Elétricos

Japão têm mais pontos de carga que automóveis eletrificados

Quando os políticos acionam o modo “preservação” não há muito a fazer… no Japão, o problema é o clássico “façamo-lo que eles depois vêm!”

Yoshide Suga, primeiro ministro japonês comprometeu-se a tornar o Japão neutral em carbono em 2050. Uma anedota num dos países mais industrializados do universo. Mas ninguém pode dizer que o primeiro ministro japonês não se tem esforçado: ofereceu subsídios no valor de 100 mil milhões de euros (quase mil milhões de euros) no ano fiscal de 2012 para serem construídos estações de carregamento e estimular a compra de veículos elétricos. 

Com tanto dinheiro a jorrar, os pontos de carregamento floresceram por todo o país. Assim, de repente, lembra o Governo Socrates. Adiante.

O problema de Yoshide Suga é que os japoneses, apesar dos incentivos, não aderiram à causa e os veículos eletrificados têm uma penetração de, apenas, 1% e agora os postos de carregamento que nasceram como cogumelos estão… às moscas!

Muitos deles estão a estragar-se e outros estão a chegar ao fim do seu tempo de vida útil (entre 8 e 10 anos) e a ser retirados sem serem substituídos.

Contas feitas, estão disponíveis 29.200 postos em todo o Japão, quando no ano passado havia mais de 30.000. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde 2010.

Apesar disto, o Japão tem como previsão aumentar o número de postos de carregamento ara 150 mil e há empresas que querem colocar carregadores rápidos nas autoestradas até um milhar de unidades até 2025.

E porque o Governo japonês não quer perder a face, pediu à indústria que desenvolvesse carregadores mais pequenos e leves, o que a Hitachi já está a ponderar. 

Akio Toyoda, o patrão da Toyota e da Associação Japonesa de Construtores Automóveis (JAMA) já veio avisar que estar agarrado a objetivos é errado. “Quero evitar que o simples objetivo seja instalar carregadores. Se o número de carregadores é o único objetivo, será um desperdício pois serão colocados em locais onde parece que serão viáveis, mas que vão gerar baixas taxas de utilização e baixos níveis de conveniência.”

Mais um exemplo de como os políticos continuam a construir a casa pelo telhado na ânsia de serem os primeiros ou os melhores.