Desporto

Alfa Romeo Alfasud Sprint 6C: o grupo B italiano que nunca chegou aos ralis

A casa de Arese quis entrar nos ralis com um carro esculpido pelas regras do Grupo B, aprovadas em 1980, em vigor a patir de 1982. Regulamento livre, com mais buracos que um queijo suíço e baixas exigências para homologação eram ideais para a Alfa Romeo.

Esta é a história de mais um projeto nado morto que teve como base o Alfa Romeo Alfasud Sprint 6C., desenvolvido para entrar em ação na temporada de 1983. Infelizmente… nunca aconteceu!

A base era o Alfasud Sprint, um carro redesenhado pela Autodelta. O modelo de competição tinha uma nova seção dianteira e traseira – com para choques redesenhados – guarda lamas dianteiros e ilhargas traseiras com generosos alargamentos, e um spoiler traseiro além de persianas a imagem do Lancia Stratos.

Diz-se que a Alfa Romeo fabricou dois protótipos de avaliação para homologação segundo as regras do Grupo B: um que estudava a versão de estrada, o outro a explorar as liberdades do regulamento.

Nesta sua versão de competição para o Grupo B, o Sprint 6C era um automóvel excecional. Os brilhantes engenheiros da Autodelta pegaram na motorização do GTV6 que tão boa conta de si deu nos campeonatos de turismis, e colocaram-na atrás dos bancos dianteiros. Uma espécie de Renault 5 Turbo.

Assim, o Alfasud Sprint 6C passava de um tudo à frente para um carro de motor central traseiro com tração às rodas traseiras.

O motor do GTV6 debitava 220 CV e por isso a escolha do mesmo era apenas lógica.

Em 1982, a Alfa Romeo apresentou o carro em Monza e, mais tarde, no Salão de Paris. Dizia.se à boca pequena que não passava de uma carcaça não funcional e feita apenas para mostrar ao público. O conta quilómetros a zero nos vários momentos em que o carro foi exibido, provava essa teoria.

Os dois protótipos divergiam nas seguintes características. O primeiro tinha a grelha pintada de preto, dois espelhos redondos nas portas, um spoiler traseiro onde estava a inscrição “Sprint 6C”, as persianas pintadas de preto e uma saída de escape oval de generosas dimensões.

Já o segundo carro tinha uma grelha cromada, faróis auxiliares por baixo do para choques dianteiro, apenas um espelho do lado do condutor, persiana pintadas de vermelho, spoiler traseiro com logótipo da Alfa Romeo, chapa de matrícula colocada em outro local e para choques redesenhados com dupla saída de escape.

Ambos tinham uma separação entre o habitáculo e o motor e o óculo traseiro não tem vidro, substituído pelas persianas.

O segundo protótipo tinha um interior funcional com muito material de competição. O modelo era funcional e mostrava o conjunto motor caixa, as suspensões e as barras do “roll bar”, demasiado finas.

O motor V6 de 2480 c.c. foi alargado para 2503 c.c. e assim cair na classe entre os 2500 e os 2999 c.c.. Parecia uma idiotice, mas a verdade é que assim, o carro passou para os 990 kgs, bem próximo dos 960 kgs de homologação.

Mas, por outro lado, esta categoria permitia usar pneus mais largos e oferecia a possibilidade de evoluir o motor para os 2999 c.c. e assim oferecer mais potência.

O motor de estrada deveria debitar 160 CV, enquanto o modelo de competição tinha entre 240 e 300 CV, mas sempre em modo atmosférico.

Mas este motor nunca foi utilizado pois os protótipos exibiam o “normal” motor do GTV6.

E quando tudo estava pronto para lançar o carro na competição, por razões que ainda hoje se desconhecem, o Sprint 6C foi arrumado na gaveta e surgiu no seu lugar o Alfetta GTV Turbodelta, nascido em 1980 e homologado em grupo 4, para homologar em Grupo B!

Uma razão pode estar nos graves problemas financeiros que a casa de Arese tinha na época e que impedia fazer 200 carros para homologar. 

O “5 Turbo italiano” tinha tudo para ser um sucesso comercial, já que desportivo seria mais complicado dadas as suas características.

Esta decisão privou o mundo de ver lado a lado o Lancia 037 e este Alfa Romeo Alfasud Sprint 6C.

Acabou por ser mais um nado morto, um carro espetacular que honrava a tradição e que acabou por nunca ver a luz do dia. Uma pena!