Antevisão

Citroen acaba de apresentar um novo C3 em formato SUV dedicado aos mercados da Índia e América do Sul

 

A ideia foi deixada clara por Vincent Cobeé, CEO da Citroen: ter uma estratégia de presença nas regiões onde há mais crescimento com três carros que possam seduzir os consumidores na Índia e na América do Sul.

A Citroen, dentro do grupo Stellantis, tem luz verde para investir e criar uma estratégia que permita à marca do “Double Chevron” crescer fora do espartilho europeu e ultrapassar os 30% de vendas fora do Velho Continente no meio desta década.

A Índia promete ser o terceiro maior mercado mundial com cerca de 4 milhões de unidades vendidas por ano em 2025.

Ora, para petiscar nesta ampla mesa, a Citroen tem de encontrar o seu espaço e para isso terá de oferecer produtos que sirvam os gostos locais, na Índia e na China.

A ideia é ter uma estratégia global com desenvolvimento local, pelo que este novo modelo terá muita participação dos departamentos de engenharia local.

E tudo vai começar com este pequeno SUV acessível conhecido como o novo C3. Foi desenhado, como reconheceu Antonio Fiosa, COO da Stellantis na América do Sul e Vanessa Castanho, CEO da Citroen América do Sul, com o foco na acessibilidade, durabilidade, fiabilidade e agilidade. Isto porque tanto na Índia como na América do Sul, há que lidar com pisos muito mais degradados que na Europa e trânsito infernal.

O novo C3 – que parece um C3 que passou pelo escantilhão e cresceu como um bolo no forno carregado de fermento – tem uma volumetria semelhante à do C3 com 3980 mm de comprimento e a distância entre eixos de 2540 mm.

Mas o estilo bebeu inspiração no C3 Aircross e a Citroen teve o cuidado de colocar o C3 abaixo dos 4 metros para que na Índia possa beneficiar de uma taxa de imposto mais reduzida. É que na Índia os impostos sobre o automóvel são determinados pelo… tamanho do carro.

Porque os pisos na América do Sul e na Índia são bem menos benignos que no Velho Continente, a Citroen elevou a suspensão e com pneus mais altos, a distância ao solo é de 180 mm. Os curtos avanços à frente e atrás permitem, até, algumas excursões a zonas menos amigas.

A posição de condução é mais elevada que no C3 europeu e o estilo acaba por ser simples e prático com proteções para quase tudo. É que na América do Sul e na Índia os obstáculos podem ser perigosos para os elementos mecânicos.

No interior, o novo C3 oferece uma arrumação familiar com espaço habitável – 653 mm de espaço para as pernas no banco traseiro, reclama a Citroen ser recordista no segmento – e uma bagageira com 315 litros.

Dedicado a mercados em desenvolvimento não quer dizer que não tenha tecnologia e por isso oferece um ecrã de 10,1 polegadas com um sistema de info entretenimento, espelho do smartphone do utilizador e mãos livres. Além disso há espaços para guardar tralha e tomadas para carregar smartphones e outros dispositivos. 

Este Novo C3 é o primeiro de três modelos denominados “C-Cubed” criados especialmente para mercados em desenvolvimento que vão adotar as mesmas ideias e as mesmas diretrizes do novo C3.  

Mas, por que razão é que o novo C3 para os mercados emergentes é importante globalmente? Porque é o primeiro impulso feito com cabeça, tronco e membros feito pela Citroen para colocar o pé em mercados que têm lucros para serem conquistados. Mercados que serão essenciais para a Citroen se cimentar dentro da Stellantis, um universo de 14 marcas onde Carlos Tavares quer acesa competição. E lucro também!

Recordar, apenas, que a Citroen já está há muitos anos no Brasil e na Argentina, mas chegou em 2019 á India onde vende o C5 Aircross.

Por todas as estas razões, Vincent Cobeé, o CEO da Citroen referiu que “como fabricante generalista, queremos oferecer nesses mercados uma escolha acertada – comprar carro rivaliza com a compra de uma casa como a compra mais importante nestas geografias. Na Índia, ter automóvel é prova de independência e de sucesso social.”

Recordar que Vincent Cobeé foi responsável pelo lançamento de alguns modelos na índia, mercado que conhece bem. “Quando se vende um carro naquele país, temos de abordar quatro áreas: localização, tranquilização e depois perceber que há uma marca chamada Maruti Suzuki que tem na mão mais de 50% das vendas, está no mercado há mais de 40 anos e tem mais de 10 mil pontos de venda.”

Curiosamente, o AUTOBLOGUE perguntou – mas não foi dada a resposta pois a prioridade foi dada aos jornalistas da América do Sul – se o novo C3 teria motorização híbrida ou elétrica. Para já o Novo C3 tem apenas motor a gasolina e a Citroen não fez nenhuma menção ao movimento de eletrificação acelerado na Europa.

Mas Vincent Cobeé deixou a ideia por que razão o novo C3 será apenas a gasolina. “Os carros poderiam ser eletrificados, mas a pergunta que se impõe é, estará o mercado sul americano e indiano pronto para isso? Claro que não! Existe um CAFE (Corporate Average Fuel Economy) na Índia, enquanto que na América do Sul, um sistema de regulação de consumo de energia, pelo que a prioridade nesses mercados é reduzir as emissões globais de CO2 antes de centrar atenção nos automóveis eletrificados.”

O AUTOBLOGUE perguntou, também, se à imagem do C-Elysée pensado para os mercados emergentes, o Novo C3 viria para a Europa mesmo que pudesse canibalizar o C3 Aircross, mas não obtivemos resposta. Mas não custava nada ver este C3 “aSUVezado” nas estradas do Velho Continente…