 2º lugar atrás de Manfred Hero/Klaus Hopfe ao volante de um Porsche 911 SC.

Ao volante do Porsche com a matrícula S-EK 8747, Walter Rohrl foi 106º classificado no Hunsruck Rally e abandonou no Rallye d’Antibes. Com os 911 SC, o alemão abandonou no Rallye Piancavallo (Itália) e no Manx Rallye (Grã-Bretanha) no carro com a matrícula LM-X 911 e viu a caixa de velocidade do carro oficial (BB-PW 635) partir no Rali Sanremo.

Walter Rohrl seguiu para a Opel, em 1982, onde esteve ao volante do Opel Ascona 400 oficial com o qual venceu o Monte Carlo e o Costa do Marfim, foi segundo no Safari, no Acrópole, no Brasil, terceiro na Suécia, Nova Zelândia e no Sanremo. Abandonou no Rali de Portugal devido a acidente e esteve ausente em algumas provas. Ainda assim, foi campeão do Mundo!

Quanto ao Porsche 924 Carrera GTS Rally, fez o seu último rali nas mãos de Jacky Ickx e Jack Goossens no Boucles de Spa 1982. O belga abandonou após 4 provas especiais de classificação. 

No dia 27 de agosto, o carro foi entregue ao museu da Porsche. Estava pintado de azul devido ao patrocinador dos cigarros Gitanes com que Ickx competiu na Bélgica.

Imediatamente voltou à sua cor original preto e dourado, as cores da Monnet, o produtor de bebidas alcoólicas, particularmente, conhaque.

A HISTORIA DO 924 GTS

Desde 1982 que o carro não conheceu nenhuma alteração, tendo estado guardado. Foi feito com base no 924 Carrera GTS, o modelo mais caro da gama 924: custava 110.000 marcos.

A utilização nos ralis tinha como grande objetivo provar que a tecnologia transaxle funcionava no desporto automóvel. O motor turbo do 924 Turbo (tipo 931) foi a base do bloco de 210 CV do 924 Carrera GT (tipo 937). Carro que foi homologado em Grupo 4 em junho de 1980.

O 924 Carrera GTS (tipo 939) debitava 240 CV e depois nasceu um Clubsport com 270 CV. O GTR pensado para uma utilização em pista tinha 375 CV.

A produção do 924 Carrera GTS foi de 50 carros de volante à esquerda todos pintados de vermelho “Guard”. Com os protótipos, a produção não excedeu 59 unidades.

O S-EK 8747 pilotado por Walter Rohrl e preparado pela Schmidt Motosport, nasceu no dia 12 de dezembro de 1980 e foi o quinto de nove protótipos do novo 924 Carrera GTS. O motor de quatro cilindros também era um protótipo. Nunca foi mexido durante a curta vida como carro de ralis, não tinha número de série e nunca quebrou no ano de provas Tem 10.371 quilómetros e em 2021… continua forte e fiável.

A recuperação do carro quis manter a “patina” e por isso ainda tem os cintos originais já ligeiramente debotados pelo sol que o largo óculo traseiro deixa passar. Os cintos do lado do piloto têm um R bordado, no lado do passageiro está o CG. Walter Rohrl e Christian Geistdorfer!

Obviamente que muitas peças tiveram de ser substituídas e algumas foram melhoradas. Outras foram reconstruídas e voltaram para o carro. Falamos dos travões do 911 Turbo e o permutador de calor e a sua caixa.

Tudo foi analisado ao msis ínfimo pormenor, tendo sido desmontada a caixa de velocidades (o motor não foi preciso pois foi analisado com um endoscópio) e a embraiagem substituída por uma original que estava no inventário de peças do Porsche Museum.

Os especialistas de Weissach contaram com a ajuda de Roland Kussmaul, um engenheiro, piloto de testes e um piloto de ralis. Foi Kussmaul quem montou e preparou o carro para a Schmidt Motorsport usar no Campeonato Alemão de Ralis de 1981. 

As diferenças do carro de ralis residiam nas ligações do eixo traseiro revestidos de fibra de vidro para proteção, placas de proteção por baixo do carro na zona do cárter e da caixa de velocidade e diferencial, uma linha de abastecimento de combustível vindo do V8 do 928 que permitia uma maior débito de combustível. O motor tinha cárter seco e o depósito de óleo estava na traseira com uma abertura para reabastecimento perto da fechadura da tampa da bagageira.

Os homens do museu da Porsche tiveram muita dificuldade em manter o projeto de recuperação do carro secreto, pois queriam faze-lo sair da oficina no dia do seu 74º aniversário.

Mas conseguiram e no dia do seu 74º aniversário (7 de março) surpreenderam Walter Rohrl e reuniram o alemão ao Porsche e a Roland Kussmaul. 

“Foi uma enorme surpresa para mim. Deixei o carro há 40 anos e não voltei a me sentar nele desde então. Fiquei sem palavras quando o Roland apareceu do nada com o carro. Este carro abriu as portas da Porsche para mim. Para mim foi uma viagem no tempo e senti-me, imediatamente, 40 anos mais novo. Como condutor de carros com motores naturalmente aspirados, as carcaterísticas dos motores turbo deixavam-nos doidos. O tempo de resposta era enorme! Para conseguir sair das curvas depressa, tínhamos de acelerar novamente antes da curva e manter o motor a altas rotações. O 924 Carrera GTS Rally nasceu bem e foi rápido imediatemente. O motor tinha 250 CV no início, mas foi aumentando ao longo da temporada. Mas a grande vantagem estava no comportamento e na tração, não na potência. E tudo continua a funcionar hoje. Típico da Porsche” rematou Walter Rohrl com uma gargalhada.