Elétricos

Primeiro ensaio Citroen Ami: não é um automóvel… não é um automóvel… não é um automóvel…

Não é um automóvel… já lhe disse que o Citroen Ami não é um automóvel? Ok, pode estar a pensar que estou, ou melhor, sou parvo. Mas é verdade! O Ami é um Citroen de pleno direito – parece um carro, bolas!!!, um engenho que poderia ter saído da imaginação fértil de André Citroen – mas não é um carro. Está bem, eu explico!

Rating: 5 out of 5.
  • A Favor – Melhor que andar de tuk tuk, metro ou autocarro
  • Contra – Er… na verdade… nada!

Diz-se que se anda como um carro, parece um carro e conduz-se como um carro… é um carro! NÃO!!!! O Ami parece um carro, anda como um carro e conduz-se como um carro… mas não é um automóvel e sim um quadriciclo! Ou seja, com carta de condução B1, a partir dos 16 anos já pode conduzir o Ami.

E ENTÃO O QUE É UM AMI?

O Ami não é um automóvel! É um engenho muito bem esgalhado classificado como quadriciclo, algo conveniente para uma solução de mobilidade exclusivamente urbana e, também, para ultrapassar uma série de regras que só fazem perder tempo e encarecer os veículos.

Portanto sem coisas como airbags e outras pequenas e grandes coisas, o Ami pesa, apenas, 458 kgs, tudo incluído! Oferece espaço para duas pessoas – vá lá, comigo a bordo seguirá a minha filha porque outro calmeirão desconfio que será mais difícil de arrumar – com o banco do condutor a deslizar sobre calhas, o do passageiro é fixo.

A visibilidade é total – estamos rodeados de janelas – e tendo calor, apanhamos a boleia do Marty McFly e ao invés de ir ao futuro… vamos ao passado aterrando no 2CV e nas janelas bipartidas. Lembram? Pois, o Ami é igual.

De regresso ao presente vamos olhar para este engenho citadino que é uma excelente solução para quem anda a distribuir coisas ligeiras pela cidade, quem trabalha para as plataformas de distribuição de comida ou vive nos arredores e anda de transportes.

Acreditem, é muito melhor que andar de metro, autocarro ou até de bicicleta ou trotinete elétrica. Então quando chove!

Claro que para estacionar é mais complicado porque o Ami, apesar de pequeno, ainda tem 2410 mm de comprimento, 1390 mm de largura e 1525 mm de altura. Mas imagine-se no inverno a entregar um McDonalds e chegar á porta do cliente com um blusão seco e limpinho e não com roupa encharcada e enrolada tipo chouriço. Hein?

O Ami tem um motor elétrico que tem… 8 CV! E 625 Nm de binário nas rodas… Este propulsor é alimentado por uma bateria de iões de lítio com 5,5 kWh. Uma caixa de velocidade única, faz chegar a potência e o binário às rodas da frente.

O engenho está limitado a uma velocidade de 45 km/h e a autonomia é de 75 km, sendo que a bateria leva 3 horas a carregar numa tomada elétrica doméstica.

A CARROÇARIA PODE SER PINTADA?

Nem por isso. A carroçaria é feita em plástico tingido de “azul Ami” e assenta sobre um chassis rudimentar onde estão suspensões pseudo McPherson e braços simples na traseira. 

Se olhar cuidadosamente para as imagens verá que o Ami é… simétrico! Ou seja, os painéis dianteiro e traseiro são iguais – mudam apenas os farolins – as portas são iguais e uma abre no sentido da marcha, a outra no sentido oposto. Tudo pode ser trocado de um lado para o outro. Inteligente, pois corta nos custos de produção e torna o carro ainda mais barato!

E AFINAL É OU NÃO É UM CARRO?!

Irra! O Citroen Ami não é um carro! É um quadriciclo! E, naturalmente, não pode andar em autoestradas, em Itinerários Complementares (IC) ou vias rápidas. Porque é deliberadamente lento, pequeno e aberto a ser conduzido por jovens muito inexperientes.  

ESTÁ BEM, PRONTO! E COMO É O INTERIOR DO AMI?

O Citroen Ami não é um carro! E portanto o interior é… diferente. E só há quatro botões: um para ligar o secador de cabelo, perdão, o ventilador (só tem uma velocidade), outro para ligar os quatro piscas e outro para desembaciar o óculo traseiro.

Eu sei que disse que tinha quatro botões. Mentira! Tem seis se contarmos com os botões D N R para movimentar o Ami.

Como já disse, os bancos são de plástico sem regulação, exceto o do condutor que desliza em calhas, com duas almofadas para o rabo e as costas. 

No tablier está uma “dock” para o telemóvel – que permite fazer vídeos para as redes sociais – uma porta USB e um gancho para pendurar a mala da senhora ou do senhor. Há um pequeno, vá lá, pequenino espaço atrás do banco do condutor, outro do lado direito das pernas do passageiro. Mas sempre na lógica da escova de dentes ou do saco de supermercado com uma sandes e um sumo.

O tabliê é profundo, tem algumas zonas de arrumação, há um par de porta copos, enfim, fiabilidade será a palavra chave pois não há nada que seja complicado ou que avarie de um momento para o outro.

Seja como for, o Ami dá uma sensação de espaço fantástica, a visibilidade é excelente, o tejadilho envidraçado alarga essa sensação de liberdade dentro do Ami. 

Há um ou outro problema. Primeiro, o espelho interior é… opcional. Custa um bocadinho a engolir. Depois, os espelhos exteriores são… ridículos. Podiam ser um pouco maiores pois a visibilidade é curtinha.

Depois, a Citroen poderia ter metido a tomada de carregamento fora do carro, perdão!, do quadriciclo. É que para carregar a bateria, temos de deixar a porta aberta do lado direito, pois a tomada está dentro do carro. Ou seja, só podemos carregar o Ami em casa. 

Depois, o que é que passou pela cabeça dos homens da Citroen para fazerem um travão de mão, olhando ao Ami, verdadeiramente monstruoso! É que ainda por cima, se conduzirmos longe do volante, vamos o tempo todo a embirrar com o travão. E ele leva a melhor porque ficamos com uma séria impressão na perna.

Finalmente, como as portas são simétricas, abrindo no sentido da marcha do lado direito, ao contrário no sentido oposto, cada uma tem fechaduras diferentes e processo de abertura diferentes. Não faz muito sentido.

E, JÁ AGORA, COMO É CONDUZIR O AMI? É UM CARRO?

Repetindo, o Ami não é um automóvel! E conduzir também não é a palavra justa para o Ami. É tudo fácil porque é, naturalmente, lento. Basta rodar a chave e carregar num dos botões D N R (Drive, Neutral, Rear) colocados no banco do condutor, acelerar e manter as rodas direitas. Ou contornar os obstáculos sem grande dificuldade.

O Ami tem uma boa travagem e… tem suspensão! E pronto, pouco mais. Se abusarmos e tocarmos a velocidade máxima de 45 km/h, percebe-se alguma rudeza que os bancos apenas almofadados não escondem. E no mau piso como o de Lisboa, a coluna vertebral sofre um pouco. 

Como não há modos de condução, a condução é simples e o comportamento… normal. A aceleração não é vigorosa e a direção é tão lenta que é apenas um sonho conseguir alterar a serenidade do Ami. Há que ter algum cuidado com os carris do elétrico, mas como são cada vez menos não vale a pena pensar nisso. Os pneus 155/65 R14 não têm aderência por aí além e saídas de frente são normais, mas inofensivas porque a 45 km/h…  não passa nada!

E AFINAL QUAL É O VEREDICTO SOBRE ESTE AUTOMÓVEL?

Bolassssss!!! O Citroen Ami não é um automóvel! Seja como for, não é divertido de conduzir, mas é muito divertido de usar. Faz virar as cabeças, faz as pessoas apontarem, parar, virar a cabeça e é realmente divertido andar com o Ami na cidade. É mais seguro que uma e-scooter, uma e-bike e é realmente divertido de utilizar. Comprar um Ami ou não está nas vossas mãos, embora me pareça que a maioria vai parar a outros setores de atividade como o turismo e o “car sharing”.