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Ensaio Mitsubishi Space Star Cross: série especial que deixa tudo na mesma

Se procura um carro simples, fácil de utilizar e com um excelente equipamento por menos de 15 mil euros, a escolha está aqui. Porém, nem tudo pode ser resumido ao preço e ao equipamento. Esta nova série especial Cross pode parecer diferente… mas nem por isso. 

Rating: 2.5 out of 5.
  • A Favor – Preço, Equipamento, Habitabilidade
  • Contra – Comportamento, posição de condução, bancos

A segunda renovação do Spacestar renovou a aposta da Mitsubishi no segmento B, mas não espere muito mais do que já existia. Primeiro porque a casa japonesa também se vai retirar do segmento mais dia menos dia, depois porque as diferenças foram cosméticas. Não faz muito sentido investir num carro que não terá sucessor. 

Se a falta de uma renovação mais profunda desiludiu e se o equipamento e o preço seduzem, esta versão Cross não muda absolutamente nada. Mas tem mais piada, curiosamente.

Uma das poucas novidades do Spacestar está na inclusão do “Dynamic Shield”, a frente característica dos últimos modelos Mitsubishi, oferecendo um aspeto mais dinâmico. O resto do carro ficou praticamente igual, excetuando o para choques traseiro e os farolins e, nesta versão Cross, as cavas das rodas protegidas por plástico negro. As jantes mantiveram-se nas 15 polegadas, mas com novo desenho, tendo o carro crescido 50 mm por culpa dos novos para choques. As proteções não acrescentam absolutamente nada em termos de comportamento ou melhoria das capacidades para andar fora de estrada que, na realidade, são zero!

INTERIOR ACOLHEDOR

O habitáculo tem novos revestimentos, novo posicionamento da alavanca da caixa de velocidade, zona de arrumação sob a coluna de direção e novos instrumentos com mostrados redesenhados e grafismos mais legíveis. 

Nada de muito substantivo, mas percebe-se um maior cuidado na montagem e em alguns materiais, sem grande destaque. Porém, não podemos exigir muito mais a um carro deste segmento e com o preço que tem. Superioridade absoluta para a habitabilidade, muito generosa olhando ao segmento, permitindo homologar o carro com cinco lugares. A bagageira tem 210 litros, valor correto para o semento, mas abaixo daquilo que o VW Up, por exemplo, oferece (251 litros), ficando aquela sensação de que a Mitsubishi apostou tudo no espaço habitável.

EQUIPAMENTO COMPLETO

A Mitsubishi não deixa de piscar o olho aos mais jovens, oferecendo plena conectividade com o “Mitsubishi Global Navigation” (MGN) com disponibilidade de Apple Car Play e Android Auto, além da integração do sistema de navegação Tom Tom, tudo parte do equipamento de série. Que está ricamente equipado com Bluetooth e Cruise Control, ar condicionado automático e assistente de arranque em subida, faróis de nevoeiro e sistema de acesso mãos livres e arranque sem chave, jantes de liga leve e vidros elétricos, além de sensores de luz e chuva bancos com detalhes em pele, vidros elétricos e espelhos com regulação elétrica. 

As ajudas á condução são corretas com travagem autónoma de emergência com reconhecimento de peões, alerta de transposição de faixa e máximos automáticos. 

MOTOR ECONÓMICO

O bloco de 3 cilindros atmosférico com 80 CV é muito interessante, mesmo que acoplado a uma caixa de cinco velocidades com relações demasiado longas. Com este motor, o Spacestar consegue suster ritmos mais que suficientes em estrada e autoestrada, arriscando saídas fora do casco urbano sem o mínimo problema. É um nadinha ruidoso, mas nada que se possa dizer ser incomodativo

O consumo registado ficou nos 5,9 l/100 km. Consegui ainda chegar aos 5,3 l/100mkm, mas nunca aos 4,3 l/100 mkm homologados.

UM CROSS NORMAL

Passando por cima da fraca posição de condução, que deixa perceber que a base do carro é já antiga, e dos bancos com um desenho que não ajuda ao conforto, o controlo do carro não é complicado. 

É verdade que o chassis não acompanha as capacidades do motor, com a idade da plataforma a expor as dificuldades em lidar com os irrequietos 82 CV do motor. 

A direção é imprecisa e o eixo dianteiro tem dificuldades em manter-se na trajetória se abusarmos. O carro recorda-nos, sempre, que estamos perante um segmento B para usar em cidade e com a calma exigível. 

A suspensão está afinada para o lado duro e o conforto não é das melhores características do SpaceStar. Isto porque juntamos a dureza das suspensões aos bancos com desenho menos feliz. A insonorização é boa para o motor, mas menos conseguida no que toca ao isolamento dos ruídos de rolamento. Como disse acima, esta versão Cross não adiciona nada ao comportamento.

O QUE É QUE EU PENSO DESTE SPACE STAR CROSS?

Diferenciar o Space Star dos restantes com uma inédita versão que nada acrescenta ao carro, exceto a aparência. Ou seja, no capítulo da habitabilidade e do equipamento, o Spacestar destaca-se face à concorrência e foi feita a adição de novos sistemas de segurança, uma bela notícia. Mas para ser ameaça para os restantes modelos do segmento, a mudança teria de ser maior. Não foi e um carro muito bem equipado e, provavelmente, com a melhor relação preço-equipamento do mercado devido ao preço abaixo dos 13 mil euros, acaba traído pelo chassis. 

Ficha técnica

Motor: 3 cilindros em linha, injeção indireta multiponto com duplo veio de excêntricos; Cilindrada (cc): 1193; Diâmetro x Curso (mm): 75 x 90; Taxa de Compressão: 10,0; Potência máxima (CV/rpm):80/6000; Binário máximo (Nm/rpm): 106/1800 – 5600; Transmissão: dianteira, caixa manual de 5 velocidade; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): Discos/Tambores; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 12,6; Velocidade máxima (km/h): 180; Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): nd/nd/4,3; Emissões CO2 (gr/km): 96; Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 3845/1665/1505; Distância entre eixos (mm): 2450; Largura de vias (fr/tr mm): 1430/1415; Peso (kg): 886; Capacidade da bagageira (l): 235; Deposito de combustível (l): 35:; Pneus (fr/tr): 175/55 R15; Preço da versão Ensaiada (Euros): 12.850