Elétricos

“New Auto” é a estratégia do Grupo VW para chegar à liderança da eletrificação

O CEO do Grupo VW, Herbert Diess, revelou a imagem do novo universo automóvel construído sobre a mobilidade elétrica. Bem diferente daquilo que conhecemos hoje!

Diz-se que “primeiro estranha-se, depois entranha-se” e há muitos meses que temos assistido à síndroma do Pavão. Eu explico.

O Pavão é uma ave lindíssima que quando quer conquistar a fêmea, ou quer dar nas vistas, abre a cauda e mostra um leque de cores belíssimas. Mas, curiosamente, ninguém olha para as patas, das mais feias do universo animal.

Ora, até há pouco tempo, muitos construtores foram dizendo que a mobilidade elétrica pouco importava e foram-se colocando, estrategicamente, de ambos os lados da barricada.

Quando a Comissão Europeia apertou os joanetes, os pavões ergueram as caudas e mostraram planos fantásticos de eletrificação que todos reclamam ser melhores que os dos outros. 

Os brutais investimentos, os despedimentos, os problemas, os prejuízos, enfim, as patas horríveis dos pavões da indústria, ninguém liga.

Neste mundo onde os jogos de espelhos são a especialidade de quem governa e onde a imagem conta muito, são vários os construtores que se acotovelam, agora, para terem destaque no admirável novo mundo da mobilidade elétrica.

O Grupo VW, depois do Dieselgate, tem sido o ponta de lança desta nova era e a “New Auto” é uma estratégia que pretende, como sempre, destacar o grupo alemão face aos restantes. 

Herbert Diess, acabado de receber uma prolongação do contrato de CEO até 2025, apresentou esta nova estratégia que tem muitas novidades.

Desde logo é previso um colapso de 20% nas vendas globais de veículos a gasolina e a diesel em toda a indústria durante os próximos 10 anos.

Depois, acredita-se que haverá uma quase paridade nas vendas de veículos elétricos e com motores de combustão interno no Grupo VW até 2030.

A estratégia antevê o aparecimento e crescimento de um terceiro fluxo principal de receitas a partir de produtos digitais, incluindo atualizações temporárias e reparações via internet que a VW acredita que crescerão para receitas idênticas às vendas de veículos movidos a motores de combustão e elétricos.

O “New Auto” prevê que os veículos tenham condução autónoma de nível 4 até 2026. A nova estratégia prevê que a quota de mercado nos Estados Unidos da América das suas muitas marcas (VW, Audi, Porsche, Lamborghini e Bentley) poderá subir dos atuais 4% para mais de 10% até 2030, à cinta dos veículos elétricos.

Finalmente, o Grupo VW afirma estar em posição de ultrapassar a tesla como o maior construtor mundial de veículos elétricos em 2025.

“O novo mundo da mobilidade individual trará outros benefícios também para a sociedade. Os carros elétricos servirão de amortecedor relevante para estabilizar as redes e reduzir os picos de oferta excedentária. Para os nossos modelos de negócio, isto significa que as receitas e as reservas de lucros mudarão gradualmente até 2030, primeiro dos motores de combustão interna para veículos elétricos e, mais tarde, para software e serviço. Seremos mais rentáveis com os veículos elétricos porque as baterias e o carregamento aumentarão a quota de valor acrescentado. E, com as nossas plataformas, seremos mais competitivos”. Palavras de Herbert Diess!

Curiosamente, durante a conferência de imprensa que apresentou esta nova estratégia, foi revelado que a plataforma MQB vai ter mais um ciclo de vida pois os carros com motores de combustão vão continuar a produzidos durante mais de uma década. E Diess também confirmou que a empresa quer introduzir um veículo com capacidade de condução autónoma de nível 4 até 2026 na Europa: Falamos do projeto Artemis, que estará disponível mais tarde nos Estados Unidos da América.