Home

Indústria automóvel europeia prepara-se para metas de CO2 mais duras em 2030

A Comissão Europeia tem em estudo proposta que a ser aprovada reduzirá 60% os valores de CO2… face a 2021! E 100% menos que em 2021 já em… 2030!

A “bomba” está a caminho: a União Europeia está prestes a endurecer as normas de emissões de CO2 com o pacote “Fit for 55”. Será no dia 14 de julho e abrirá um debate que se antevê feroz entre legisladores, indústria e países membros.

Este “Fit for 55” resulta de um acordo alcançado em abril que determina que as emissões globais de carbono devem reduzir-se até 55% até 2030, mais 15% que o objetivo atual de 40%. Isto para que em 2050, a União Europeia tenha neutralidade carbónica.

Para os construtores de automóveis, qualquer endurecimento das emissões de CO2 significará que o ritmo da electrificação terá de ser intensificado. Entre as propostas alegadamente em discussão na Comissão Europeia encontram-se uma redução de 60% das emissões até 2030, seguida de uma redução de 100% até 2035. Ou seja, será a morte absoluta dos veículos com motor de combustão interna.

Segundo os atuais objetivos de emissões de CO2, aprovados em 2018 após um duro e pouco simpático debate, tem de existir uma redução de 15% em 2025 em relação à norma de 2021 de 95 gramas por quilómetro e um corte de 37,5% até 2030. 

Foi com essa ideia em mente que os construtores traçaram os seus planos plurianuais e por isso mesmo lançado dezenas de novos modelos híbridos, híbridos Plug In e 100% elétricos desde 2020. 

A associação alemã VDA emitiu na semana passada uma declaração clara: impor um corte de 100% de CO2 até 2035 iria “forçar praticamente a indústria automóvel europeia a comercializar apenas veículos elétricos a bateria. Restringir a tecnologia a uma única opção de transmissão num período de tempo tão curto é preocupante e não dá qualquer consideração aos interesses dos consumidores.” 

Obviamente voltou a alertar para os efeitos sobre o emprego. “Os efeitos sobre o emprego, particularmente os da indústria de abastecimento, serão consideráveis. Um estudo mostra que, com os objetivos existentes da UE, cerca de 215 mil postos de trabalho poderão ser afetados até 2030”.

Julia Poliscanova, do influente grupo Transport & Environment, disse que a expansão das vendas de veículos eletrificados em 2020-21 provou que eram necessários regulamentos para criar um mercado. 

“Não se trata apenas de alterar os objectivos que acordámos há alguns anos atrás, pelo prazer de o fazer”, disse ela no fórum da Climate Foundation. “Trata-se de atualizar regulamentos desatualizados, primeiro tendo em conta o progresso tecnológico, que não sabíamos que iria acontecer tão rapidamente desde 2018, e segundo tendo em conta os objetivos climáticos mais elevados que foram recentemente estabelecidos sob a nova Comissão Europeia”.

O Transport & Environment está a insistir num aumento da meta de 2025 para menos 25%, passando a norma de 2030 de menos 37,5% para 2027, e fixando uma meta de 2030 de um corte de 65%, com um corte de 100% em 2035.

De acordo com um relatório da T&E, apenas a Volvo e o Grupo Volkswagen estão bem preparados para cumprir as normas de 2030. “Mesmo que todos estes compromissos voluntários fossem cumpridos, a Europa continuaria a estar 10% abaixo dos objectivos”, disse ela. 

A Audi tornou-se a marca mais recente a anunciar uma data final para as vendas de motores de combustão, confirmando esta semana que iria eliminar progressivamente tais motores na maioria dos mercados até 2033.

Mas há mais desafios para os construtores. Para lá do “Fit for 55” vão enfrentar o regulamento da norma Euro7.

Ainda não há detalhes oficiais, mas os alemães da VDA afirmaram em abril que as propostas atualmenteem consideração para o Euro7 são 5 a 10 vezes mais severas do que as da Euro 6. O que, na prática, pode impossibilitar a venda sw automóveis com motores de combustão, incluindo os híbridos plug-in, que estão a ganhar cada vez mais adeptos.