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Ensaio Lexus ES300h: um excelente automóvel executivo

Finalmente, a Lexus decidiu encarar o mercado europeu pelo lado do volume e não da exclusividade. Para isso pegou no ES, um carro desconhecido na Europa, mas que já vendeu mais de 2,3 milhões de unidades nos EUA e na Ásia, desde que foi lançado em 1989, remodelou-o e fê-lo desembarcar na Europa. 

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Consumos, habitabilidade, refinamento
  • Contra – Caixa CVT, emotividade ao volante

Com o ES, a Lexus consegue um carro mais barato que o GS, mais competitivo para as empresas e na luta com os todo poderosos alemães (particularmente o Audi A6 que é o grande alvo da Lexus), graças á utilização da mesma plataforma do Toyota Camry.

Ora, com uma plataforma que tem tração dianteira (pois é… pensavam que era um tração traseira, mas não é…) e muitos elementos estruturais e mecânicos de modelos de grande volume de vendas, o Lexus ES oferece enorme economia de escala e um lucro operacional muito maior, mas com mais equipamento e uma habitabilidade recordista. 

Sim, recordista, pois a Lexus reclama mais de um metro, sim leu bem, mais de um metro de espaço para arrumar as pernas de quem se senta no banco traseiro. E reclama com razão, pois o ES 300h é um verdadeiro “apartamento” no banco traseiro. Para lá de tudo isto, a Lexus reclama, também, que o ES tem mais refinamento e uma experiência de condução renovada, para melhor. 

E O QUE É ESTE ES300H?

Ponto de honra da Lexus: a base é a mesma, mas o ES é totalmente diferente do Toyota Camry. Mesmo que existam muitas semelhanças.

Ainda assim, a Lexus insiste e lembra que a plataforma GA-K (a do Camry) foi adaptada ao Lexus com a adição de aço de alta densidade e resistência à torção, junções de peças e materiais reforçadas pelos engenheiros da Lexus, travamento do chassis revisto e aumentado e, diz a casa japonesa, aumento sensível do material de insonorização um pouco por todo o carro.

E tenho de concordar que o Lexus é mesmo mais silencioso que o Camry. 

Há novidades na suspensão como uma inédita válvula de ultra baixa velocidade na base dos amortecedores para tornar a direção mais precisa e que permite mitigar os movimentos laterais da carroçaria em curva, ao passo que as versões de topo têm á disposição amortecedores diferentes e o F-Sport conta com amortecedores adaptativos com dois modos de utilização. Mas a versão deste ensaio não pertencia a nenhuma dessas versões.

O facto de ter a tração nas rodas dianteiras não retira qualidades ao ES, bem pelo contrário e se tiver a oportunidade de o experimentar, verá que não se apercebe em quais as rodas o Lexus descarrega o binário. Alturas há em que parece que estamos a rodar com um carro de tração atrás. 

Mas para lá do comportamento – já lá vamos! – o Lexus ES300h destaca-se pelo enorme conforto. Primeiro acústico: o material isolante adicionado e o isolamento que se consegue do mundo lá fora, mantendo todos os ruídos num murmúrio aceitável. E a forma como ficamos bem sentados nuns bancos que levaram vários anos a serem desenhados e concluídos, é absolutamente impressionante. 

E sim, tive a oportunidade de experimentar o banco traseiro com ou sem regulação das costas (as versões de topo permitem reclinar as costas 8 graus) e o que posso dizer é que o “João Pestana” andou a incomodar-me e forçou-me a fechar os olhos tão relaxado e confortável estava.

A suspensão parece que tem algum desacerto na afinação, com amortecedores mais duros e molas demasiado suaves, mas a verdade é que funciona e quando chegamos à auto estrada, o carro é imperial a altas velocidades, muito por culpa dos amortecedores pilotados, uma tecnologia complicada, mas que a Lexus domina claramente. O ruído de rolamento é quase inexistente, o carro segue sereno e seguro não se mostrando sensível à condição do piso. Por vezes até parece que é um nadinha a dar para o mole, mas a verdade é que o controlo do amortecimento é tão bom que nada estraga essa sensação de segurança que o Lexus ES transmite.

E COMO É EM UTILIZAÇÂO O ES300h?

Poder-se-ia pensar que este tipo de suspensão e o facto do carro ser um tração dianteira iria comprometer o comportamento. Nada de mais errado!

Andei com o ES300h nas estradas da Serra de Sintra e acreditem que fiquei boquiaberto com a capacidade que este automóvel com quase cinco metros de comprimento tem de curvar depressa. 

Pensem que sentados ao volante ainda têm, para trás, mais 3,5 metros de carro. Pensem que o ES tem 1,9 metros de largura e andou em estradas estreitas e muito sinuosas. Enfim, pensem que este é um carro para executivos.

Pois bem, o ES tem uma agilidade inesperada e uma compostura que, sinceramente, não estava á espera. 

É verdade que tendo menos uma centena de quilos que o Lexus GS e acusar na báscula “apenas” 1680 quilos ajuda, mas não posso esquecer as suspensões, que controlam de forma muito competente, os movimentos da carroçaria. O eixo dianteiro tem muita aderência e mesmo em casos de provocação extrema, quando começa a perder o contacto, basta levantar um pouquinho o pé do acelerador para recuperar a aderência contando, também, com uma traseira que escorrega apenas o suficiente para deixar o enorme ES apontado à saída da curva. 

Tudo feito de forma tranquila e sem sobressaltos, dando amplo espaço para controlarmos o carro antes que o ESP entre em ação. Comigo o ESP nunca entrou em ação, o que comprova a excelência do comportamento do Lexus ES300h.

Agora, isto tudo não quer dizer que o Lexus ES300h seja um carro desportivo. Obviamente que o ES não foi pensado para andar a acelerar na estrada para o Cabo da Roca ou nos troços da Serra de Sintra. É demasiado grande e, pura e simplesmente, não está pensado para isso.

Não tem nenhuma espécie de emoção ao volante e por isso desfrutamos muito mais dele quando baixamos o ritmo e utilizamo-lo como um excelente rolador, confortável e fácil de conduzir. Ai sim, o ES está perfeitamente á vontade e faz jogo igual com os rivais alemães.

Pena que a direção não seja particularmente estimulante porque tudo está demasiado filtrado e dificilmente percebemos o que andam a fazer as rodas da frente. 

Isto porque com as tais válvulas de velocidade lenta nos amortecedores, o efeito de binário nas rodas da frente não se sente. Uma direção mais estimulante seria bem-vinda.

E O SISTEMA HÍBRIDO, COMO É?

No que toca à motorização, é a mesma utilizada, por exemplo, no Toyota RAV-4. Surge aqui com 218 CV. Esta na quarta geração de motorização híbrida da casa japonesa tem um bloco a gasolina com 2.5 litros, muito desenvolvido tecnologicamente e com uma cifra que importa destacar: o conjunto híbrido do Lexus ES300h tem uma eficiência térmica de 41%. Pode não estar a ver a importância, mas se lhe disser que uma unidade de energia tem uma eficiência térmica de 51%, perceberá a excelência do trabalho dos homens da Toyota nesta motorização.

Mas, uma vez mais, a Lexus não deu o salto em frente que deveria ter dado com o ES e manteve a aposta na caixa CVT. Está muito melhor, mas continua a não rimar andamento com ruído e em algumas situações chega a ser irritante.

O maior trunfo deste Lexus ES300h – e por isso desculpo totalmente a caixa CVT – está no consumo. Cumpri mais de 1300 km ao volante do ES300h e quando o computado de bordo, depois de passar por autoestradas, estradas nacionais e de montanha, me devolve a cifra de 5,8 l/100 km, fiquei com um sorriso de orelha a orelha.

Para um carro deste tamanho – é verdade que com performances contidas embora vá dos 0-100 km/h em 8,9 segundos – é um resultado excelente e com óbvias vantagens para um utilizador empresarial.

O QUE É QUE EU PENSO DO ES300h?

O Lexus ES300h é um excelente automóvel, com bom aspeto, refinado, com muita qualidade, espaço a rodos e muito bem equipado. Curva bem, tem consumos absolutamente espetaculares e até tecnologia de ponta (pois pode ter, por exemplo, camaras no lugar dos espelhos exteriores) por fora e por dentro. Mas, sendo um tração dianteira, perde a diferença que os carros de topo sempre marcam face aos restantes. E face aos rivais alemães, oferece quase nada em termos de emoção. Porém, os clientes empresariais têm aqui uma excelente proposta. É verdade que custa mais de 71 mil euros, mas está opiparamente equipado – o sistema de som é fantástico – tem consumos excelentes e é super confortável. Se não é apaixonado pela condução (e passa a vida no banco traseiro), quer poupar nos impostos e ter um carro silencioso que lhe permita trabalhar no banco traseiro… o Lexus ES300h é um carro que deve considerar!

FICHA TÉCNICA

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta e duplo sistema de variação do tempo de abertura de válvulas; Cilindrada (cm3) 2487; Diâmetro x curso (mm) nd; Taxa compressão nd; Potência máxima (cv/rpm)218/5700; Binário máximo (Nm/rpm) 221/3600 – 5200; Motor elétrico 88 kW e 202 Nm de binário Transmissão e direção Tração dianteira, caixa ECVT; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente McPherson; independente triângulos sobrepostos; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4975/1865/1445; distância entre eixos 2870; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent.; Peso (kg) 1740; Capacidade da bagageira (l) 454; Depósito de combustível (l)50; Pneus (fr/tr) 235/60 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 8,9; velocidade máxima (km/h) 180; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,5/5,1/4,4; emissões de CO2 (g/km) 132; Preços (Euros) 76.500