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Ensaio Hyundai i20 1.0 T-GDI Style Plus: agora sim, o motor certo!

A evolução da Hyundai é verdadeiramente impressionante e a mais recente leva de produtos, como este i20, sustenta esta minha afirmação. Estamos perante um carro inteligente, com um estilo disruptivo, mas sedutor, competente e agradável de viver. O ensaio à versão com o motor 1.2 MPI com apenas 82 CV… quase me fez chorar! Agora experimentei o i20 com o bloco 1.0 T-GDI e… fiquei com um sorriso nos lábios!

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Habitáculo, tecnologia, comportamento, Motor
  • Contra – Conforto, Aguns materiais

Compreendo que o AUTOBLOGUE não é um sítio de internet com ziliões de seguidores e leitores, mas faço um trabalho honesto e profissional. Percebo que as marcas em Portugal entendam que os poucos milhares de leitores do AUTOBLOGUE não mereçam grande importância. Por isso, o primeiro i20 que experimentei foi com o motor que ninguém compra, o 1.2 MPI com 82 CV. 

Teria sido tão fácil penalizar o i20 apenas e só pelo motor. Mas não virei a cara ao desafio e tive a coragem de dizer o necessário. Agora a Hyundai Portugal fez o favor de emprestar o i20 com o motor certo. E acreditem que faz toda a diferença!

UM ESTILO TOTALMENTE DIFERENTE

Perante a vaga de novidades no segmento, a Hyundai cuidou de fazer um carro que se destacasse da multidão. Pegou na nova linguagem de estilo a que chama “Sensuous Sportiness” e aplicou-a ao seu utilitário.

Logo à partida é muito mais impactante que o anterior. Contudo, se está a pensar que acho o anterior i20 feio, está redondamente enganado. Era um carro equilibrado, mas monótono pela falta de arrojo. Que neste i20 não falta!

Hoje, a Hyundai já mostrou que sabe fazer carros e tem a tecnologia necessária e mudou o foco para o estilo, interiores tecnologicamente avançados. Agora, sim, a Hyundai quer que você goste dos seus automóveis, não pela garantia que oferece – que não é negligenciável! – nem pela praticabilidade, mas sim pelo valor global do carro.

Por isso mesmo é que a Hyundai diz que o i20 tem um “estilo dinâmico”, ou seja, oferece valor emocional. O que torna o i20 um carro sumarento!

Linhas tensas fazem parte do estilo do novo i20 e a verdade é que o carro é sedutor. A frente é agressiva com um olhar mauzão desenhado pelos faróis e pela grelha hexagonal. Os nichos dos faróis de nevoeiro são triangulares e fazem “pandam” com a grelha inferior. 

A frente desce de forma abrupta, dando ao i20 um corpo em cunha cuja traseira é fechada com um grupo ótico que tem uma barra luminosa a lugar os dois farolins. O para choque é nervurado e a zona preta a envolver o óculo traseiro. Contas feitas, a postura do i20 é musculada e parece pronto a saltar para diante.

E COMO É O NOVO I20?

Desde logo é um carro maior que o anterior. Tem mais 10 mm de distância entre eixos, tem mais 30 mm de largura e mais 5 mm de comprimento. A única dimensão que encolheu foi a altura. E de forma generosa! São menos 24 mm. 

Este rácio de dimensões oferece duas coisas: mais espaço interior e uma postura mais musculada. 

E O QUE DIZER DO INTERIOR DO I20?

Desde logo, impactante! Todos os i20 têm um ecrã de 10,25 polegadas como painel de instrumentos. O estilo dos grafismos é simples, legíveis e de muito bom gosto. Sim, é verdade que não é dos mais personalizáveis, mas todas as funções são fáceis de alcançar e de utilizar.

O volante é novo, não é a minha taça de chá em termos de estilo, mas enquadra-se bem no ambiente criado dentro do i20. Mesmo que me pareça que os plásticos do volante sejam demasiado pobres face a tudo o que está dentro do Hyundai.

O sistema “Bluelink” é outra das mais valias do i20 e oferecido de série. O ar condicionado têm comando automático totalmente diferente e com aspeto futurista.

Enfim, o interior do i20 está bem desenhado e os dois ecrãs gigantes fazem a diferença. Infelizmente, há alguns materiais dentro do i20 que não fazem jus ao carro. Há demasiados plásticos duros (como no volante por exemplo) que não colocam, porém, em causa a qualidade de montagem do interior e a qualidade geral. Até porque o carro parece-me bastante sólido.

Quanto à habitabilidade, o i20 usa a sua boa arrumação interior e os 10 mm mais na distância entre eixos para oferecer mais espaço para os ocupantes. O banco traseiro tem amplo espaço para duas pessoas (a terceira tem mais dificuldades), têm direito a uma tomada USB e espaço suficiente para arrumar as pernas. Verá que ninguém vai estar a roçar com os joelhos nas costas do banco ou a dar-lhe guinadas nas costas a cada mudança de posição.

Outra vantagem do i20 face aos rivais está na bagageira: o Hyundai impressiona com os 351 litros que oferece. É um excelente argumento!

Quanto ao equipamento, destaco, entre outras coisas já referidas, travagem autónoma de emergência, sistema de manutenção na faixa de rodagem e o alerta de arranque do veículo dianteiro.

E COMO É O I20 AO VOLANTE?

No seguimento da mudança de foco da Hyundai, além do estilo impactante, a casa coreana trabalhou para tornar o i20 mais emotivo na condução. E a verdade é que a Hyundai conseguiu: o carro é giro de levar aos limites, com uma direção direta que permite controlar as pequenas derivas da traseira, mesmo que não transmita nenhuma informação sobre o que as rodas estão a fazer. 

A verdade é que o carro se mostra ágil, muda de direção com facilidade e deixa água na boca para o ensaio à versão N. Se a Hyundai Portugal entender entregar-me uma unidade para ensaio, claro.

É verdade que o conforto não é de primeira água, mas tudo se resume ao facto do carro ter jantes grandes que prejudicam um nadinha o conforto. Mas nada que seja absolutamente reprovável.

O MOTOR CERTO!

Felizmente que o i20 com o motor 1.2 MPI com 84 CV e 118 Nm é uma memória longínqua. O bloco de 1.0 litros tem 3 cilindros e micro hibridização com tecnologia de 48 V e uma bela caixa manual de 6 velocidades.

Um dos destaques desta mecânica é o modo ECO que integra uma função de roda livre. Este modo de condução é ativado cada vez que o carro é posto a trabalhar. Basta colocar o pé na embraiagem para que o motor se desligue e o carro deslize. 

E o sistema funciona porque há uma ligação eletrónica “by wire”, ou seja, sem ligação física entre o pedal e a embraiagem. Como funciona? Em primeiro lugar, já não é você que desengata diretamente a embraiagem. O seu trabalho é feito por um sensor que lê a pressão no pedal esquerdo a cada passagem de caixa ou arranque.

O sensor envia uma ordem a uma bomba hidráulica, instalada na caixa, que é responsável pelo acionar da embraiagem. 

Se tirar o pé do acelerador sem travar – em caso de travagem o motor continua ligado e engatado – o motor desliga-se, a embraiagem é aberta automaticamente e o carro rola sem auxílio do motor.

Assim que acelera ou trava, o alternador/gerador/motor de arranque liga o motor, sem vibrações e de forma suave, fechando a embraiagem ficando tudo em sintonia com as rodas. Tudo de forma suave. Tudo isto feito de forma rápida e quase impercetível.

Não faço a mínima ideia qual será a poupança que o sistema assegura, mas no modo ECO consegui reduzir os consumos em 0,2 litros face aos outros modos de condução. No global, o i20 1.0 T-GDI conseguiu uma média, durante o ensaio, de 6,7 l/100 km, um excelente valor, mas que não é melhor que os seus rivais como o Peugeot 208 PureTech ou o Renault Clio E-Tech.

Conta com um modo Sport que oferece um pouco mais de chispa graças ao sistema micro híbrido 48 volts. A bateria é de apenas 0,45 kWh, mas consegue oferecer mais 14 CV numa aceleração forte.

Infelizmente, fora do modo Sport, esta ajuda vale apenas durante… 1 segundo (ficando o resto da energia para os dispositivos elétricos a bordo. No modo Sport dura 2 a 3 segundos e há um ganho na aceleração entre os 30 e os 80 km/h. É pouco, mas sente-se perfeitamente!

O bloco 1.0 T-GDI é um motor com boa disponibilidade a partir das 1500 rpm, libertando grande parte do binário máximo de 172 Nm. O que permite uma boa aceleração que com a ajuda da parte elétrica torna o i20 num carro minimamente interessante. A caixa poderia ser um pouco melhor pois não gosta de ser forçada a muita ação, tendo um escalonamento algo inconsequente. 

O QUE É QUE EU ACHO DO HYUNDAI i20?

Gostei. Muito! O i20 é uma melhoria imensa face ao anterior modelo, tem um aspeto moderno, musculado e com um interior agradável, bem equipado – em termos de segurança e de ajudas ao condutor – e espaçoso, além de uma bagageira generosa. 

O comportamento é excelente e com este motor fica excelente. Não é o melhor do segmento, mas fica lá bem perto. Os 18.440 euros da unidade ensaiada são um pouco elevados, mas o nível de equipamento é muito bom oferecendo a Hyundai a garantia de 7 anos e 1500 euros de desconto no preço final de 19.990 euros.

Ficha técnica

Motor: 3 cilindros em linha, injeção direta e micro hibridização 48V; Cilindrada (cm3): 998; Diâmetro x Curso (mm): 71 x 84; Taxa de Compressão: 10,0; Potência máxima (CV/rpm): 100/4500; Binário máximo (Nm/rpm): 171/4000; Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades; Direção:Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr):Discos/tambores; Aceleração 0-100 km/h (s): 10,4; Velocidade máxima (km/h): 188; Consumo (l/100 km): 5,1; Emissões CO2 (gr/km): 115; Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4040/1750/1450; Distância entre eixos (mm): 2580; Largura de vias (fr/tr mm): 1520/1519; Peso (kg): 1065; Capacidade da bagageira (l): 351; Deposito de combustível (l): 40; Pneus (fr/tr): 205/55 R17; Preço da versão ensaiada (Euros): 18.440