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Ensaio Ford Focus 1.0 155 MHEV: hibridização melhorou um excelente automóvel

Quando a Ford arrepiou caminho e fez um Focus dedicado aos europeus, um carro totalmente novo com uma nova plataforma, suspensões e definições de afinação que trazem de volta o prazer de condução, ganhou a aposta. Aumentando a proteção em caso de embate, a Ford trouxe de volta o bom Focus. E a versão híbrida tornou ainda melhor um excelente automóvel.

Rating: 4 out of 5.
  • A Favor – Consumos, comportamento, performances
  • Contra – Pequenos detalhes

Sim estamos perante um Focus hibridizado tal como sucede com o Puma e com o Fiesta já ensaiados pelo AUTOBLOGUE. E nesta versão do bloco 1.0 Ecoboost há uma hibridização ligeira com tecnologia de 48 volts. Que é na essência um motor de arranque/gerador que anula o tempo de resposta do turbo, tem uma bateria mínima que permite ao carro desligar o motor no tráfego. O bloco de três cilindros ganha nova alma e uma bem-vinda economia de combustível.

Quer isto dizer que a Ford oferece um mini-ST? Nem por isso! O carro com este motor acelera dos 0-100 km/h em 9,2 segundos e se o bloco continua a ser irrequieto e muito agradável de utilizar, não é um desportivo. 

Se estiver com atenção vai descobrir que há um novo alerta que nos diz quando é que o gerador e a pequenina bateria está a ajudar o binário ou quando estamos a recarregar a bateria. Quase não se vê, mas está lá. E a verdade é que o motor de três cilindros rima muito bem com o Focus.

Para que a economia e a defesa do ambiente sejam cumpridas, o sistema MHEV da Ford desliga o motor a partir de 25 km/h, oferecendo um pouco mais de economia. E aqui, tal como sucede com o Fiesta, as diferenças entre o que a Ford reclama (5,3 l/100 km) e o que acontece na vida real (6,4 l/100 km) são sensíveis, mas a verdade é que apesar disso, o consumo nunca ultrapassou os 10 litros e no final do ensaio a média final ficou nos 6,8 l/100 km. Nada mau para um motor a gasolina sobrealimentado!

Já agora, dizer-lhe que se quiser este Focus com caixa automática… não há

O DESENHO DO FOCUS ESTÁ A FICAR ANTIQUADO?

Este Focus tem tem apenas três anos e por isso nçao se pode considerar envelhecido. Porém, muitos rivais foram remodelados e talvez por aí haja a necessidade de fazer algo ao Focus. O Mazda3 é um carro elegante e sedutor, o Seat Leon é igualmente sedutor. Rivais de peso para um carro que mantém ligação com o passado, mas de uma forma mais elegante, exibindo um capô longo e um pilar C mais robusto. 

Claro que ao ter uma distância entre eixos maior, devido à nova plataforma, permite alongar o carro. As formas da carroçaria são mais ondulantes, a frente nervurada com uma grelha redesenhada e faróis rasgados.  

UM INTERIOR QUE (AINDA) NÃO CEDEU AOS BOTÕES BARATOS

A Ford melhorou, muito, os interiores dos seus modelos e saltaram de um habitáculo com muitos botões e ecrãs pequenos, para um interior mais minimalista, bem desenhado com um generoso ecrã flutuante a encimar a consola central, onde o sistema Sync da Ford mostra-se com um grafismo muito agradável. 

Puxando o tabliê mais para próximo da parede que divide o compartimento do motor do habitáculo, houve ganhos evidentes na habitabilidade. Ergonomicamente, a Ford fez um excelente trabalho e no que toca à qualidade percecionada, todos as zonas mais importantes do tabliê possuem plásticos suaves ao tato. 

O detalhe foi acautelado, com as bolsas das portas com os fundos forrados a alcatifa, mas ainda não conseguiram os homens da Ford reduzir o ruído dos “flaps” que protegem as portas do embate em outros carros no estacionamento. 

Mas, senhores da Ford, não acabem com eles!

Passando a utilizar um travão de mão elétrico, a consola central ganhou espaço e há porta copos reguláveis, além de um apoio de braços que contém uma caixa de arrumação, sendo disponibilizado, dependendo da versão, um carregador de telefone por indução. 

Os muitos botões desapareceram, mas não na totalidade. Ou seja, ainda há controlos físicos para o sistema de info entretenimento e para o sistema de climatização, todos belissimamente integrados no conjunto do interior. Vários dos sistemas de ajuda à condução também possuem botões que permitem desligá-los. 

Os bancos dianteiros não têm regulação lombar e a almofada do assento é um nadinha fina, mas o conjunto é confortável e a posição de condução ótima, mesmo que o volante esteja um nadinha baixo. Estes bancos da versão ST-Line oferecem um pouco mais de apoio lateral. Com a majorada distância entre eixos, o Focus passa a ser dos melhores do segmento no que toca ao espaço disponível, com a Ford a alisar o fundo do carro e a redesenhar a consola central, permitindo assim que o quinto elemento tenha mais espaço para os pés. A bagageira oferece 375 litros que chega aos 1354 litros com o rebatimento dos bancos.

E COMO É AO VOLANTE O FOCUS?

Excelente! A Ford não esqueceu os deveres diários de um automóvel familiar e não deixou créditos por mãos alheias. A direção é leve, precisa e bem assistida, a caixa tem um comando suave e eficaz, funcionando de forma perfeita com o bloco Ecoboost. A suspensão continua a ser um regalo no compromisso comportamento/conforto e o carro continua muito mais divertido de conduzir que todos os outros do segmento.

Mais divertido que aquilo que se poderia exigir de um carro familiar e mesmo este Focus sem o fogo de artificio da variante ST, é excelente, seguro e muito divertido. 

O que é que eu penso do Focus?

Para mim sempre foi dos melhores do segmento e as idiossincrasias de que sofre não colocam em causa a sua qualidade, a facilidade de condução e um comportamento espetacular. Espaçoso com uma boa bagageira e um nível de equipamento completo nesta variante ST-Line, o Focus está a entrar na área da renovação. Veremos se voltará como familiar ou como crossover elétrico como sucede com o Renault Megane.

Ficha técnica

Motor: 3 cilindros com injeção direta gasolina e turbo com intercooler; Cilindrada (cm3): 999; Diâmetro x Curso (mm): 71,9 x 82; Taxa de Compressão: nd; Potência máxima (CV/rpm): 155/6000; Binário máximo (Nm/rpm): 190/1900 – 5500; Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/independente multibraços; Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos; Prestações e consumosAceleração 0-100 km/h (s): 9,2; Velocidade máxima (km/h): 211; Consumos misto (l/100 km): 5,1; Emissões CO2 (gr/km): 116; Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4378/1825/1452; Distância entre eixos (mm): 2700; Largura de vias (fr/tr mm): 1572/1553; Peso (kg): 1269; Capacidade da bagageira (l): 375 /1354 ; Deposito de combustível (l): 52; Pneus (fr/tr): 215/55 R17; Preço da versão Ensaiada (Euros): 29.236