Ensaios

Primeiro ensaio Toyota Yaris Cross: mais que um Yaris de botas cardadas!

O Toyota Yaris Cross é um carro que desde os primeiros estágios me deixou “com a pulga atrás da orelha”. Recebido o inesperado convite para a apresentação nacional, aqui ficam as primeiras impressões de um carro que é muito interessante.

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Sistema híbrido, estilo, conceito
  • Contra – Conforto em mau piso, performances

A Toyota não é muito de seguir modas – basta ver os anos em que esteve sozinha a lutar pelos híbridos – e tem os recursos e a capacidade de desenhar o seu próprio caminho. 

Mas, desta vez, alguém na Toyota Motor Europe terá dado o murro na mesa e exigido este Yaris Cross. 

Por isso, não pude deixar de sorrir quando alguém perguntou, inocente, se a Toyota precisava deste carro.

Quando o segmento B-SUV é dos que mais cresce com clientes a descerem do segmento acima para comprarem os cada vez maiores B-SUV, este Yaris Cross não era preciso… era essencial!

Preços Toyota Yaris Cross

Yaris Cross 1.5 Hybrid Dynamic Force Comfort24 795,96 €
Yaris Cross 1.5 VVT-i Comfort22 595,96 €
Yaris Cross 1.5 Hybrid Dynamic Force Comfort Plus26 195,96 €
Yaris Cross 1.5 VVT-i Comfort Plus23 995,96 €
Yaris Cross 1.5 Hybrid Dynamic Force Exclusive27 895,96 €
Yaris Cross 1.5 VVT-i Exclusive25 695,96 €
Yaris Cross 1.5 Hybrid Dynamic Force SQUARE Collection29 195,96 €
Yaris Cross 1.5 Hybrid Dynamic Force Luxury30 495,96 €
Yaris Cross 1.5 Hybrid Dynamic Force Premier Edition33 195,96 €

PRIMEIRO ENSAIO

Este primeiro ensaio ao Toyota Yaris Cross decorreu na autoestrada entre Lisboa e Óbidos com uma mão cheia de quilómetros feitos nas estradas em redor de Óbidos. Duas centenas de quilómetros que me ofereceram uma visão geral do que vale este Yaris Cross. 

E posso, desde já, dizer que gostei do estilo com uma mistura do Yaris com o RAV4 e de me sentir a vontade ao seu volante.

O Yaris Cross começa por ser uma versão maior do Yaris, porque tem a mesma plataforma (TNGA) e tem a mesma distância entre eixos. 

Depois, é totalmente diferente: face ao Yaris tem mais 24 cm de comprimento, mais 2 cm de largura e mais 9 cm de altura, o desenho da traseira lembra o RAV4, tal como as cavas das rodas quadradas e a frente é, igualmente, diferente.

Depois, voltamos ao Yaris, pois o Cross usa a mesma mecânica com o bloco 1.5 litros híbrido, com um sistema que a Toyota anda a refinar há anos e que todos descobriram quando surgiu a ameaça das multas por excesso de emissões.

Outra questão suscitada pelo Yaris Cross está relacionada com a possível canibalização do Yaris pela versão mais alta. A Toyota não está preocupada porque entende que os clientes serão diferentes para o Yaris e para o Yaris Cross.

E aqui entra a opção do estilo diferenciado do Cross que se atira de forma decisiva para o colo do público feminino. Sejam elas mães com filhos na escola, sejam mulheres jovens de sucesso ou jovens que gostem de ter um carro com bom aspeto.

Sendo verdade que o gosto é como os narizes, todos temos um, sendo conversável e não discutível, tenho de lhe dizer que acho enorme piada ao Yaris Cross. Acho giro, impactante e divertido. Muito giro mesmo! Minha opinião, claro!

SÓ HÁ TOYOTA YARIS CROSS EM HÍBRIDO?

Sim… e não! À venda só haverá esta versão híbrida, mas tal como no Yaris haverá um motor a gasolina sem hibridização, porém apenas por encomenda. Portanto temos de usar este sistema híbrido com um motor 1.5 litros a gasolina sem turbo e com ciclo Atkinson. Tudo simples como conhecemos há quase duas décadas: acelerar, travar, ouvir o motor a gritar e a não rimar com a velocidade e deixar que a eletrónica tome conta de tudo.

Há dois modos de condução (Eco e Power) que, curiosamente, fazem aquilo que prometem: o primeiro limita a performance, mas economiza bastante, o segundo atira às malvas a economia e oferece tudo o que o sistema híbrido tem para dar.

E COMO É O YARIS CROSS AO VOLANTE?

Tenho de recordar que Akio Toyoda disse há uns anos que a Toyota nunca mais faria carros aborrecidos e logo dse seguida surgiram o Corolla, o RAV4 e mais recentemente, o Yaris GRMN e, agora, o Yaris GR (clique aqui para ler o ensaio).

Obviamente que o Yaris Cross não tem nada a ver com o GR, mas a verdade é que sendo leve e ágil, é uma tentação.

Dizer que um carro que pesa 1200 kgs é leve não deixa de ser uma aleivosia, mas depois de ter andado com tanto carro elétrico nos últimos tempos, o Yaris parecia uma pena e dei por mim nas estradas em redor de Óbidos a andar soltinho.

A direção responde de forma imediata aos movimentos no volante com a suspensão a compensar bem os movimentos da carroçaria, com a plataforma a merecer todos os elogios que lhe têm sido dispensados. Tudo isto em cidade ou em estradas secundárias, pois em autoestrada há maior dificuldade, sobretudo para manter um ritmo de cruzeiro elevado.

O Yaris Cross é confortável, mas em mau piso há algumas batidas nos limitadores de curso das suspensões e algumas vibrações chegam ao interior. Nada de verdadeiramente negativo ou incomodativo.

E O INTERIOR É IGUAL AO DO YARIS?

Essencialmente sim, mas com algumas diferenças. O estilo é agradável sem ser excecional e não deverá envelhecer tão depressa. Os bancos são confortáveis e mitigam um pouco a referida dureza da suspensão em pisos mais irregulares.

A qualidade geral é boa, mas há aqui e ali alguns plásticos de menor valia. Por exemplo, na parte inferior da consola central, por baixo da coluna de direção e outros locais mais escondidos. Tudo o resto é de qualidade.

O painel de instrumentos é diferente do Yaris, semelhante ao do Corolla, e um sistema de info entretenimento evoluído face ao que é oferecido em outros modelos, com botões físicos bem integrados e Android Auto e Apple Carplay sem fios. Uma evolução muito bem-vinda.

A bagageira tem a possibilidade de rebater as costas do banco traseiro nas proporções 40-20-40, mas reserva uma engenhosa repartição 60-40, que permite colocar duas bicicletas sem rodas da frente ou uma planta de elevadas dimensões sem ter de rebaixar todo o piso da bagageira. Pode, ainda, esconder alguma coisa dos olhares alheios. Finalmente, outro detalhe: a chapeleira é dobrável, feita em material flexível que tem um aspeto mais ou menos estranho.

Há espaço para arrumar as pernas com relativo á vontade no banco traseiro e podem sempre colocar os pés debaixo dois bancos dianteiros. A forma da parte traseira da carroçaria pode causar alguma claustrofobia, especialmente para os mais baixos. 

E O SISTEMA HÍBRIDO É MESMO ECONÓMICO?

Sendo um primeiro ensaio, não estive muito preocupado com os consumos, mas mesmo assim com muita autoestrada pelo meio e algum abuso nas estradas municipais e nacionais, não fiquei muito longe dos 4,3 l/100 km que a Toyota reclama.

Contas feitas, em autoestrada rondou os 7 litros por cada centena de quilómetros, depois baixou bastante para os 6,1 l/100 km em andamento vivo em estradas secundárias e um consumo citadino inferior a 4 litros. Entreguei o carro com um consumo de 5,3 l/100 km. Muito bom!

O QUE É QUE EU PENSO DESTE YARIS CROSS?

Gostei! A Toyota sentou-se tarde à mesa do segmento, mas trouxe consigo um Ás de trunfo. Poderá não ter o refinamento do interior de alguns rivais, mas tem muita qualidade, o estilo é muito bom e sedutor, o sistema híbrido não oferece grandes performances, mas é económico e encarado da forma correta é muito agradável de utilizar. Ainda por cima tem preços simpáticos que arrancam nos 21.790 euros, sendo uma clara opção para quem não tenha dinheiro ou interesse em comprar um automóvel 100% elétrico. E como opção a modelos do segmento superior, faz muito bem o papel…

1 reply »