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Ensaio Citroen C4 1.2 Puretech 130: o regresso do rei do conforto!

A Citroen seguiu um caminho diferente no que toca ao estilo, tentando ser diferente ao unir o melhor dos SUV, carrinha e berlinas com uma influência do passado. O GS esteve presente no desenvolvimento do novo C4 que une no mesmo carro uma amalgama de segmentos e um conforto inigualável. Ensaio à versão a gasolina.

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Estilo original e sedutor, habitabilidade, conforto
  • Contra – Comportamento menos dinâmico, altura do banco traseiro ao tejadilho

Confesso que quando soube que o C4 seria oferecido sem os famosos “Airbumps” pensei com os meus botões: querem ver que a Citroen recuou e vai voltar aos carros aborrecidos do passado?! 

A verdade é que não, a Citroen não recuou e esta terceira geração do C4 cumpre aquilo que parece ser uma tradição: casa geração é totalmente diferente da outra. A primeira era uma berlina comum de três ou cinco portas, a segunda encarnou no Cactus, um carro radical que caiu no goto das pessoas, mais que a segunda vida da segunda geração do C4.

Ora, o recente C4 é muito diferente e abraça vários segmentos com uma carroçaria que está entre a berlina e a carrinha, uma altura ao solo à imagem de um SUV com as cavas das rodas protegidas por plástico negro.

Com 4,4 metros de comprimento, 1,50 metros de altura e 1,80 de largura, o C4 está entre segmentos, pertencendo ao segmento D até pela distância entre eixos de 2,7 metros.

Mas quando nem mesmo a Citroen sabe onde encaixar o C4, podemos dizer com toda a propriedade que o modelo é um “crossover” que abraça vários segmentos e várias formas de ser automóvel.

E o estilo do C4 é propositado para causar disrupção e para tentar ter rabo para duas cadeiras: a dos SUV e as berlinas de cinco portas que, quer se queira, quer não valem 76% das vendas do segmento C.

Com o C4, a Citroen tenta satisfazer dois segmentos com um só tiro, não se coibindo de puxar para a frente o GS como referência. Qual é o problema? O estilo do C4 é do tipo amor ódio e isso pode afastar alguns clientes ferrenhos. Por outro lado, pode levar a que alguns ferrenhos adeptos da marca possam torcer o nariz. Mas para isso está lá a imagem do GS.

E sim, o estilo pode não ser consensual, mas o C4 é sedutor! Sim, a Citroen ousou e ao invés de seguir a via da segurança, preferiu seguir a via Citroen, ou seja, ser diferente. Como sempre foi durante décadas. 

Poderá o C4 chocar alguns num segmento hiperconservador, mas a Citroen dá uma prova de carácter ao apostar no C4 com este estilo que, digo uma vez mais, é bom e é sedutor. É a minha opinião!

UM INTERIOR MAIS CONVENCIONAL

Se o exterior é audacioso, o interior é mais convencional. Este é o segmento das famílias pelo que prezam a habitabilidade e os aspetos práticos. Ora, o caderno de encargos da Citroen para o C4 tinha exatamente como principais premissas estas duas áreas. 

Por isso a Citroen diz que reforçou o espaço para arrumar as pernas no banco traseiro e posso dizê-lo que a habitabilidade é, mesmo, um dos pontos fortes do C4. Mesmo que esteja um “calmeirão” no banco do condutor, quem segue atrás numa estará constrangido.

Menos conseguido é o espaço entre o banco e o tejadilho e os moços e moças de maior altura podem bater com a cabeça no tejadilho. A forma da carroçaria – que oferece um coeficiente de arrasto favorável – cobra essa fatura. Não aconselhado a quem tenha perto de 2 metros de altura… Enfim, constrangimentos deste carro que é um SUV, um coupé e uma berlina de 5 portas.

A bagageira tem dois patamares de utilização com 340 litros de capacidade com o fundo na parte superior, 380 litros com este colocado no fundo. Rebatendo as costas do banco traseiro, pode chegar aos 1250 litros. Valores que estão na mediana do segmento.

A posição de condução é muito boa, com tudo perto da mão e com apenas a informação necessária, sem fogo de artifício. E mais que isso, a Citroen não colocou os comandos da climatização no ecrã sensível ao toque. Por isso, regular a climatização é uma brincadeira de crianças sem a confusão de andar por menus para regular a temperatura.

O mais curioso é que o sistema de info entretenimento do C4 é o mesmo do C5 Aircross, modelo que tem o comando da climatização dentro do ecrã sensível ao toque. Por isso o C4 tem dupla regulação, redundante, mas os comandos físicos são bem mais agradáveis. Obviamente que se gostar de controlar tudo pela ponta dos dedos… pode fazê-lo.

O sistema de navegação também existe, mas está na hora da Citroen atualizar os grafismos.

Mas essa deverá chegar na renovação do modelo, pois desta feita a casa francesa investiu na qualidade dos materiais e dos acabamentos. Que é, realmente, elevada e que me surpreendeu pela positiva. O tabliê e uma bela peça de estilo e como disse acima, o painel de instrumentos tem um ecrã de 5,5 polegadas com, apenas, a informação necessária.

E COMO É O C4 EM UTILIZAÇÃO?

Numa lógica de poupança de escala, a Citroen fez o C4 com aquilo que está disponível na Stellantis, pelo que a plataforma CMF é a base.

Porém, a Citroen decidiu seguir o seu próprio caminho no que toca às suspensões e não hesitou em deitar mão aos já famosos e bem-sucedidos limitadores de curso dos amortecedores hidráulicos. 

Recordamos que estamos a falar de uns batentes cheios de óleo e divididos em duas partes, permitem absorver a compressão e o ressalto do amortecedor de uma forma suave e progressiva. Uma maneira mais barata do que os amortecedores pilotados para assegurar conforto.

E a verdade é que o C4 é um carro absolutamente suave e confortável. Aliás, não me lembro de um carro tao confortável como este Citroen.

Por outro lado, o C4 não tem nenhuma capacidade para entusiasmar quem está ao volante e no que toca ao comportamento, a Citroen decidiu seguir um caminho alternativo.

Porém, deixe-me dizer-lhe o seguinte: se quer um carro familiar confortável e espaçoso, o Citroen C4 é perfeito. Além disso, o Citroen C4 faz-nos esquecer que há estradas muito maltratadas, aparecendo a fatura quando tentamos andar um pouco mais depressa.

A direção é demasiado leve e em curva a frente cede rapidamente, mas para evitar dificuldades está um ESP com um sistema de anti escorregamento de muita qualidade que corrige todos os nossos abusos com suavidade. Funciona muito bem em curva e até em reta.

E COMO É A MECÂNICA DO C4?

A Citroen apostou, claramente, no conforto abdicando do comportamento com a ajuda do tal sistema anti escorregamento e, por isso mesmo, os 155 CV do motor 1.2 litros Puretech são o máximo que pode ter num C4. 

O melhor é optar pelo mesmo bloco, mas na versão de 130 CV, aquela que utilizei neste ensaio. Ainda pode optar por um C4 a gasóleo, mas o bloco 1.2 Puretech de três cilindros é mais que capaz de o deixar seduzido. Com 230 Nm de binário, chega dos 0-100 km/h em 9,9 segundos e é mais que suficiente para uma utilização quotidiana.

E se tiver de viajar, aguenta sem problemas a tarefa. Mais! Com um consumo homologado segundo o protocolo WLTP de 5,4 l/100 km e emissões de 121 gr/km de CO2, é um carro muito interessante igualmente neste capítulo.

É verdade que não consegui chegar aos valores da Citroen, mas consegui 5,8 l/100 km com um máximo de 6,4 l/100 km. E isso sucedeu quando exagerei e tentei que o C4 me desse tudo o que tinha. Absolutamente desnecessário, porque o carro é muito mais agradável numa utilização normal e tranquila, aproveitando o extremo conforto.

O QUE É QUE EU PENSO DO C4?

Adorei o C4! Desculpem a franqueza, mas é o melhor Citroen em muito tempo. Original em termos de estilo, diferente em termos de definição, com muita qualidade e habitabilidade generosa, o Citroen C4 é uma oferta diferente no segmento e segue um caminho muito próprio. É híper confortável, não serve para aventuras desportivas, mas é um carro absolutamente delicioso. Claro que a Citroen está a correr riscos e acredito que haja muita discussão sobre o estilo e as opções mecânicas. Mas se nos focarmos nas (muitas) qualidades do C4, temos na nossa frente um carro que merece, pelo menos, ser considerado na hora de comprar um carro deste segmento.

Ficha técnica

Motor: 3 cilindros turbo a gasolina; Cilindrada (cc): 1199; Potência máxima (CV/rpm): 131/5500; Binário máximo (Nm/rpm): 230/1750; Transmissão: dianteira, caixa automática de 8 velocidades; Direção:Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 9,9; Velocidade máxima (km/h): 200; Consumos (l/100 km): 4,8; Emissões CO2 (gr/km): 108; Dimensões e pesos Comp./Lar./Alt. (mm): 4355/1800/1525; Distância entre eixos (mm): 2670; Largura de vias (fr/tr mm): 1545/1545; Peso (kg): 1400; Capacidade da bagageira (l): 1368; Deposito de combustível (l): 50; Pneus (fr/tr): 215/60 R18; Capacidade da bagageira (l): 380/1250; Preço da versão ensaiada: 26.957€