Antevisão

Lancia está de regresso e o novo Delta pode muito bem ser assim

Publicamos esta foto com a devida vénia ao sítio Carscoops, mostrando aquilo que poderá ser o novo Delta da renovada Lancia.

Carlos Tavares decidiu que a DS Automobiles, Alfa Romeo e Lancia são as três marcas Premium da Stellantis. Isso obrigou a rever o edifício da casa de Arese e retirar do coma a marca de Turim criada por Vicenzo Lancia.

A Stellantis deu 10 anos e um generoso orçamento a cada marca – com a Alfa Romeo a receber Jean Philippe Imperato vindo da Peugeot e a Lancia, Luca Napolitano vindo da Fiat – para se tornarem rentáveis e protagonistas do segmento.

Como mostra a imagem, o projeto inicial diz-nos que a Lancia vai lançar três novos produtos entre 2024 e2027 e neles estará, certamente, o regresso de um nome forte, o Delta. Para já será introduzido um novo Ypsilon.

Obviamente que o futuro passará por modelos 100% elétricos e o Delta não deixará de o ser. A imagem mostra um carro com inspiração em vários modelos da Stellantis é apenas uma ideia daquilo que poderá ser o regresso do Delta.

Modelo que conheceu três gerações até que foi extinto pelas ideias peregrinas que foram sendo lançadas. Ideias essas que assaram por vender carros americanos com marca italiana, entre outros atropelos. 

O primeiro Delta, com o desenho simples, mas muito marcante, de Giorgeto Giugiaro, foi lançado em 1979 e ficou no mercado até 1994. O carro acabou por ficar como ícone devido às prestações no desporto automóvel, nomeadamente, nos ralis. Os Delta HF 4WD, Delta Integrale 16V e Deltona conquistaram seis títulos consecutivos no Mundial de Ralis. Estas variantes HF estabeleceram a bitola para todos os desportivos e hoje são carros altamente desejados como clássicos com preços verdadeiramente estratosféricos.

O grupo Fiat abandonou a competição e o Delta nunca mais conheceu o mesmo sucesso. A segunda geração foi desenhada pela IDEA e tendo como base a plataforma do Fiat Tipo, não convenceu ninguém, as performances, mesmo da versão HF, eram curtas e o comportamento menor. Ficava o espaço interior, mas isso não era suficiente. 

Esta segunda geração teve vida curta entre 1993 e 1999. Pensava-se que a Lancia tinha abandonado o Delta em favor dos já referidos carros americanos da Chrysler com logótipo e nome italiano.

O previsível insucesso dessa estratégia e o plano inclinado em que a marca entrou, levou os responsáveis da Lancia a uma decisão de recurso: trazer de volta o Delta. Aconteceu em 2008 (quase 10 anos depois) com o novo Delta a ter a mesma base do Alfa Romeo Giulietta e do Fiat Bravo.

O nome estava certo, mas o carro não! Renegava qualquer herança desportiva, não tinha versões HF e tinha como objetivo seduzir os clientes do segmento Premium, privilegiando o conforto e o equipamento de topo. Viveu até 2014, quando foi arrumado, definitivamente. 

Uma vez mais, dez anos depois, pode regressar lado a lado com um novo Ypsilon que depois da enésima remodelação será substituído em 2024 por um carro totalmente novo. Depois teremos o Delta e, inevitavelmente, um SUV em 2026. 

Está a ser dedicado um extremo cuidado com este renascimento da Lancia para evitar que a morte seja definitiva. O carro deverá ter como base a plataforma STLA Medium da Stellantis, parte do plano de eletrificação do grupo, tendo capacidade para uma autonomia de 700 km e potências entre os 170 e 245 CV, dependendo da arquitetura de um ou dois motores.

Um veterano do estilo, Jean Pierre Ploué foi destacado para ajudar a marca de Turim, sendo o responsável pelo Lancia Design instalado na cidade dos Alpes. Como sugere a imagem que publicamos, um regresso ao passado é desejado – as linhas retas, as rodas nos quatro cantos do carro e formato de berlina de 5 portas – mas com a necessária dose de modernidade.

Acredita-se que haverá uma versão HF Integrale e que o desenho simples, mas inspirado de Giugiaro seja a base do novo modelo. E, claro, sabendo-se da paixão pelo desporto automóvel de Carlos Tavares, apesar da marca ser agora Premium, acredita-se que a marca possa regressar ao Mundial de Ralis quando este for mais ou menos híbrido ou totalmente elétrico.