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Ensaio Suzuki Across Hybrid Plug In: Toyzuki?

Fazer parte do universo Toyota tem desvantagens, mas várias vantagens como oferecer o seu primeiro híbrido Plug In tendo como ponto de partida o excelente Toyota RAV4 Hybrid Plug In. É verdade que o Across não é mais que um RAV4 com uma frente modificada. Mas se pensa que isso é um problema… talvez sim… talvez não!

Rating: 3 out of 5.
  • A Favor – Conforto, Insonorização, autonomia elétrica
  • Contra – Preço, carregador interno

Todos sabemos que a Suzuki não tem como prioridade o mercado europeu e mesmo não tendo a veleidade de se retirar do Velho Continente, a casa japonesa olha sempre com algum distanciamento os consumidores da Europa. Isso não a isenta, claro, de cumprir com as regras, particularmente, de emissões. 

E não tendo muito interesse no mercado, menos vontade terá a Suzuki de pagar as multas previstas pela União Europeia para excessos de emissões. As versões híbridas ligeiras não servem para muita coisa e depois de abdicar do Jimny de passageiros, lançando a versão comercial, a Suzuki tinha de fazer alguma coisa.

Indisponível para investir em automóveis novos com tecnologia híbrida, a Suzuki virou-se para o parceiro de sempre e dona de parte do seu capital, a Toyota.

E se já tinha havido um primeiro avanço com o Swace, a versão Suzuki do Toyota Corolla Touring Sports com o motor 1.8 litros híbrido, a casa japonesa quis ir mais além e requisitou o SUV mais vendido no Mundo e não se contentou com a versão hibrida. Não… o ataque foi à jugular com o Across a receber a motorização híbrida Plug In.

Com uma pedra, a Suzuki acerta em dois alvos: ficou com a versão mais potente do RAV4 e a que mais contribuiu para reduzir a média de emissões.

E COMO É O ACROSS?

Se no Swace, a Suzuki desenhou, apenas, um para choques para o diferenciar do Corolla, no Across há uma frente totalmente nova. 

Curiosamente, muito mais dinâmica e bem esboçada que a do RAV4! Sim, é verdade, o Across tem uma frente bem mais bonita e sedutora que o Toyota.

O resto do carro fica, praticamente, na mesma. Mas com a nova frente, o carro ganhou 3,5 centímetros face ao RAV4, tendo agora um total de 4635 mm.

E POR DENTRO COMO É?

Bom, as diferenças são ainda menores, limitando-se aos logótipos e o revestimento dos bancos. E ainda bem que a Suzuki não mexeu no interior do Toyota, pois é um dos pontos fortes do RAV4.

A posição de condução é boa, sobrelevada como é exigido pela doutrina SUV, a habitabilidade é generosa e tudo está disposto de forma ergonómica. A Toyota não se rendeu à eliminação dos botões físicos e a Suzuki seguiu o padrão.

Porque não há alterações face ao RAV4, o Across tem 490 litros de capacidade na bagageira, menos 90 litros que a versão do RAV4 sem o sistema Plug In que não existe no Across.

Inexplicável é o facto dos cabos de carregamento não terem um local de acolhimento, ficando espalhado pela bagageira. Se o cabo de carregamento destinado aos postos públicos pode ser enrolado dentro do pneu suplente de emergência, o outro para tomadas “normais” tem de ficar à solta dentro da bagageira.

E COMO É O ACROSS EM UTILIZAÇÂO?

Como sabem, a versão Plug In do sistema híbrido Plug In da Toyota utiliza o motor a gasolina com ciclo Atkinson e 2.5 litros de cilindrada. Debita 182 CV, sendo ajudado por um motor elétrico colocado à frente com 182 CV e outro colocado no eixo traseiro a debitar 54 CV. 

Contas feitas, estamos a falar de 306 CV – o que torna o Across no Suzuki mais potente de sempre! – que permite levar o Across dos 0-100 km/h em 6 segundos. A velocidade máxima está limitada a 180 km/h.

O melhor está na capacidade do Across em andar apenas com energia das baterias. Em modo puramente elétrico, o Suzuki consegue chegar dos 0-100 km/h em 10 segundos com uma velocidade limitada a 135 km/h.

Sempre que os 135 km/h sapo ultrapassados, o motor térmico entra em ação, de forma automática e quase impercetível. O Suzuki é muito confortável e, claro, silencioso. Os bancos são bons e com uma direção ligeira, o Across é fácil de utilizar.

E COMO É O SUZUKI ACROSS NA ESTRADA?

É simples e fácil de conduzir, mas não pense que é o SUV com alguma pretensão desportiva. O Across pesa perto de duas toneladas e a cadeia cinemática tem 306 CV, mas por vezes parece que o Suzuki tem menos potencia. 

Mas isso acaba por não ser penalizador, pois o Across tem uma vantagem enorme, a autonomia em modo 100% elétrico que é de 75 km!

Além disso, os motores elétricos têm capacidade para ajudar nas recuperações de aceleração, pelo que nem é preciso recorrer ao motor térmico.

O Across tem uma bateria com 18,1 kWh, algo pouco comum para um automóvel híbrido Plug In. Mas esta capacidade oferece a referida autonomia 100% elétrica de 75 km, segundo ciclo WLTP.

Esta autonomia permite que seja possível fazer qualquer deslocação pendular sem tocar no motor térmico. Obviamente que o valor real não chega aos 75 km, mas desde que não utilizemos a autoestrada, é possível chegar aos 70 km.

A 120 km/h, na autoestrada, a autonomia continua a ser generosa, cerca de 40 km!

Se por acaso acabar a bateria, tem um depósito de 55 litros de gasolina que permite, em conjunto com a bateria de 18,1 kWh, uma autonomia global de 800 km.

Quando vamos carregar o Across deparamos com um carregador interno limitado a 3,3 kW, pelo que são precisas cinco horas para carregar o Suzuki.

Não deixa de ser estranho o Toyota RAV4 ter capacidade de 6,6 kWh e o Across se ficar pelo 3,3 kWh. 

O QUE É QUE EU PENSO DO SUZUKI ACROSS?

O modelo da Suzuki impressiona da mesma forma que o RAV4, surpreende na utilização como o RAV4, tem as mesmas características do interior do RAV4 e até a mesma habitabilidade. O Across é refinado e tem uma frente redesenhada que lhe dá vantagem face ao Toyota RAV4. Mas tendo um carregador interno inferior ao do RAV4, o que origina recarga mais lenta, o Across fica em inferioridade face ao Toyota. Fica evidente que o Suzuki Across se destina a um cliente profissional, mas terá sempre de passar pela eterna indecisão: comprar o original ou a cópia? E esse é o maior pecado do Across, que até consegue ser mais giro que o RAV4. E aquele carregador interno lento é mesmo o detalhe que estraga tudo. E o demónio está nos detalhes! 

Ficha técnica

Motor: 4 cilindros com ciclo Atkinson e motores elétrico acoplados; Cilindrada (cc): 2487; Potência máxima combinada (CV/rpm): 306 (motor térmico 185 CV; motor elétrico 1, 182 CV e motor elétrico 2, 54 CV; Binário máximo (Nm/rpm): nd (motor térmico, 227 Nm, Motor elétrico 1, 270 Nm e Motor elétrico 2, 121 Nm); Transmissão: integral, caixa CVT de variação contínua; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/Independente multibraços; Travões (fr/tr):Discos ventilados/discos; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 6,0; Velocidade máxima (km/h): 180; Consumos (l/100 km): 4,5; Emissões CO2 (gr/km): 102; Dimensões e pesos 

Comp./Lar./Alt. (mm): 4635/1855/1690; Distância entre eixos (mm): 2690; Largura de vias (fr/tr mm): 1600/1630; Peso (kg): 1940; Capacidade da bagageira (l): 490/1604; Deposito de combustível (l): 55; Bateria (kWh): 18,1; Pneus (fr/tr): 235/55 R19; Preço da versão ensaiada (Euros): 56.822 (preço sem promoção 58.702)