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Sabe por que razão o mercado das “pick up” não explodiu como se pensava em 2017?

Lembra-se quando a Mercedes chocou o mundo ao dizer que ia entrar no mundo das “pickup”? Com a Renault a seguir o exemplo, aproveitando a boleia que a Nissan deu a ambas com a Navara. Hoje, a bolha está vazia.

A depressão foi tão grande que a Mercedes já acabou com o Classe X e a Renault fez o mesmo no Velho Continente com o Alaskan. O otimismo que existia em 2017 não foi transposto para as vendas e a verdade é que o segmento continua a ser um nicho.

Vamos aos números.

O ano passado, o segmento das “pick-up” valeu 6,8% do mercado dos veículos comerciais, ou seja, foram vendidas 116.280 unidades. Recuando a 2017, a quota era de 7,9%. E em 2018, as previsões diziam que das 156.121 unidades vendidas em 2017, seria dado um salto para as 200 mil unidades. A verdade é que o crescimento foi tímido para 165.785 veículos (longe das previsões) e em 2019, houve um recuo para 159.280 carros.

A tendência que levou a previsões tão otimistas iniciou-se em 2015 com 116.565 unidades, 139.946 em 2016 e 158.848 unidades em 2017. Surgiram os modelos de marcas de topo e o mercado atingiu o zénite em 2018 com 165.121 unidades.

A partir daqui o mercado entrou em plano inclinado e em dois anos perdeu quase 50 mil unidades (48.841 modelos vendidos).

Recordamos que a Nissan forneceu a base do Classe X da Mercedes e do Alaskan da Renault. Seja pelos preços absurdos, seja pela sensação de estar a comprar uma Navara com aspeto Mercedes, o Classe X ficou aquém daquilo que ditava o plano financeiro do modelo. O esfriar da relação com a Aliança Renault Nissan Mitsubishi foi o empurrão final para a Mercedes deixar cair a guilhotina sobre o Classe X. 

No caso da Renault, as causas foram semelhantes e antes que os prejuízos fossem maiores, tirou a ficha ao Alaskan.

E neste momento, pasme-se, a Nissan Navara, a quarta mais vendida do segmento, está em risco de sair do Velho Continente porque a casa japonesa vai fechar a fábrica de Barcelona. Exatamente onde é produzida a Navara e foram produzidos o Classe X e a Alaskan.

Não há nenhuma confirmação oficial, mas fontes próximas do processo já confirmaram que o mercado europeu não vai receber a mais recente atualização que a Nissan vai produzir na… Tailândia. Seria demasiado caro importar as unidades produzidas na Ásia.

O outro membro da Aliança Renault Nissan Mitsubishi a poder desligar a ficha na Europa será a Mitsubihsi. A L200 não está a conseguir seduzir mais clientes com a sua frente… vá lá, diferente e o anúncio de saída do mercado europeu fez pensar que era o fim.

Claro que, entretanto, a decisão foi revogada e a Mitsubishi venderá os seus produtos e novos produtos feitos com a Renault. Mas, ainda assim, acredita-se que a L200 Strakar, a 3ª pick up mais vendida na Europa, possa ter os seus dias contados. Ainda por cima a Fiat já deixou de vender a Fullback (uma L200 renomeada) terminando um acordo nascido em 2016 e a L200 que a casa japonesa vende não cumpre as emissões Euro 6d-Temp.

Enfim, parece que foi um erro total convencer os europeus das qualidades das “pick-up”. E não resultou porque poucos são os europeus que encaram uma “pick-up” como alternativa a um automóvel. A maioria escolhe uma carrinha ou um pequeno SUV para as suas “aventuras”.

O mercado europeu das “pick-up” é liderado pela Ford Ranger. Isto com dados da Jato Dynamics reportados ao primeiro trimestre de 2021.

A Ranger vendeu 12 mil unidades (+44%) face a igual período de 2020), seguido da Toyota Hilux com 8.890 unidades (+65%) e a Mitsubishi L200 com 3.552 carros (+11%).

A Navara vendeu 3.279 carros (menos 1%), seguindo-se a Isuzu D-Max (2.248 unidades), VW Amarok (575 unidades, menos 75%), Jeep Gladiator (282), RAM 1500 (259) e no décimo lugar o SsangYong Musso (168 unidades).

A maioria dos modelos vendidos pelas marcas que ainda persistem no mercado são das versões de lazer com equipamento de topo. Falamos de uma percentagem de 78%.

Entretanto, a Ford tem a caminho uma nova Ranger feita em colaboração com a VW, que, entretanto, acabou com a produção da atual Amarok. 

Mas o maior problema reside nas emissões de CO2. Estes são veículos com uma construção antiquada que não têm muito por onde cortar emissões, adicionam CO2 ºa média das gamas de produtos comerciais ligeiros.

Ora a União Europeia exige que as emissões de CO2 sejam reduzidas até 2025 face aos níveis de 2019 e 31% até 2030 comparando com 2021. Como se muda isto? Claro, com a eletrificação. 

Mas esta é uma questão pouco pacífica, pois os custos vão disparar e a complexidade de veículos que se desejam simples e robustos vai aumentar.

Porém, sabemos que a Ford Ranger (e a VW Amarok, claro) receberão uma versão híbrida Plug In. As outras marcas ainda não revelaram informação, mas se a tendência europeia é rumo às emissões zero, as “pick.up” terão de seguir o mesmo caminho. Veremos!

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