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Ensaio Seat Leon 1.4 eHybrid Sportstourer: um híbrido sedutor

Como referi no ensaio da versão da carrinha 1.5 eTSI (híbridazação ligeira), a SEAT ganhou estatuto dentro do grupo VW e por isso assim que o Golf foi renovado, a casa espanhola fez o mesmo ao Leon, modelo fundamental porque já é responsável por mais vendas que o Ibiza. Depois do ensaio à versão de hibridização ligeira, vez á versão híbrida recarregável.

Rating: 4 out of 5.
  • A Favor – Consumos, Estilo, Facilidade de condução
  • Contra – Tempo de recarga, bagageira

O Leon tem uma frente inconfundível e expressiva com as luzes diurnas a formarem um triangulo que é substituído pelos indicadores quando queremos mudar de direção. Uma lateral musculada e muito limpa com a superfície vidrada equilibrada e os ombros bem definidos que termina numa traseira elegante onde uma barra LED liga os dois farolins semelhantes aos faróis dianteiros.

Enfim, um estilo que tem escola dentro da SEAT, sedutor com uma simplicidade que se destaca de outros construtores.

Tecnicamente, o Leon é semelhante ao Golf com a utilização da plataforma MQB Evo, o que também permite usar um eixo traseiro de rodas independentes. Isso e o facto de usar o motor de 150 CV, com a SEAT a reservar a versão com eixo de torção para as versões base e menos potentes.

O carro está maior e essa vantagem de tamanho é uma das razões por que o Leon Sportstourer acaba por ser mais interessante que o Golf. A carrinha do Leon tem 4642 mm de comprimento e 2686 mm de distância entre eixos, ou seja, mais 9 mm de comprimento e mais 17 mm de distância entre eixos. Quase nada, mas no que toca à habitabilidade, o carro espanhol garante superioridade. Já lá vamos.

Dizer que a direção do Leon tem assistência elétrica e o sistema de manutenção na faixa de rodagem. Sinceramente, é algo que irrita um bocadinho porque faz lembrar aquela série de livros “Qualquer coisa para totós”. 

Sim, a direção está sempre a intervir, a corrigir e opõe-se com alguma firmeza a que mudemos de faixa ou façamos uma trajetória conde temos de pisar terrenos que não são os nossos.

Defeito do Leon? Não! Do VW Golf, do Audi A3, enfim, de todos os carros do grupo VW e de todas as marcas. As cinco estrela das EuroNCAP continuam a ser valiosas… Portanto, desligar o sistema será uma boa ideia. Um sistema de segurança que, no meu entender, é exagerado.

Mais agradável é o “cruise control” adaptativo. Além de manter a velocidade com vigilância do que se se passa à nossa frente, consegue ser preditivo. Leva em linha de conta o tráfego e, também, os limites de velocidade, a sinuosidade do percurso e os cruzamentos. Desde que tenha o sistema de navegação no carro, o sistema cuida de todas estas variáveis.

E não fique preocupado, pois, tudo se passa suavemente. E sim, sendo intrusivo é um garante de segurança e tranquilidade na condução. Na travagem, a SEAT costuma ir além do que é preciso e o conjunto de discos à frente e atrás dão mais que conta do recado. Que funciona muito bem com o sistema de travagem autónoma de emergência. Que além de identificar obstáculos, trava o carro se o condutor não reagir aos estímulos sonoros e visuais, interpretando como perda de sentidos do condutor essa falta de ação, reduzindo a velocidade e levando o carro para a berma.

INTERIOR PRÁTICO E AGRADÁVEL

Sendo quase tão comprida como uma Skoda Octavia, a carrinha Leon é muito agradável para se viver, desde logo com uma boa habitabilidade e uma bagageira amputada da sua generosa capacidade devido às baterias. São, apenas, 470 litros bem menos que a versão original (620 a 1600 litros na versão sem hibridização Plug In). 

O melhor está lá à frente onde a SEAT tudo fez para nos agradar. Primeiro, o condutor tem vários espaços de arrumação em seu redor para guardar as tralhas seja um condutor ou uma condutora. Telefone, chaves, enfim, tudo tem espaço para ser arrumado.

Infelizmente a SEAT seguiu a tendência de retirar os comandos físicos das várias funções e perdeu-se funcionalidade. Porque há opções que não são imediatas e há, sempre, um botão que teima em não fazer o que lhe mandamos.

Mais! Continuo a não perceber como é que é mais prático aumentar a temperatura dentro do carro com a ponta dos dedos da esquerda para a direta e vice-versa que girando um botão. Exige uma atenção desnecessária que um botão dispensa.

Felizmente que para comandar o sistema de som há botões no volante.

O controlo da iluminação também é feito num quadro sensível ao toque. Uma vez mais, bem menos elegante e prático que o botão e exigir atenção desnecessário que deveria estar na estrada.

Palavra final para os bancos, confortáveis facilmente reguláveis, sendo fácil encontrar a melhor posição de condução. Atrás, o discurso fala de conforto e, sobretudo, espaço. O Leon Sportstourer é, mesmo, muito espaçoso!

E COMO É O LEON HÍBRIDO?

O sistema híbrido Plug In do Leon é igual ao do VW Golf GTE ou do Audi A3 40 TFSI. Une o motor 1.4 litros turbo a gasolina com 150 CV e um motor elétrico com 116 CV. Curiosamente, mais 6 CV que no Golf GTE… 

Contas feitas, são 204 CV e 350 Nm de binário, ou seja, é o SEAT Leon mais potente (descontando o Cupra). Logo, as performances são generosas e mais que suficientes.

Depois, a mecânica destaca-se pela sua suavidade e silêncio. Particularmente quando rolamos em modo elétrico, o que o Leon 1.4 eHybrid Sportstourer faz durante 56 km.

O sistema tem um modo de condução híbrido que faz a gestão perfeita entre o motor de combustão e o motor elétrico e raramente damos pela troca. Apenas numa situação de acelerador a fundo, o bloco de 4 cilindros faz-se ouvir.

A caixa DSG de seis velocidade está perfeitamente adaptada à tarefa e tem a particularidade de poder ser comandada através de patilhas colocadas atrás do volante. E, já agora, esse comando da caixa permite encontrar generoso travão motor quase como num modelo elétrico.

Graças ao chassis rigoroso e à qualidade do amortecimento, judiciosamente escolhido para albergar os 250 kgs de peso a mais do sistema híbrido, a carrinha Leon é um regalo em utilização. Há ali uma dificuldade com a motricidade, particularmente em pisos molhados ou pisos escorregadios.

Insisto. O carro exibe um excelente compromisso entre rigor, refinamento, comportamento e conforto.

No que toca aos consumos, como faço com todos os híbridos, percorri um traçado misto com estrada, cidade e auto estrada. A média final ficou nos 5,8 l/100 km com o mínimo de 4,9 l/100 km e um máximo de 8,1 l/100 km, sendo que num traçado de 50 km em cidade e um pouco de estrada em redor da cidade, tenha registado 2,1 l/100 km, com um autonomia de 49 km. 

O QUE É QUE EU PENSO DO LEON 1.4 eHYBRID SPORTSTOURER?

A casa espanhola oferece um Golf… diferente. Sim, o Leon é um Golf, mas mais elegante e sedutor e… mais barato. Mas há mais! O Leon Sportstourer é mais espaçoso que o Golf Variant! É uma excelente carrinha, mais barata que as rivais do grupo com um sistema Plug In que funciona muito bem, exceção feita às mais de 7 horas necessárias para recarregar a bateria de 12,9 kWh ou as 3,5 horas se fizer a recarga numa “Wall box” de 3,6 kWh.

Ficha técnica

Motor: 4 cilindros em linha; Cilindrada (cc): 1395; Potência máxima (CV/rpm): 150/5000; Binário máximo (Nm/rpm): 250/1550 a 3550; Motor elétrico (CV): 116 CV; Binário (Nm): 330; Potência máxima combinada (CV): 204; Binário Máximo Combinado (Nm): 350; Transmissão: dianteira, caixa DSG 6 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/Independente multibraços; Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos; Prestações e consumosAceleração 0-100 km/h (s): 7,7; Velocidade máxima (km/h): 220; Consumos (l/100 km): 1,2 – 1,3; Emissões CO2 (gr/km): 27-30; Dimensões e pesos Comp./Lar./Alt. (mm): 4360/1800/1456; Distância entre eixos (mm): 2686; Largura de vias (fr/tr mm): 1545/1516; Peso (kg): 1583; Capacidade da bagageira (l): 470 a 1600; Deposito de combustível (l): 40; Capacidade da bateria (kWh): 12,8; Autonomia elétrica (km): 58 – 63; Pneus (fr/tr): 225/40 R18; Preço: 39.022€