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Afinal, quer ou não mudar as grelhas dos BMW? Voltar ao passado? Qual passado?

Até dá voltas ao estômago olhar para as grelhas duplo rim dos BMW atuais, com várias interpretações, do absolutamente despropositado Série 7 e X7, ao mais estilizado, mas não menos feio Série 4, para não falar dos iX e i4. E se pensarmos que o novo Série 7 poderá ter a grelha ainda maior…

Mas… voltemos ao passado. Sim, é isso que todos dizem – embora os BMW continuem a serem vendidos como pãezinhos quentes… – são feias as grelhas. Porém… a qual passado?

Primeiro temos de saber como é que a grelha “Duplo Rim” apareceu na BMW. Vamos entrar na cápsula do tempo e viajar até aos anos 30 do século passado.

Aterramos em Bruchsal, uma cidade a 300 km de Munique e que é a capital europeia dos espargos. Os irmãos Rudolf e Fritz Ihle criaram um negócio de construção de carroçarias personalizadas à imagem do que se fazia em Itália e na Grã-Bretanha.

E como esses, o seu modelo de negócio era simples: pegavam em carros existentes e transformavam-nos. A BMW tinha iniciado a sua vida como construtor automóvel ao comprar a falida “Automobilewerk Eisenhach” e fazer um acordo com a Austin Motor Company para construir o Austin 7 como Dixi 3/15, depois BMW Dixi e, finalmente, apenas BMW.

Ora, os irmãos Ihle pegaram no Dixi e foram-no modificando até chegarem ao Sport Typ 600 que tinha, à frente, uma grelha dividida em duas que se assemelhava a um duplo rim. Porém, curiosamente, o BMW 303 apresentado no Salão de Berlim, já tinha, também, a dupla grelha. O Sport Typ 600 era feito sobre um BMW 3/15 de 1929, mas só foi apresentado em 1934.

Fica a dúvida: foram os irmãos Ihle que inventaram a grelha “Duplo Rim” ou fizeram uma cópia do 303? A BMW não fala sobre a origem do duplo rim (como fala do Hofmeister Kick) dizendo, apenas, que o primeiro carro com dupla grelha foi o 303.

Os irmãos Ilhe deixaram o negócio automóvel em 1940, mas a empresa ainda hoje vive na mesma cidade capital europeia dos espargos. A Fahrzeugbau Ihle faz carrinhos de feiras e carroceis e os modelos que fizeram há mais de 80 anos desapareceram.

E então, já decidiu a que era das grelhas BMW quer regressar?

A grelha “Duplo Rim” esteve sempre em evolução e os primeiros BMW nem sequer grelha duplo rim tinham. O BMW 3/15 não tinha e a casa bávara só admite que o 303 foi o primeiro a ter o “Duplo Rim”, passando por cima do trabalho feito pelos irmãos Ilhe. 

Se quiser a grelha do 303… era maior que as atuais! Olhando para o 303 quase se consegue perdoar o iX ou o Série 4 e as suas lápides a fazer de grelha.

Mas, avancemos. Em 1936, o 326 e o 328 tinha o “Duplo Rim” separado e em forma de banana para se colarem a forma mais aerodinâmica da carroçaria.

Durante alguns anos esta era a grelha dos BMW, mas depois da segunda guerra mundial, a fábrica de Eisenach ficou no lado de lá do Muro de Berlim e os russos, que dominavam o lado oriental da Alemanha, fizeram um 326 com uma grelha totalmente diferente e deram-lhe o nome 340.

Usava o logótipo BMW, mas os advogados da casa de Munique conseguiram prevalecer e o 340 passou a chamar-se EMW. Pois, assim ninguém seria capaz de confundir os nomes…

Depois, em 1950, houve carros da BMW que não tinham, sequer, grelhas! O Isetta não tinha, o 600 não tinha e o elegante 700 também não. Mas havia uma razão: tinham motores de moto e não precisavam de radiadores dianteiros… pois eram refrigerados a ar! Os carros que tinham grelhas, usavam o “Duplo Rim”, mas de formas muito diferentes: o 507 tinha-os na horizontal e o 501 tinha-os na vertical. Lembram, hoje, as lápides do Série 4 e os rins do novo Série 2?!

Depois, chegaram os anos 60 e o “Neue Klasse” em 1961, a primeira berlina desportiva da BMW, o novo rosto da empresa de Munique e as novas fundações da marca que conhecemos hoje. Nascia, também, a face dos BMW que conhecemos desde há muito: o “Duplo Rim” ladeado por dois “bigodes” que unem os faróis.

Apesar disso, fomos tendo variantes. O CS de 1965 tinha uma grelha muito alongada, o Glas 3000 V8 de 1968 nem sequer tinha um “Duoplo Rim”, enquanto que o Glas GT, uma versão mais pequena do 3000 V8, tinha uma ridícula adição de um par de rins colados à grelha original. Ideia da BMW quando comprou a Glas e assumiu a produção do carro com o motor e a suspensão da casa bávara.

Se no Glas o “Duplo Rim” era colado a uma grelha existente, a partir dos anos 70 esta grelha passou a ser um dos detalhes do estilo da casa bávara. Por exemplo, o Turbo Concept de 1972 tinha a grelha moldada no para choques, truque usado, depois, no M1 de 1978, no Série 8 E31, no Z1 de 1988 e no Z8 inspirado pelo 507 e que surgiu em 2000.

Ocasiões houve em que a BMW utilizou o “Duplo Rim” para indicar que tipo de carro estava à nossa frente. Lembram quando a casa alemã passou a oferecer o motor V8 de 3,0 e de 4,0 litros no Série 5 em 1993? O “Duplo Rim” alargou-se e tinha forma em V para os distinguir dos mais plebeus Série 5 de quatro e seis cilindros. Sabíamos que eram um 540i olhando para a grelha. Mais tarde, todos os Série 5 acabaram por ficar iguais.

Ora, assim como no passado, o atual “Duplo Rim” tem várias versões, dos gigantes do Série 7 e x7, às lápides do Série 4, passando pelos alargados no novo Série 2. E acreditamos que estejam a caminho mais versões mais ou menos ostensivas ou horríveis, dependendo dos gostos. 

E podemos sempre contar com a incongruência da BMW neste aspeto. Já falamos das lápides do Série 4 e os mais corriqueiros “Duplo Rim” do Série 1 e Série 2. Portanto, estamos sentados à espera, com as pipocas, de novidades das grelhas dos BMW.

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