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Híbridos Plug In reduzem as emissões de CO2. Verdade ou mentira?

Esta é uma questão que continua a apoquentar as mentes mais inquietas e até já originou patetices como o fim dos incentivos aos híbridos, cortesia do ex-deputado do PAN. Afinal, os híbridos Plug In reduzem, ou não, as emissões de CO2?!

Tenho de dizer que os híbridos Plug In estão a ser bem recebidos e as vendas estão a acelerar há vários meses. Tudo porque há muitos mercados onde os Governos oferecem generosos incentivos à compra deste tipo de veículo.

SABE PORQUE É QUE OS UTILIZADORES GOSTAM DOS HÍBRIDOS PLUG IN?

Porque podem conduzir em modo 100% elétrico sem ansiedade, pois no caso da bateria se exaurir, o motor térmico e um depósito de combustível estão lá para ajudar e o sistema comporta-se como um excelente híbrido.

SABE PORQUE É OS CONSTRUTORES GOSTAM DOS HÍBRIDOS PLUG IN?

Porque com um valor inferior, conseguem descer as médias de emissões de CO2 e escapar às pesadas multas por excesso de emissões impostas pela União Europeia.

Sabe porque é que os ambientalistas detestam os híbridos Plug In?

Porque estão comprometidos com a defesa dos automóveis 100% elétricos e argumentam que um híbrido Plug In tem emissões muito superiores ao homologado pelo protocolo WLTP.

AFINAL, QUEM TEM RAZÃO?

Comecemos pelos consumidores. Sim, andar em modo elétrico é divertido e olhar para o computador de bordo e ver consumos abaixo dos quatro litros de gasolina é uma felicidade. Sim, não ter ansiedade sobre a autonomia é uma mais valia. Enfim, os híbridos Plug In são um verdadeiro dois em um. 

Porém, se não carregar todos os dias a bateria, verá como o carro sem ajuda elétrica é um disparate. Mesmo funcionando como híbrido convencional – recuperando a energia cinética da travagem e da desaceleração – os consumos sobem em flecha. 

Portanto, escute bem, se optar por um híbrido Plug In TEM de carregar a bateria todos os dias!

Os construtores sabem que a democratização dos híbridos permitirá baixar a média de emissões sem gastar os horrores de dinheiro necessários para manter o ritmo de produção de modelos 100% elétricos. 

E então, os híbridos Plug In reduzem ou não, significativamente, as emissões de CO2?

Tive à minha disposição uma carrinha Kia Ceed PHEV com a qual cumpri quase 800 km e dediquei-me a fazer contas para lhe oferecer uma escolha o mais educada possível.

Para fazer os 800 km, gastei 30,4 litros de gasolina, ou seja, um consumo de 3,8 l/100 km que custaram 48.944€. Carreguei o carro duas vezes na totalidade, ou seja, duas vezes 8,9 kWh num total de 17,8 kWh que custou 6,293€.

Com a bateria 100% carregada, a autonomia indicada era de 52 km e consegui 48 km. Pelo que sem uso da autoestrada os 52 km são perfeitamente possíveis. Ou seja, com este nível de consumo, as emissões de CO2 foram de 89 gr/km de CO2.

Já agora, dizer que quando deixei de contar com a bateria, os consumos não subiram acima dos 5,1 l/100 km, um resultado muito bom.  

A Kia anuncia como consumo médio 1,5 l/100 km e emissões de 33 gr/km. Valores só alcançáveis em laboratório. Mas… qual a razão para esta discrepância?!

OS MISTÉRIOS INSONDÁVEIS DO WLTP

Foi criado na esteira do Dieselgate e prometia valores bem mais honestos que o NEDC e aproximados da vida real.

Gostei dos consumos do Kia Ceed, mas fiquei longe do anunciado e homologado. A questão é saber porquê!

No teste WLTP à o fator de utilidade (UF) que significa a distância que o carro percorre apenas com eletricidade. Ora, para os híbridos Plug In, o teste WLTP oferece um UF maior na mesma medida que a autonomia elétrica. Ora os 50 km do Kia Ceed PHEV tem um UF de 0,7. Ou seja, o consumo de combustível e as emissões são calculados em 70% dos quilómetros em modo totalmente elétrico.

Estive longe de conseguir fazer 70% dos 800 km cumpridos em modo 100% elétrico e por isso a diferença de consumos. Diz a calculadora que não fui além de 100 km em modo 100% elétrico, pelo que o consumo é bem diferente do homologado.

ENTAO, AFINAL, QUEM TEM RAZÃO?

Os modelos híbridos Plug In reduzem, verdade, de forma significativa as emissões de CO2 e os consumos. Os híbridos Plug In são mais amigos do ambiente, também é verdade.

Mas na vida real, os híbridos Plug In não reduzem de forma tão significativa como esperado. Mas um grande número de modelos e a cada vez maior habituação a este tipo de motorização oferecerá ganhos sensíveis em termos de economia e emissões de CO2.